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Lobão no Roda Viva, por Rodrigo Constantino

Matéria original publicada por Rodrigo Constantino, em 02/12/13. 


Muito boa a entrevista do músico e escritor Lobão no programa Roda Viva. Soube desviar de várias cascas de banana e impedir as armadilhas de esquerdistas infiltrados ali para estragar uma entrevista séria. Augusto Nunes também está de parabéns pela condução, pois soube colocar ordem em momentos delicados.

 

O que vimos mostra bem a falência intelectual do Brasil. Lobão é “polêmico”, “reacionário”, “radical”, tudo porque ousa discordar das idiotices abundantes nos “debates” nacionais. Como não adere à ditadura do politicamente correto e chama as coisas pelo nome, vira “rebelde”.

 

O coroa com cabelos longos que defende o terrorista assassino Marighella é “cool”, “moderado”, mas Lobão é o radical na história. O sujeito chamou os black blocs de “direita”, pois usam máscaras e isso não é legal! Constrangedor, eu sei. Mas mostra como a esquerda ainda monopoliza as virtudes: se é ruim, autoritário, violento, só pode ser de direita. A aura de pureza da esquerda permanece intocada…

 

Até a jornalista do Estadão, visto como jornal de direita por muitos, pressionou o compositor tentando arrancar declarações comprometedoras. Perguntou sobre o “mensalão tucano”, aderindo ao discurso oficial dos petistas que misturam tentativa de golpe na democracia com desvio de verbas públicas. E colocou na direita a pecha de ser contra os gays.

 

Lobão se saiu bem, não se deixou intimidar, e pontuou que uma coisa é movimento gay, politizado e coletivista, e outra, bem diferente, é defender os gays como indivíduos. Ponto para Lobão.

 

Até o rótulo de defensor de ditaduras ou torturas tentaram colar no músico, mas sem sucesso. Deixou claro que o foco era derrubar o mito de que aqueles comunistas lutavam por democracia, e que o golpe militar não veio do além, sem uma força que jogava o país na direção de um regime comunista para transformar o Brasil em um “Cubão”.

 

Lobão leva os esquerdistas ao desespero, pois não podem afirmar que é “tucano” e coisa do tipo. Defendeu Lula abertamente, fez campanha, mas finalmente acordou. E sua honestidade intelectual o impede de ser mais um covarde chapa-branca, como tantos que pululam por aí.

 

Esculachou a presidente Dilma, totalmente inepta e incapaz, e reconheceu o perigo que nossa democracia corre com tantos anos de PT no poder. Quantos artistas podem se dar ao luxo de tamanha independência crítica? Poucos. Infelizmente, pouquíssimos!

 

Essa é uma das maiores virtudes de Lobão, entre tantas outras. É muito bom para os defensores do capitalismo liberal poder contar com um músico popular que recusa a patrulha da esquerda caviar e coloca os pingos nos is. Quem perdeu, tente ver a reprise.

9 months ago

Lobão é o convidado do Roda Viva

Matéria original publicada por Augusto Nunes (Coluna Veja), em 02/12/13.

(Foto: Rui Mendes)

O convidado do Roda Viva desta segunda-feira é Lobão (nascido João Luiz Woerdenbag Filho), músico, escritor e colunista de VEJA. Como o entrevistado sempre diz o que pensa com clareza e coragem, seja qual for o tema, o programa será dos mais movimentados.

 

Peço aos amigos que sugiram perguntas e acompanhem a a conversa transmitida ao vivo, das 10 da noite às 11 e meia (horário de Brasília), pela TV Cultura, pela TV Brasil e pelo portal UOL. Em seguida, o timaço de comentaristas dirá o que achou do programa.

9 months ago

UOL transmite “Roda Viva” com músico Lobão a partir das 22h

Matéria original publicada por UOL, em 02/12/13.

O UOL transmite ao vivo nesta segunda-feira (2), a partir das 22h, o programa “Roda Viva”, da TV Cultura, que terá como convidado o músico e escritor Lobão. O debate será mediado pelo jornalista Augusto Nunes.

 

Famoso por suas declarações fortes, Lobão falará sobre música, política e as polêmicas envolvendo seu último livro, “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”. Este mês, ele passou a integrar o time de colunistas da revista “Veja”.

 

Considerado um dos principais nomes do cenário rock brasileiro dos anos 80 e 90, Lobão foi baterista das bandas Vimana, com Lulu Santos e Richie, e Blitz. Já em carreira-solo, ganhou notoriedade com os álbuns “O Rock Errou” (1986) e “Vida Bandida” (1987).

 

A bancada entrevistadores será formada por Tiago Agostini (editor no site MSN e colaborador da revista Rolling Stone), Alex Solnik (repórter da revista Brasileiros), André Barcinski (colunista do R7), Ivan Finotti (editor da revista São Paulo e da revista Serafina, da Folha de S. Paulo) e Adriana Couto (apresentadora do Metrópolis). O programa conta ainda com a participação do cartunista Paulo Caruso.

9 months ago

Lobão vai para o centro do Roda Viva nesta segunda (2/12)

Matéria original publicada por Correio Braziliense, em 29/11/13.

O cantor será entrevistado ao vivo, a partir das 22h, na TV Cultura.

 

Cantor, compositor, escritor e apresentador, Lobão é o convidado do Roda Viva desta segunda-feira (2/12), na TV Cultura. Ele falará, entre outros assuntos, sobre música, política e as polêmicas levantadas em seu último livro, Manifesto do Nada na Terra do Nunca. A entrevista, comandada pelo jornalista Augusto Nunes, vai ao ar ao vivo, a partir das 22h.

 

Considerado um dos principais nomes do cenário pop-rock musical brasileiro dos anos 80 e 90, Lobão nasceu no Rio de Janeiro. Iniciou a carreira musical aos 17 anos, como baterista da banda Vimana, que tinha integrantes como Lulu Santos e Ritchie. No fim da década de 70, participou da banda de apoio da cantora Marina e fundou a banda Blitz com Evandro Mesquita e Fernanda Abreu.

 

Em carreira-solo, em 1984 lançou o álbum Ronaldo Foi pra Guerra, que ganhou notoriedade com a música Me Chama. No ano seguinte, com o LP O Rock Errou, fez sucesso com a música Revanche. Nesse ano, teve problemas com drogas, fato que se repetiu em 1987, ano do lançamento do disco Vida Louca Vida e que foi regravada por Cazuza.

 

Lobão ficou quatro anos sem gravar nenhum disco. A partir de 1995, começou a experimentar outros ritmos, como samba e música eletrônica. Nos anos 2000, o roqueiro envolveu-se com causas ligadas à música como a defesa da criminalização do Jabá, prática da compra de espaço musical nas rádios e televisões.

 

 

Em 2007, lançou CD ao vivo, o Acústico MTV, no qual interpretou músicas do passado, como Essa Noite Não. No final de 2010, o cantor publicou sua biografia 50 Anos a Mil, escrita em parceria com o jornalista Cláudio Tognolli. Em 2013, foi a vez do lançamento do livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca, em que, do seu ponto de vista original, traça uma jornada tragicômica pela estética e a política do Brasil contemporâneo.

 

Em televisão, Lobão começou a trabalhar em 2005. Nesta época, apresentou o programa Saca Rolha, na Play TV, junto com Marcelo Tas e a modelo Mariana Weickert. Entre 2007 e 2010, esteve à frente de quatro programas na MTV Brasil. No fim de 2011, assinou com a TV Bandeirantes para apresentar o programa A Liga, onde permaneceu por poucos meses.

 

 

A bancada entrevistadores será formada por Tiago Agostini (editor no site MSN e colaborador da revista Rolling Stone), Alex Solnik (repórter da revista Brasileiros), André Barcinski (colunista do R7), Ivan Finotti (editor da revista São Paulo e da revista Serafina, da Folha de S. Paulo) e Adriana Couto (apresentadora do Metrópolis). O programa conta ainda com a participação do cartunista Paulo Caruso. Classificação indicativa:livre

9 months ago

Lobão e Luiz Melodia se apresentam no Sul do Rio de Janeiro

Matéria original publicada em 26/11/2013, por G1

Eles farão show em Volta Redonda e Barra Mansa, respectivamente.
Região receberá também Filipe Moreira, bailarino do Theatro Municipal.

 

imageOs cantores Lobão e Luiz Melodia irão se apresentar esta semana no Sul do Rio de Janeiro. Eles farão shows em Volta Redonda e Barra Mansa, respectivamente, no fim de semana, quando a região receberá outro nome importante: Filipe Moreira. O primeiro bailarino do Theatro Municipal do Rio de Janeiro estará em Volta Redonda para participar do espetáculo de balé “Giselle”.

Lobão apresentará o show “Lobão Elétrico”, em que comemora 38 anos de carreira e faz um passeio por seu repertório. A atração será às 20h, com classificação livre e entrada gratuita. A apresentação será pelo projeto Estação Musical Sesc.

A partir desta semana, a região recebe também o Festival Popular de Cinema de Três Rios, que irá exibir filmes nacionais de graça. O Sul do RJ conta ainda com outros destaques da programação cultural.

9 months ago

Lobão fala do Brasil que retratou em seu novo livro

Matéria original publicada por André de Almeida (Diário do Comércio), em 20/11/2013.

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O cantor e compositor Lobão lançou este ano  seu segundo livro,  Manifesto do Nada na Terra do Nunca, que já vendeu cerca de 80 mil exemplares. A polêmica obra trata deassuntos como política, cultura e liberdade, e se propõea falar sobre o “estado de paralisia” em que o autor acredita que o Brasil se encontra.

“Quem ousa tecer algum comentário um pouco mais crítico sobre a realidade que nos rodeia acaba sofrendo violências morais e psicológicas, sempre no intuito de eliminar o interlocutor … É a verdadeira Terra do Nunca, onde nos recusamos a crescer, com uma religião de Estado promovida por autoproclamados progressistas: os nossos carolas estatizados”, afirma Lobão, explicando parte do título.

 

Presente na tarde de ontem no 14º Congresso da Facesp, em Campinas, ele falou sobre diversos assuntos abordados no livro. Depois, concedeu a entrevista que se segue a este jornal.

 

Diário do Comércio – Você assumidamente votou no Lula em 1989. O que te fez mudar de ideia em relação ao ex-presidente e ao PT em geral?

Lobão – Basta ver o cenário atual da política brasileira. Quando votei no Lula, achava que não havia outra alternativa naquele momento. O discurso de idoneidade, honestidade e ética do partido me seduziu. Mais tarde, verifiquei que venderam o peixe errado. Isso me fez sentir até um pouco ingênuo, já que na época fiz mais de 300 shows de graça para o PT.

 

DC – Como você avalia o governo Dilma Rousseff?

Lobão – A presidente carrega consigo certa intolerância, além de ser estatista e comunista. Tanto é que os índices de confiabilidade econômica do Brasil caíram bastante.

 

DC – O sucesso do seu mais recente livro te surpreendeu?

Lobão – De forma alguma. Na verdade eu já sabia que ia escrever um best-seller. Proporcionalmente, podemos falar que o Manifesto já vendeu mais do que o primeiro livro (uma autobiografia do cantor).

 

DC – Falando no seu primeiro livro, qual sua opinião sobre as biografias não autorizadas? Aceitaria uma sobre você?

Lobão – Claro que sim. Se alguém falasse alguma mentira, era só entrar com um processo. Na medida em que temos fatos históricos que sejam levantados e esclarecidos diante da população, isso é um benefício para a cultura do País. Tentar defender a censura a uma autobiografia é uma coisa sórdida.

 

DC – A Facesp e as associações comerciais defendem valores como a livre iniciativa, a liberdade de empreender, o respeito aos contratos, o direito à propriedade, entre outros. Você se identifica com esses valores?

Lobão – Perfeitamente. A maior civilização que a história já nos brindou foi a norte-americana, que também defende essas ideias. A cartilha da Constituição americana é uma das coisas mais preciosas já produzidas pela mente humana em termos de organização social e política. Infelizmente muitos no Brasil coíbem moralmente o lucro, como se fosse uma coisa errada. No entanto, ele faz parte do negócio. Trata-se da mola propulsora do desenvolvimento da civilização. Enquanto tivermos uma sociedade com essa aversão, estaremos sempre na Terra do Nunca.

10 months ago

LOBÃO ESTREIA EM VEJA

LOBÃO ESTREIA EM VEJA

10 months ago

LOBÃO ESTREIA EM VEJA SEU PORRETE CONTRA A ESQUERDA

Matéria original publicada em 10/11/13, por Brasil 247.

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(Foto: Rui Mendes)

Músico e escritor consegue sua carteira de sócio no clube do qual já fazem parte nomes como Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Demétrio Magnoli e Rodrigo Constantino; é colunista de Veja e tem uma missão: descer o sarrafo em qualquer coisas que se aproxime minimamente da esquerda; na primeira coluna ele ataca “a era do rebelde chapa-branca” e critica MST, Racionais, José Genoino, Chico Buarque, Caetano Veloso e Mídia Ninja; Lobão anuncia que seu esporte será “épater la gauche”, ou seja, chocar a esquerda; “golaço”, festeja Constantino; no Brasil, a direita se organiza.


247 - “Espetacular a estreia de Lobão JL Woerdenbag Filho na Veja Impressa! Simplesmente desceu o sarrafo, sem dó nem piedade, nos ‘rebeldes chapa-branca’, aqueles que mamam no sistema e vivem de atacar o sistema. Racionais, Gil, Caetano, Chico Buarque, Paula Lavigne, a turma toda da ESQUERDA CAVIAR citada nessa coluna imperdível. Golaço da Veja!”.

 

Assim falou Rodrigo Constantino, o mais caricato personagem da direita brasileira, em sua página no Facebook, neste fim de semana. O motivo de tamanho entusiasmo é a estreia de Lobão, autor de “Manifesto do Nada na Terra do Nunca” como colunista de Veja. Foi como se dissesse “Bem-vindo ao clube”. Um clube neocon do qual fazem parte nomes como Reinaldo Azevedo, Demétrio Magnoli, Augusto Nunes e o próprio Constantino. Todos unidos pelo ódio a Lula, ao PT e a qualquer coisa que se aproxime minimamente do conceito de esquerda.

 

Sim, a direita no Brasil se organiza e sua mais nova aquisição é Lobão. Um nome que não dissimula suas intenções. Na sua coluna de estreia, chamada “A era do rebelde chapa-branca”, ele abre o jogo no último parágrafo:

 

"Estou inaugurando com muito orgulho e entusiasmo minha coluna em VEJA. Não é fortuito o nosso encontro, assim como não é por acaso que se percebe a sociedade civil começando a se organizar para repensar a nossa condição atual. Tentarei tratar dessa miséria que nos assola como se estivesse praticando um novo esporte: épater la gauche. Essa turma está imprimindo o ridículo em sua própria história. E desse vexame não escapará."

 

Lobão se inspirou no poeta francês Baudelaire, que dizia ser necessário “épater le bourgeois”, ou seja, chocar a burguesia. Mas sua intenção é fazer o mesmo com a esquerda brasileira. Em seu texto de estreia, os alvos são o MST, os Racionais, Carlos Marighella, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e José Genoino, entre outros alvos. Lobão condena, por exemplo, que “o Chico, lá da França, assina carta de apoio ao Genoino”. Segundo ele, “são os nossos coronéis chapa-branca solando de cavaquinho”.

 

Sobre os demais, as críticas seguem um padrão previsível. Mariguella teria lutado para “implantar uma ditadura sanguinolenta” – e não para enfrentar uma ditadura. Pablo Capilé seria malvado por questionar o direito autoral, Caetano leva um cascudo por achar “muderno” o que Lobão classifica como retrocesso e Gil teria como uma de suas crias o “Fora do Eixo”.

 

Lobão chegou lá. Ganhou seu porrete para, ao lado dos novos amigos, descer o sarrafo na esquerda. Mas quem será que está “imprimindo o ridículo em sua própria história”: a esquerda ou o próprio Lobão?

10 months ago

Lobão: A era do rebelde chapa-branca

Matéria original publicada em 11/11/13, por Veja.

(Foto: Divulgação)



- O cantor e compositor Lobão estreia sua coluna, que será mensal, na edição de VEJA desta semana.

 

Vivemos um momento histórico de uma vulgaridade, obscurantismo e insipidez sem precedentes que, por várias razões entrelaçadas, propiciou a eclosão de um personagem patético, insólito, abundante e que ficará marcado como a expressão máxima deste triste período: o rebelde chapa-branca.

 

Sim! É ele o protagonista em todas as rodinhas, redes sociais, botequins, universidades e passeatas. Revela-se por duas características inseparáveis: é revoltado contra o sistema e, ao mesmo tempo, chancelado por ele. Vamos a alguns exemplos.

 

O MST é subvencionado pelo governo, tem o respaldo do governo e, no entanto, não para de reclamar, invadir e destruir terras produtivas. No rap, há um sem-número de rebeldes chapa-branca, mas seu ícone são os Racionais. Fazem campanha para o governo, sobem nos palanques, têm o beneplácito da mídia oficial bancada pelo governo e, mesmo assim, são revoltadíssimos contra o sistema! No seu último videoclipe, Marighella, eles aparecem prontos para assaltar a Rádio Nacional, numa reconstituição de época, exibindo inúmeros trabucos de grosso calibre e conclamando à luta armada, incorporando aquela mímica marrenta um tanto canastrona que lhes é peculiar.

 

O detalhe é que eles estão no poder. Eles são o poder. Eles são a situação.

 

No aniversário da morte do nosso Che Guevara tupiniquim, a Comissão da Verdade comemorou a data com solenidade e deferência. Marighella pode ter arrancado a perna de uns, matado outros e lutado para implementar uma ditadura sanguinolenta no Brasil, mas os rebeldes chapa-branca chancelam a festa, impõem a farsa com mão de ferro e ai de quem piar.

 

Na semana passada, o tal Procure Saber implodiu com a defecção do rei, deixando desnorteados Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque — rebeldes chapa-branca de longa data. O Gil acabou no comando do Ministério da Cultura, onde foi aninhando sua cria, o Fora do Eixo, que tem como ponta de lança Pablo Capilé, um rapaz que afirma ser contra o direito autoral, contra o autor, contra o livro e é pupilo de Zé Dirceu. Tira dos artistas para entregar de mão beijada aos magnatas das redes sociais como o Google, o YouTube e o Facebook. Isso porque não estamos ainda perguntando para onde foi toda a grana que ele recebeu através das leis de incentivo à cultura. É um típico rebelde chapa-branca. Mas o Caetano acha “muderno” esse retrocesso estúpido e desonesto. O Chico, lá da França, assina carta de apoio ao Genoíno. São os nossos coronéis chapa-branca solando de cavaquinho.

 

Temos de ressaltar também a performance fulminante da presidente do Procure Saber, esta sim uma rottweiler de incontestável pedigree, Paula Lavigne. Descontrolada, vem cometendo lambança atrás de lambança, incluindo um ataque covarde à colunista da Folha de S.PauloMônica Bergamo. E o que dizer de sua performance no Saia Justa com a Barbara Gancia? Há um mês, ela invadiu o meu Twitter, acompanhada por uma centena de integrantes da seita black bloc, me chamando de nazista, ex-músico, ex-Lobão, amante da ditadura, decadente (tem gente me chamando de decadente há uns trinta anos). Depois de algumas trocas de gentilezas, fui obrigado a bloqueá-la.

 

Uma das características dos rebeldes chapa-branca é o uso da técnica do espantalho: criam uma figura caricatural, colocam frases fora de contexto (quando não inventadas) em sua boca e tentam fazer acreditar que essa figura patética é você! Um vodu de psicopata.

 

Uma jornalista chapa-branca de uma revista bancada pelo governo declarou, num momento de búdica inspiração, que é a favor de fuzilamento para determinados casos (quais seriam?). É o tipo de comportamento visto com simpatia e condescendência pelo rebelde chapa-branca, pois a visão assimétrica do mundo, com um peso para duas medidas, é outra marca registrada dele.

 

Estou inaugurando com muito orgulho e entusiasmo minha coluna em VEJA. Não é fortuito o nosso encontro, assim como não é por acaso que se percebe a sociedade civil começando a se organizar para repensar a nossa condição atual. Tentarei tratar dessa miséria que nos assola como se estivesse praticando um novo esporte: épater la gauche. Essa turma está imprimindo o ridículo em sua própria história. E desse vexame não escapará.

10 months ago

Manifesto do Nada na Terra do Nunca: Um recorte

Matéria original publicada em 29/10/13, por O Homem e A Crítica.

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"Leia, antes de bater".

É com esta sensata recomendação que se inicia a orelha do mais novo livro de João Luiz Woerdenbag Filho, o famoso roqueiro Lobão, Manifesto do Nada na Terra do Nunca. Confesso que, antes de lê-lo, tinha, de seu autor, a pior visão possível, já que não conhecia suas músicas e só o tinha ouvido, em uma entrevista, uma vez na Rádio Jovem Pan(2011, se bem me lembro), sendo que, na feita, disparava contra o funk em uma postura totalmente anti-eclética, algo que, para o Octavius da época, era inconcebível.

Sou réu confesso, também, no que se refere a preconceito contra roqueiros. Após ter visto, em diversos ambientes, esse tipo de fã em sua versão mais pseudointelectualizada criticando funkeiros, sertanejos, pagodeiros e evangélicos por não se encaixarem em seu ideal pouco sofisticado de conhecimento e crítica de mundo - que se resume, in fact, a proselitismo antirreligioso barato aliado a idolatria por determinada banda ou músico -, não consigo mais não ter, de um fã desse estilo musical, uma preconcepção no mínimo pessimista.

JLW Filho, porém, é diferente. Em seu livro, o que vemos (e que comentarei com mais detalhes adiante) não são textos frouxos, fúteis e repletos da mais porca idolatria musical disfarçada de cultura. A música, aliás, e por incrível que pareça, é apenas um elemento secundário no contexto do Manifesto. O que temos, na verdade, são capítulos que, com linguagem acessível, estilo irreverente e único e coragem hoje só superada, talvez, pela de Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino e Olavo de Carvalho, constroem, juntos, o mais sofisticado protesto intelectual dos últimos tempos contra a infantilização política e a venda do esquerdismo em geral como a nova “indulgência”, com a qual se conquistaria uma vaga no céu dos puros e moralmente melhores.

Digressão Primeira - Sobre o recorte

Antes, porém, de começar a me aprofundar no livro do autodeclarado reacionário, quero discursar sobre o recorte, gênero que pretendo utilizar daqui por diante quando for resenhar livros. Não sei se já existe como gênero autônomo, mas, basicamente, o recorte octaviano tem por objetivo ser uma espécie de resenha cujo foco é a análise linguística, filosófica e/ou política da obra que estiver sendo contemplada. O que o diferencia da resenha em si? Deixo essas ortodoxias para meus leitores e para os linguistas textuais, responsáveis por esse tipo de sistematização. Enfim, retomemos.

A Genética do Nunca

Quando fala sobre a Terra do Nunca (obviamente, terra brasilis) em Viagem ao coração do Brasil (capítulo 6), Lobão a descreve como uma sina que consiste em haver, de um lado,

 ”A luta titânica de um povo que, numa alegria perturbadora, disputa palmo a palmo com a impossibilidade seu pedaço de existência, enquanto de outro prevalecem, intactos, incólumes, perenes e gloriosos, os pilares da nossa ruína” (p. 171-172)

Trocando em miúdos, o que Lobão faz é, na verdade, uma nada superficial Genética do Nunca, ou seja, um exame apurado não só de como se formou mas também de como está, atualmente, tanto o Brasil profundo quanto não tão profundo assim: enquanto protoditadores preferem se preocupar com qual será a próxima imposição “democrática” que será anunciada ao povo - diga-se de passagem, “democratização da mídia” está bem próxima - este, do alto de sua petulância (sqn), prefere se preocupar com tópicos secundários como família, filhos, trabalho e gastos da casa a gastar seu tempo com tamanhas iluministices partidário-ideológicas.

A Fenomenologia do Nada

Tal Genética, porém, é apenas um quarto importante do bolo. Os outros três quartos e a cereja, definitivamente, se mostram quando Lobão faz um acertado diagnóstico do modus operandi da consciência tupiniquim: “Amamos a pobreza” (p. 21) e nossa elite intelectual cria todo tipo de teoria, das mais tresloucadas às mais aparentemente sensatas, para que este platonismo de boteco não venha a perecer. O sagaz roqueiro, então, desnuda os resultados dessa prática:

"Isso gerou uma forma singular de autoengano: nos achamos especiais através dos nossos piores defeitos. Com esses defeitos, criamos uma cosmogonia em que o brasileiro é um ser gentil, sorridente, pacífico, malemolente (o suingue da raça) e único no mundo” (p. 21)

O problema dessa visão, todavia, só é completamente desnudado dois parágrafos depois, quando Lobão começa a lançar uma série de perguntas que o inspiraram em seu livro e que podem ser resumidas em uma só: Afinal, por que temos tanto orgulho do fracasso e tanta vergonha de qualquer mínima tentativa de se obter um pouco mais de sucesso, ou mesmo um pouco menos de insucesso?

Segunda Digressão - Detalhismo

O leitor mais atento e/ou mais birrento poderia questionar porque não reproduzi uma a uma das perguntas colocadas pelo “matricida”. Respondo que, apesar de mais detalhista, isto ainda é uma resenha e, portanto, meu único objetivo é justamente instigá-lo, amigo leitor, a ler por si mesmo e a tirar suas próprias conclusões, o que também faço em outras situações (aliás, em quase todas). Queixa respondida, regressemos ao que tem pertinácia.

Letra e música do nacionalismo furado

Outro elemento importante no livro de Lobão é a constante manifestação, aliás extremamente pertinente, contra a conhecida - e idolatrada mais do que fundamentalisticamente pela intelligentzia esquerdista brasileira - MPB, descrita no livro como uma sigla de proveta originária de um ultranacionalismo modernista rançoso e de um senso de realidade, como bem pontua o “reacionário”, delirante e derivado do Nada em que o Nunca se foi meter..

A consequência mais imediatamente grave dessa filosofice de boteco, porém, foi sentida, de acordo com o “metralhadora giratória”, não pelo povo em si (que, convenhamos, só sente isso anos depois, ao perceber que, mesmo com tanta pretensão de conversa, perdeu de WO), mas pelos roqueiros, que, ainda hoje, são tidos pela elite musical cacoética e caquética como “antinacionalistas” ou “vendidos ao americanismo”, ou qualquer coisa do tipo - o que, convenhamos, não significa, é lógico, que a apologia furada à revolta que fazem moleques de 15 anos contra tudo que não seja rock seja legítima ou sequer lógica. Aliás, é curioso como o que mostram, na maior parte das vezes, é um revanchismo tosco e profundamente baseado no desconhecimento histórico, pois acusam a todos, a não ser aos clássicos (pois desses, invariavelmente, levariam um verdadeiro sopapo cultural), de “alienados” e “vendidos para os modismos imperialistas americanos”. Coerência mandou um abraço.

Ainda neste tema musical, mais curioso ainda é que, ao contrário da maioria dos roqueiros da mídia, que andam mais para “carolas estatizados”, como diria o próprio Lobão, o reacionário, apesar de ter ganhado esta alcunha, acaba de certa forma defendendo o funk, talvez o ritmo atualmente mais repudiado inclusive pelos “universitários”, outra grife repudiada (e que Lobão repudia também), de seus detratores. Após ousar dizer que, nas atuais circunstâncias, o funk seria o ritmo mais genuíno produzido pelo morro e fora dele, o roqueiro espera as críticas:

"Alguns de vocês podem pular indignados da poltrona, ter um acesso apoplético, voar na minha carótida e vociferar: ‘Mas o funk é grotesco, sexista, violento, obsceno, tem letras horríveis, de articulação gramatical que beira dialetos neolíticos […]’ " (p. 47)

E as destrói com apenas duas frases:

"Isso é fato, mas existe uma coisa inegável: é o único, entre todos os outros aqui mencionados, verdadeiro. Ainda não foi reciclado, reinventado, regurgitado, muito menos aprovado pelo intelectual de esquerda." (p. 47)

Quanto ao restante da crítica musical, só resta a mim dizer isto: PCB (Partido do ChicoBuarque) não curtiu Manifesto do Nada na Terra do Nunca.

Dito isto, voltemos à crítica política propriamente dita.

Investigação acerca da falta de entendimento político do brasileiro

Outro elemento recorrente e importante no Manifesto de JLW Filho é a análise direta e sincera não só de quão desinteressado e inepto o brasileira está para exercer sua cidadania mas também de como o próprio agora reacionário sentia-se órgão de ideologias dignas de serem seguidas (se é que elas existem, rs). Em Confesso a vocês: Sou uma besta quadrada (capítulo 7), Lobão, como nos fala no título, confessa que:

"Durante os muitos anos da minha formação, e até bem pouco tempo atrás, tive uma postura bastante ambígua em relação a uma série de conceitos e ideias sem nunca ter me preocupado muito com esse desleixo ontológico." (p. 175)

Esse “desleixo ontológico” a que o matricida se refere é o fato de ele próprio, por muito tempo, não se preocupar com a qual ideologia uma ideia pertencia, mas sim com o quão potencialmente boa e/ou benéfica parecia. O detalhe é que, assim como eu e muitos outros depois dele, o que Lobão descobriu foi como este comportamento pode, na verdade, servir de arma para projetos de poder capitaneados por corruptos e psicopatas.

Por mais que eu mesmo seja a favor das Cotas Raciais como ação isolada - e aqui discordo do roqueiro e de muitos amigos direitistas, mas prometo articular minha discordância apenas em outra feita -, por exemplo, sou obrigado a reconhecer que, vindo da estrela vermelha, esse projeto seria generoso demais para vir gratuitamente e isoladamente, sem fazer parte de um projeto maior de poder, como de fato faz. O que Lobão descobriu, e eu também, é que não é porque um discurso se diz pró-minorias que ele não pode ser, na verdade, apenas mais um instrumento na busca esquerdista pelo poder político (pois a hegemonia cultural eles já ganharam há décadas). Nesse sentido, então, fica ainda mais legítima a ideia de que toda ideia mal formulada deve, invariavelmente, ser vulnerável ao questionamento.

Acredito, contudo, que a insistência  do brasileiro, especialmente universitário, em se recusar a maiores especulações políticas está em uma das perguntas inspiradoras doManifesto: Afinal, “Por que ser tão reativo a qualquer ideia que não seja a oficial aceita nos meios intelectuais?” (p. 21) e, em especial, que não seja televisionada no jornal das 20h?

Concluindo

Enfim, estas foram apenas algumas das considerações possíveis para este bom livro. Poderia, também, ter abordado a visão do papel do indivíduo perante o coletivo ou as críticas de Lobão à antropofagia modernista de Oswald de Andrade, ou mesmo ter exposto mais de suas boas críticas à MPB e ao espírito “Semana de 1922” do intelectual e do artista brasileiros, mas prefiro deixar isto para que o curioso leitor leia por si mesmo e aprecie esta obra que não pode ser descrita como algo menos do que um grande protesto literário contra a indigência intelectual em vigor em terras tupiniquins.

Sobre o Autor: Octavius é graduando em Letras e desliza, ocasionalmente, pelos caminhos da filosofia. Desprezava Lobão, Constantino, Tio Rei e Olavo, mas conheceu seus detratores. É considerado “de direita” desde que, pela primeira vez, questionou publicamente os dogmas progressistas.

10 months ago

ENTREVISTA COM O CANTOR LOBÃO

Matéria original publicada em 31/10/2013, por Ativar Sentidos.

Seu nome é João Luiz Woerdenbag Filho, mas ele ficou conhecido no Brasil inteiro como Lobão. Notabilizou-se como cantor, compositor, escritor, multi-instrumentista, e também já foi editor de revista e apresentador de televisão. E ele é o nosso entrevistado de hoje!

(Foto: Rui Mendes)

Compositor de sucessos como “Me Chama”, “Decadence Avec Elegance”, “Revanche”“Blá Blá Blá… Eu Te Amo (Rádio Blá)”“Vida Bandida” e “Vida Louca Vida” (conhecida na voz de Cazuza); Lobão fez um grande sucesso nos anos 80. Após romper com as gravadoras, no final da década seguinte, ele seguiu trilhando seu caminho no underground da música. Em 2003, Lobão lançou a revista cultural Outracoisa, com a parceria da L&C Editora, que sempre trazia um CD encartado e revelou inúmeros artistas, como BNegão, Cachorro Grande, Mombojó, Carbona e Vanguart.

De 2007 à 2010, Lobão foi apresentador na MTV Brasil. No mesmo ano de sua entrada na emissora, ele também lança o seu Acústico MTV, contendo vários sucessos. Já no ano de saída, ele faz emergir sua biografia 50 Anos a Mil, junto com o jornalista Cláudio Tognolli. Em 2012, comemorando 30 anos de carreira solo, o DVD Lobão Elétrico: Lino, Sexy & Brutal foi lançado e distribuído pela Deckdisc. Ufa! Como vocês viram, o cara não para, mas arranjou um tempinho para responder nossa entrevista. Agora, o velho Lobo invade a nossa praia…

Ativar Sentidos – Até hoje, muito se fala sobre sua saída da Blitz. Como foi todo o desenrolar da história e como é seu relacionamento com os parceiros daquela época?
Lobão – Essa história está detalhadamente contada na minha biografia “50 Anos a Mil”. Quanto ao meu relacionamento com os integrantes, sou mais chegado ao Evandro com quem falo de vez em quando e tenho o maior carinho e admiração.

AS – No início da carreira você foi preso por portar maconha e 0.8 mg de cocaína. O que acha da nova onda de debates sobre a legalização da maconha no Brasil? O fim da guerra contra a erva está mais próximo? Qual a sua visão sobre a questão das drogas em geral?
Lobão – Não sou a favor da legalização das drogas. Já fui, mas percebi que trata-se de uma grande armadilha.

AS – Você tem uma extensa discografia e músicas que fizeram sucesso nos anos 80. No final da década seguinte, você rompeu com as gravadoras e seguiu lançando novos trabalhos com um esquema independente de distribuição pela internet, bancas de jornal e lojas de departamento. Conhecendo os dois lados da moeda, como você analisa o cenário da música independente hoje e o dito “mainstream” da música?
Lobão – A cena independente, nos dias de hoje, está refém do coletivo Fora do Eixo. Se você não rezar a mesma cartilha, simplesmente, está fora. O mainstream se divide entre a MPB e o sertanejo universitário. Ambos beirando a demência.

AS – Você levantou debates sobre denúncias de vários artistas contra o coletivo Fora do Eixo, inclusive fez uma música em protesto. Como você analisa a atuação deles e o que isso traz de prejuízo e/ou benefício para os novos artistas?
Lobão – Fiz uma canção escarnecendo o Capilé por ele ter marcado um compromisso comigo com dia e hora marcados. Desapareceu. Eles estão drenando todas as verbas públicas destinadas aos artistas novos. São um dos maiores vampiros da cultura nacional dividindo o posto com os grandes nomes que mamam nas tetas governamentais como nunca fizeram.

Escute a música “Eu Não Vou Deixar”!
www.eunaovoudeixar.com.br 

AS – Como será a adaptação para o cinema do livro “50 Anos a Mil”? Você irá participar de alguma forma da produção do filme?
Lobão – Só vendo, né? Sim, serei consultor e farei a trilha sonora.

AS – Recentemente, a empresária Paula Lavigne participou de um debate em um programa de TV a cabo, justificando a censura às biografias não autorizadas. Como você analisa os argumentos apresentados por ela?
Lobão – Pelo que observei, a empresária não foi capaz de tecer sequer um só argumento. Só vociferou e ameaçou as pessoas. Foi um vexame.

AS – Como você analisa a militância de alguns músicos da MPB, como Chico Buarque e Caetano Veloso, por exemplo?
Lobão – Vergonhosa. Eles aceitaram uma barganha com o Roberto Carlos: Se o rei aceitasse participar da mamata da lei do ECAD, eles entravam na mamata da censura de biografias não autorizadas. Tudo no velho estilo dos coronéis.

AS – Você anunciou que escreveria para a revista Veja, e por isso foi rechaçado. Poderá escrever o que/como quiser, ou alguns assuntos serão, digamos, “censurados”?
Lobão – Eu só aceitei escrever na revista porque fui absolutamente respeitado na minha liberdade. Por sinal, é exatamente isso que eles querem de mim: minha liberdade de opinião.

AS – “Exilado, voava do futuro assobiando um réquiem.” O exílio citado no início do livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca, é seu?
Lobão – Seria de quem mais? Quem vive no futuro como exílio?

Capa do “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, novo livro de Lobão. Foto: Reprodução


AS – Por que você considera que a Tropicália foi um movimento decalcado da Semana de 1922?
Lobão – Porque eles mesmo assim o dizem. Basta reparar no discurso de um e de outro que é a mesma coisa: A antropofagia, a geleia geral. O relativismo, a preguiça, a precariedade, a macunaimização.

AS – Você acredita que ainda hoje, há essa ânsia de perseguir a brasilidade?
Lobão – Quem persegue a brasilidade jamais a alcançará. Infelizmente é o que mais se encontra por aí.

AS – Para se reconhecer alguma identidade musical, ainda se faz necessária a completa renegação de um ou outro estilo, como na época da Tropicália?
Lobão – Não. Basta ter bom senso, autoestima e independência.

AS – Em sua opinião, o choro é atrelado ao passado. Há, além do choro, algum outro estilo musical com a mesma “característica”?
Lobão – Não a minha opinião, é um fato: Não há produção de choro há mais de 50 anos. Temos o Hamilton de Holanda que é um gênio que faz toda a diferença, mas para a renovação do estilo ainda é muito pouco.

AS – O que te fez inserir uma cláusula contratual que te permitia participar do programa A Liga, apenas se você concordasse com a pauta?
Lobão – Simplesmente para garantir a minha liberdade. Não é muito a minha cara ser um simples subalterno, né?

AS – “Para onde o cretinismo cultural nos está levando”?
Lobão – Para o buraco.

AS – O que é o “Rock Farofa”, citado por você, no capítulo “O ROCK CONTINUA ERRANDO”?
Lobão – Bandas de metal com cantor cantando em falsete e aqueles penteados ridículos.

AS – Em sua opinião, a partir de quando (ou por que), Roberto Carlos se torna uma múmia deprimida?
Lobão – Desde que saiu da jovem guarda. Porque virou um outro artista com um único intento: vender seu produto muzak nos natais da rede Globo.

AS – Como foi ser roadie do Gilberto Gil?
Lobão – Foi muito divertido participar de trama típica da máfia do dendê. Comigo eles não se criam.

AS – Qual a sua opinião sobre a cota cultural para negros, criada pelo Ministério da Cultura?
Lobão – Uma lambança.

AS – Você narra uma “fuga” da periferia de uma cidade, em que você foi convidado a palestrar sobre empreendedorismo musical, porque na ocasião, foi considerado um “playboy na comunidade”. Você não acha que o auto preconceito é geral? Que existe em todas as classes (profissionais/sociais)?
Lobão – Foi exatamente isso que quis mostrar com esse relato.

AS – Você dedicou todo um capítulo a narrar sua experiência com o garimpo legalizado e com os garimpeiros. Após toda aquela jornada, você não ficou com a impressão de que aquela região do país foi esquecida por todos os governos que já tivemos?
Lobão – Nem sempre. O governo está bem de olho nos garimpos e agindo em favor de seus interesses escusos. O garimpo legalizado é uma prova viva disso. (e legalizado no dia primeiro de maio!)

AS – Lendo sobre sua trajetória (pessoal/profissional), a impressão que se tem, é que você foi brutalmente perseguido por todo tipo de gente. Você mesmo afirma isso, quando diz que FOI “tratado como mero marginal”. FOI ou ainda É?
Lobão – Hoje sou tratado como um reacionário de extrema direita, eh eh eh… Mas jamais me senti uma vítima dessa situação.

AS – O que o levou a compor algumas músicas de protesto, se você mesmo afirmou que odeia esse tipo de composição?
Lobão – Odeio porque elas são feitas aqui no Brasil com mais espírito de autocomiseração do que com raiva.

AS – Como foi ter Luis Carlos Prestes, como seu pedestal de microfone?
Lobão – Foi emocionante ver uma figura histórica naquelas condições.

AS – Qual sua definição para “João sem bracismo macunaímico”?
Lobão – Um determinado cinismo em que nos chafurdamos acreditando que nossos piores defeitos são nossas maiores virtudes.

* Agradecimento especial ao Lobão que gentilmente concedeu-nos essa entrevista.
Realização: Edvando Junior e Sarabólica | Colaboração: Bruno Maciel.

10 months ago

Projeto Botequim faz tributo aos ícones do rock nacional Raul Seixas, Cazuza e Lobão serão os homenageados por 2 bandas locais

Matéria original publicada em 31/10/2013, por G1

(Foto: Divulgação)

O Botequim especial será realizado pelo fã clube Legítimos Legionários.


O Projeto Botequim do Sesc do dia 5 de novembro fará uma homenagem especial a 3 grandes ícones do rock nacional: Raul Seixas, Cazuza e Lobão.

O Botequim especial será a última prévia do Tributo à Legião Urbana 2013, realizado pelo fã clube Legítimos Legionários e colaboradores.

As bandas locais ‘Além do Rádio’ e ‘Jasão’ (e os Argonautas) serão as responsáveis pelo tributo.

Serviço
Local: Sesc Centro
Dia: 5 de novembro
Hora: 21h
Entrada franca


10 months ago

Lobão lança nova música na internet

Matéria original publicada em 01/10/2013, por BLOG A LA MARYJANNE

(Foto Divulgação)

A partir dessa semana de (01/10), a música “Eu Não Vou Deixar” estará disponível na internet. Lobão compôs inspirado pelo coletivo Fora do Eixo, tocou todos os instrumentos e ele mesmo quem comenta: “Essa música foi composta com endereço e nome certos: o estereótipo do coletivo e do ativista coletivista. Tudo surgiu de um convite feito a Pablo Capilé (mentor do coletivo Fora do Eixo) para um hangout na internet, por ele mesmo ter se oferecido para fazer um debate “com qualquer músico, produtor musical ou seja lá quem fosse”. Achei uma excelente oportunidade para procurá-lo e convidá-lo para o tal debate. A princípio ele topou, mas, infelizmente, alguns dias depois ele desapareceu.

Depois de um tempo razoável achei de bom alvitre produzir uma canção, não só para registrar com alguma picardia sua amarelada, mas para também acender uma luz em cima desse novo/velho tipo de hiponga maoísta/digital que impregna nossos dias com pseudo novas ideias e com aquela prosódia evasivo/neotropicalista que ninguém entende coisa alguma do que eles estão falando. Esses caras querem terraplanar o indivíduo, principalmente aquele que tem qualidades especiais, aqueles que criam e inventam coisas e fazem a diferença para toda a humanidade. Esse estereótipo do ativista medíocre, recalcado de sua impotência criativa parte para uma empreitada homicida contra o autor, o músico, o gênio criador que reside em cada indivíduo com a balela frouxa de que temos de criar uma sociedade através do coletivo. Mas eles se esquecem que um coletivo não é uma unidade nem jamais irá ser. A unidade é o indivíduo e sem o florescimento integral de cada indivíduo, teremos, invariavelmente, uma coletividade de frouxos, de elementos sem voz própria que vivem a papagaiar chavões bregas e clichês esgarçados. São eles os Fora do Eixo, os Midia Ninja, os Black Blocs, os movimentos Passe Livre. Todos frouxos que se resguardam em coletivos para camuflar suas abissais desimportâncias. Pois bem, meus amigos, aqui está esse grito de guerra contra esses frouxos sempre deixando claro que um frouxo unido jamais será um indivíduo”.

Por este motivo, Lobão fez questão de gravar todos os instrumentos para mostrar que um indivíduo inteiro estará sempre muito mais apto a fazer uma coletividade infinitamente melhor do que indivíduos que teimam em começar pelo lado oposto. “Sendo assim, senhoras e senhores, com vocês… Eu Não Vou Deixar”. Com informações de Teresa Ferreira.

Para ouvir a nova música, acesse: www.eunaovoudeixar.com.br

11 months ago

Lobão recomenda “Esquerda Caviar”; Chico Buarque não!

Matéria original postada por Rodrigo Constantino (Veja), em 22/10/13.

O músico e escritor Lobão recomenda “Esquerda Caviar”. Vejam:

(Foto Divulgação)

Agora, para entender porque tenho orgulho disso, e porque Lobão está do lado de cá, enquanto Chico Buarque não só não recomenda o livro, como está do lado de lá, dissecado na obra, vale ler esse meu artigo publicado no GLOBO à época do lançamento do livro do próprio Lobão, Manifesto do Nada na Terra do Nunca. Causou certo alvoroço na ocasião e, se não me engano, foi meu artigo mais compartilhado no site do jornal.

Mais Lobão e menos Chico Buarque

“A bundamolice comportamental, a flacidez filosófica e a mediocridade nacionalista se espraiam hegemônicas. Todo mundo aqui almeja ser funcionário público, militante de partido, intelectual subvencionado pelo governo ou celebridade de televisão, amigo”. É o músico Lobão com livro novo na área. Trata-se de “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, e sua metralhadora giratória não poupa quase ninguém.

Polêmico, sim. Irreverente, sem dúvida. Mas necessário. As críticas de Lobão merecem ser debatidas com atenção e, de preferência, isenção. O próprio cantor sabia que a patrulha de esquerda viria com tudo. Não deu outra: fizeram o que sabem fazer, que é desqualificar o mensageiro com ataques pessoais chulos, com rótulos como “reacionário” ou “roqueiro decadente”. Fogem do debate.

Lobão tem coragem de remar contra a maré vermelha, ao contrário da esquerda caviar, a turma “radical chic” descrita por Tom Wolfe, que vive em coberturas caríssimas, enxerga-se como moralmente superior, e defende o que há de pior na humanidade. No tempo de Wolfe eram os criminosos racistas dos Panteras Negras os alvos de elogios (e recursos); hoje são os invasores do MST, os corruptos do PT ou ditadores sanguinários comunistas.

O roqueiro rejeita essa típica visão brasileira de vitimização das minorias, de culpar o “sistema” por crimes individuais, de olhar para o governo como um messias salvador para todos os males. A ideia romântica do “Bom Selvagem” de Rousseau, tão encantadora para uma elite culpada, é totalmente rechaçada por Lobão.

Compare isso às letras de Chico Buarque, ícone dessa esquerda festiva, sempre enaltecendo os “humildes”: o pivete, a prostituta, os sem-terra. A retórica sensacionalista, a preocupação com a imagem perante o grande público, a sensação de pertencer ao seleto grupo da “Beautiful People” são mais importantes, para essas pessoas, do que os resultados concretos de suas ideias.

Vide Cuba. Como alguém ainda pode elogiar a mais longa e assassina ditadura do continente, que espalhou apenas miséria, sangue e escravidão pela ilha caribenha? Lobão, sem medo de ofender os “intelectuais” influentes, coloca os pingos nos is e chama Che Guevara pelos nomes adequados: facínora, racista, homofóbico e psicopata. Quem pode negar? Ninguém. Por isso preferem desqualificar quem diz a verdade.

Lobão, que já foi cabo eleitoral do PT, não esconde seu passado negro, não opta pelo silêncio constrangedor após o mensalão e tantos outros escândalos. Prefere assumir sua “imbecilidade”, como ele mesmo diz, e mudar. A fraude que é o PT, outrora visto como bastião da ética por muitos ingênuos, já ficou evidente demais para ser ignorada ou negada. Compare essa postura com a cumplicidade dos “intelectuais” e artistas, cuja indignação sempre foi bastante seletiva.

Outra área sensível ao autor é a Lei Rouanet, totalmente deturpada. Se a intenção era ajudar gente no começo da carreira, hoje ela se transformou em “bolsa artista” para músicos já famosos e estabelecidos, muitos engajados na política. Lobão relata que recusou um projeto aprovado para uma turnê sua, pois ele já é conhecido e não precisava da ajuda do governo. Compare isso aos ícones da MPB que recebem polpudas verbas estatais, ou que colocam parentes em ministérios, em uma nefasta simbiose prejudicial à independência artística.

O nacionalismo, o ufanismo boboca, que une gente da direita e da esquerda no Brasil, também é duramente condenado pelo escritor. Quem pode esquecer a patética passeata contra a guitarra elétrica que os dinossauros da MPB realizaram no passado? Complexo de vira-latas, que baba de inveja do “império estadunidense”. Dessa patologia antiamericana, tão comum na classe artística nacional, Lobão não sofre. O rock, tal como o conhecimento, é universal. Multiculturalismo é coisa de segregacionista arrogante.

No país do carnaval, futebol e novelas, onde reina a paralisia cerebral, a mesmice, o conformismo com a mediocridade, a voz rebelde de Lobão é uma rajada de ar fresco que respiramos na asfixia do politicamente correto, sob a patrulha de esquerdistas que idolatram Chico Buarque e companhia – não só pela música.

Em um país de sonâmbulos, anestesiados com uma prosperidade ilusória e insustentável; em um país repleto de gente em busca de esmolas e privilégios estatais; em um país sem oposição, onde até mesmo Guilherme Afif Domingos, que já foi ícone da oposição liberal, rendeu-se aos encantos do poder; o protesto de Lobão é mais do que bem-vindo: ele é necessário. Precisamos de mais Lobão, e menos Chico Buarque.

11 months ago

LOBÃO AFIRMA SER “SURREAL” O CHAMAREM DE REACIONÁRIO

Matéria original publicada por Felipe Branco Cruz (Flashland), em 13/10/13

Artista lançou música nova criticando o coletivo “Fora do Eixo” e será colunista da “Veja”



Aos 55 anos, João Luiz Woerdenbag Filho, o Lobão, está mais ativo do que nunca. Lançou recentemente o livro “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, onde faz ácidas críticas aos mais variados setores e pessoas. Na última semana, lançou uma música inédita em que critica o coletivo “Fora do Eixo”. E, no esteio de sua atividade como escritor, foi convidado a escrever semanalmente para a revista “Veja”. 

Em entrevista ao Flashland, o artista comentou a boa fase e defendeu-se do que considera uma “patrulha ideológica”. “Nunca estive com tantos recursos a meu dispor. Estou tocando um número bem maior de instrumentos e os executando com excelência, aprendi a produzir um disco decentemente, aumentei minha capacidade de compor letras e melodias, portanto, estou muito satisfeito com a minha trajetoria. É muito difícil isso acontecer com um artista na minha idade . Eu tenho consciência de que sou uma pessoa afortunada”, disse. 

Por escancarar suas opiniões de maneira tão veemente, Lobão tem pagado um alto preço. E ele sabe disso. “Critico tudo aquilo que me parece injusto, medíocre ou ineficaz. Sou a favor da livre iniciativa, do livre mercado, do estado mínimo, da propriedade privada e da liberdade de expressão”, dispara. O artista não se exime, entretanto, de esconder suas posições políticas do passado. “Já votei no PT. E ainda por cima fiz campanhas nos anos de 89 , 92 e 2002”, lembra. 

O que mudou, no entanto, para que Lobão seja considerado mais alinhado aos setores da direita? Uma das explicações pode ser encontrada no capítulo “O Reacionário”, de seu livro, que leva a mesma alcunha que o jornalista Nelson Rodrigues teve no passado. “Acho que passo por uma situação bem semelhante à do Nelson, de patrulha ideológica. É óbvio que também acho infundado e até mesmo surreal me chamarem de reacionário”, diz. 

Porém, o escritor diz não se arrepender de nada que escreveu. “Aqueles que criticaram (o livro), o fizeram de forma pouco competente, na maioria dos casos, sem sequer ter lido uma página. Eles eram, na verdade, um dos meus alvos dentro da propostas do Manifesto: os intelectuais de esquerda.” 

Segundo Lobão, são esses mesmos “intelectuais de esquerda” que estão criticando a sua contratação como colunista semanal da revista “Veja”. “É pura ‘vejofobia’. Ideológica é a patrulha que fazem em cima da revista. Perseguir um dos últimos baluartes da oposição, além de fascistoide, é muito burro. Lamentável”, defende. “Aceitei (escrever para ‘Veja’) justamente por ser uma poderosa plataforma e a utilizarei com esmero”. 

Mas a atividade principal de Lobão continuará sendo sempre a música. Nessa seara, a pedido da reportagem, o cantor apontou os grupos que, em sua opinião, estão produzindo algo de relevante no país. “Têm o Vespas Mandarinas, Cascadura, Réu & Condenado, Cachorro Grande e Vanguart.” Porém criticou a forma como a música tem sido feita no Brasil. “Nada pode salvar a música no Brasil enquanto estivermos nutrindo essa mentalidade estatista, um ensino da pior qualidade, esse controle ideológico e esse clima de ódio entre tantos segmentos da sociedade”. 

A crítica também se estende ao “Fora do Eixo”. Durante a entrevista, o cantor explicou por que compôs recentemente uma música em que crítica o coletivo. “Eles estão ideologizando e submetendo a música independente, estão transformando o artista num mero coadjuvante e submisso aos requisitos ideológicos da seita. O que está acontecendo é muito grave e muito destrutivo para a cultura brasileira. Se no mainstream já temos a censura econômica do jabá, agora temos a censura ideológica do FdE [Fora do Eixo]”. 

Ao que tudo indica, se depender de Lobão, seus fãs e desafetos ainda terão a sua companhia por muito tempo. Se não for cantando, será escrevendo. “Todo cidadão tem o direito de se manifestar e também o direito de não o fazê-lo”. Lobão escolheu se manifestar

11 months ago