.

Image Hosted by ImageShack.us

Lobão: A era do rebelde chapa-branca

Matéria original publicada em 11/11/13, por Veja.

(Foto: Divulgação)



- O cantor e compositor Lobão estreia sua coluna, que será mensal, na edição de VEJA desta semana.

 

Vivemos um momento histórico de uma vulgaridade, obscurantismo e insipidez sem precedentes que, por várias razões entrelaçadas, propiciou a eclosão de um personagem patético, insólito, abundante e que ficará marcado como a expressão máxima deste triste período: o rebelde chapa-branca.

 

Sim! É ele o protagonista em todas as rodinhas, redes sociais, botequins, universidades e passeatas. Revela-se por duas características inseparáveis: é revoltado contra o sistema e, ao mesmo tempo, chancelado por ele. Vamos a alguns exemplos.

 

O MST é subvencionado pelo governo, tem o respaldo do governo e, no entanto, não para de reclamar, invadir e destruir terras produtivas. No rap, há um sem-número de rebeldes chapa-branca, mas seu ícone são os Racionais. Fazem campanha para o governo, sobem nos palanques, têm o beneplácito da mídia oficial bancada pelo governo e, mesmo assim, são revoltadíssimos contra o sistema! No seu último videoclipe, Marighella, eles aparecem prontos para assaltar a Rádio Nacional, numa reconstituição de época, exibindo inúmeros trabucos de grosso calibre e conclamando à luta armada, incorporando aquela mímica marrenta um tanto canastrona que lhes é peculiar.

 

O detalhe é que eles estão no poder. Eles são o poder. Eles são a situação.

 

No aniversário da morte do nosso Che Guevara tupiniquim, a Comissão da Verdade comemorou a data com solenidade e deferência. Marighella pode ter arrancado a perna de uns, matado outros e lutado para implementar uma ditadura sanguinolenta no Brasil, mas os rebeldes chapa-branca chancelam a festa, impõem a farsa com mão de ferro e ai de quem piar.

 

Na semana passada, o tal Procure Saber implodiu com a defecção do rei, deixando desnorteados Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque — rebeldes chapa-branca de longa data. O Gil acabou no comando do Ministério da Cultura, onde foi aninhando sua cria, o Fora do Eixo, que tem como ponta de lança Pablo Capilé, um rapaz que afirma ser contra o direito autoral, contra o autor, contra o livro e é pupilo de Zé Dirceu. Tira dos artistas para entregar de mão beijada aos magnatas das redes sociais como o Google, o YouTube e o Facebook. Isso porque não estamos ainda perguntando para onde foi toda a grana que ele recebeu através das leis de incentivo à cultura. É um típico rebelde chapa-branca. Mas o Caetano acha “muderno” esse retrocesso estúpido e desonesto. O Chico, lá da França, assina carta de apoio ao Genoíno. São os nossos coronéis chapa-branca solando de cavaquinho.

 

Temos de ressaltar também a performance fulminante da presidente do Procure Saber, esta sim uma rottweiler de incontestável pedigree, Paula Lavigne. Descontrolada, vem cometendo lambança atrás de lambança, incluindo um ataque covarde à colunista da Folha de S.PauloMônica Bergamo. E o que dizer de sua performance no Saia Justa com a Barbara Gancia? Há um mês, ela invadiu o meu Twitter, acompanhada por uma centena de integrantes da seita black bloc, me chamando de nazista, ex-músico, ex-Lobão, amante da ditadura, decadente (tem gente me chamando de decadente há uns trinta anos). Depois de algumas trocas de gentilezas, fui obrigado a bloqueá-la.

 

Uma das características dos rebeldes chapa-branca é o uso da técnica do espantalho: criam uma figura caricatural, colocam frases fora de contexto (quando não inventadas) em sua boca e tentam fazer acreditar que essa figura patética é você! Um vodu de psicopata.

 

Uma jornalista chapa-branca de uma revista bancada pelo governo declarou, num momento de búdica inspiração, que é a favor de fuzilamento para determinados casos (quais seriam?). É o tipo de comportamento visto com simpatia e condescendência pelo rebelde chapa-branca, pois a visão assimétrica do mundo, com um peso para duas medidas, é outra marca registrada dele.

 

Estou inaugurando com muito orgulho e entusiasmo minha coluna em VEJA. Não é fortuito o nosso encontro, assim como não é por acaso que se percebe a sociedade civil começando a se organizar para repensar a nossa condição atual. Tentarei tratar dessa miséria que nos assola como se estivesse praticando um novo esporte: épater la gauche. Essa turma está imprimindo o ridículo em sua própria história. E desse vexame não escapará.

5 months ago

Manifesto do Nada na Terra do Nunca: Um recorte

Matéria original publicada em 29/10/13, por O Homem e A Crítica.

image

"Leia, antes de bater".

É com esta sensata recomendação que se inicia a orelha do mais novo livro de João Luiz Woerdenbag Filho, o famoso roqueiro Lobão, Manifesto do Nada na Terra do Nunca. Confesso que, antes de lê-lo, tinha, de seu autor, a pior visão possível, já que não conhecia suas músicas e só o tinha ouvido, em uma entrevista, uma vez na Rádio Jovem Pan(2011, se bem me lembro), sendo que, na feita, disparava contra o funk em uma postura totalmente anti-eclética, algo que, para o Octavius da época, era inconcebível.

Sou réu confesso, também, no que se refere a preconceito contra roqueiros. Após ter visto, em diversos ambientes, esse tipo de fã em sua versão mais pseudointelectualizada criticando funkeiros, sertanejos, pagodeiros e evangélicos por não se encaixarem em seu ideal pouco sofisticado de conhecimento e crítica de mundo - que se resume, in fact, a proselitismo antirreligioso barato aliado a idolatria por determinada banda ou músico -, não consigo mais não ter, de um fã desse estilo musical, uma preconcepção no mínimo pessimista.

JLW Filho, porém, é diferente. Em seu livro, o que vemos (e que comentarei com mais detalhes adiante) não são textos frouxos, fúteis e repletos da mais porca idolatria musical disfarçada de cultura. A música, aliás, e por incrível que pareça, é apenas um elemento secundário no contexto do Manifesto. O que temos, na verdade, são capítulos que, com linguagem acessível, estilo irreverente e único e coragem hoje só superada, talvez, pela de Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino e Olavo de Carvalho, constroem, juntos, o mais sofisticado protesto intelectual dos últimos tempos contra a infantilização política e a venda do esquerdismo em geral como a nova “indulgência”, com a qual se conquistaria uma vaga no céu dos puros e moralmente melhores.

Digressão Primeira - Sobre o recorte

Antes, porém, de começar a me aprofundar no livro do autodeclarado reacionário, quero discursar sobre o recorte, gênero que pretendo utilizar daqui por diante quando for resenhar livros. Não sei se já existe como gênero autônomo, mas, basicamente, o recorte octaviano tem por objetivo ser uma espécie de resenha cujo foco é a análise linguística, filosófica e/ou política da obra que estiver sendo contemplada. O que o diferencia da resenha em si? Deixo essas ortodoxias para meus leitores e para os linguistas textuais, responsáveis por esse tipo de sistematização. Enfim, retomemos.

A Genética do Nunca

Quando fala sobre a Terra do Nunca (obviamente, terra brasilis) em Viagem ao coração do Brasil (capítulo 6), Lobão a descreve como uma sina que consiste em haver, de um lado,

 ”A luta titânica de um povo que, numa alegria perturbadora, disputa palmo a palmo com a impossibilidade seu pedaço de existência, enquanto de outro prevalecem, intactos, incólumes, perenes e gloriosos, os pilares da nossa ruína” (p. 171-172)

Trocando em miúdos, o que Lobão faz é, na verdade, uma nada superficial Genética do Nunca, ou seja, um exame apurado não só de como se formou mas também de como está, atualmente, tanto o Brasil profundo quanto não tão profundo assim: enquanto protoditadores preferem se preocupar com qual será a próxima imposição “democrática” que será anunciada ao povo - diga-se de passagem, “democratização da mídia” está bem próxima - este, do alto de sua petulância (sqn), prefere se preocupar com tópicos secundários como família, filhos, trabalho e gastos da casa a gastar seu tempo com tamanhas iluministices partidário-ideológicas.

A Fenomenologia do Nada

Tal Genética, porém, é apenas um quarto importante do bolo. Os outros três quartos e a cereja, definitivamente, se mostram quando Lobão faz um acertado diagnóstico do modus operandi da consciência tupiniquim: “Amamos a pobreza” (p. 21) e nossa elite intelectual cria todo tipo de teoria, das mais tresloucadas às mais aparentemente sensatas, para que este platonismo de boteco não venha a perecer. O sagaz roqueiro, então, desnuda os resultados dessa prática:

"Isso gerou uma forma singular de autoengano: nos achamos especiais através dos nossos piores defeitos. Com esses defeitos, criamos uma cosmogonia em que o brasileiro é um ser gentil, sorridente, pacífico, malemolente (o suingue da raça) e único no mundo” (p. 21)

O problema dessa visão, todavia, só é completamente desnudado dois parágrafos depois, quando Lobão começa a lançar uma série de perguntas que o inspiraram em seu livro e que podem ser resumidas em uma só: Afinal, por que temos tanto orgulho do fracasso e tanta vergonha de qualquer mínima tentativa de se obter um pouco mais de sucesso, ou mesmo um pouco menos de insucesso?

Segunda Digressão - Detalhismo

O leitor mais atento e/ou mais birrento poderia questionar porque não reproduzi uma a uma das perguntas colocadas pelo “matricida”. Respondo que, apesar de mais detalhista, isto ainda é uma resenha e, portanto, meu único objetivo é justamente instigá-lo, amigo leitor, a ler por si mesmo e a tirar suas próprias conclusões, o que também faço em outras situações (aliás, em quase todas). Queixa respondida, regressemos ao que tem pertinácia.

Letra e música do nacionalismo furado

Outro elemento importante no livro de Lobão é a constante manifestação, aliás extremamente pertinente, contra a conhecida - e idolatrada mais do que fundamentalisticamente pela intelligentzia esquerdista brasileira - MPB, descrita no livro como uma sigla de proveta originária de um ultranacionalismo modernista rançoso e de um senso de realidade, como bem pontua o “reacionário”, delirante e derivado do Nada em que o Nunca se foi meter..

A consequência mais imediatamente grave dessa filosofice de boteco, porém, foi sentida, de acordo com o “metralhadora giratória”, não pelo povo em si (que, convenhamos, só sente isso anos depois, ao perceber que, mesmo com tanta pretensão de conversa, perdeu de WO), mas pelos roqueiros, que, ainda hoje, são tidos pela elite musical cacoética e caquética como “antinacionalistas” ou “vendidos ao americanismo”, ou qualquer coisa do tipo - o que, convenhamos, não significa, é lógico, que a apologia furada à revolta que fazem moleques de 15 anos contra tudo que não seja rock seja legítima ou sequer lógica. Aliás, é curioso como o que mostram, na maior parte das vezes, é um revanchismo tosco e profundamente baseado no desconhecimento histórico, pois acusam a todos, a não ser aos clássicos (pois desses, invariavelmente, levariam um verdadeiro sopapo cultural), de “alienados” e “vendidos para os modismos imperialistas americanos”. Coerência mandou um abraço.

Ainda neste tema musical, mais curioso ainda é que, ao contrário da maioria dos roqueiros da mídia, que andam mais para “carolas estatizados”, como diria o próprio Lobão, o reacionário, apesar de ter ganhado esta alcunha, acaba de certa forma defendendo o funk, talvez o ritmo atualmente mais repudiado inclusive pelos “universitários”, outra grife repudiada (e que Lobão repudia também), de seus detratores. Após ousar dizer que, nas atuais circunstâncias, o funk seria o ritmo mais genuíno produzido pelo morro e fora dele, o roqueiro espera as críticas:

"Alguns de vocês podem pular indignados da poltrona, ter um acesso apoplético, voar na minha carótida e vociferar: ‘Mas o funk é grotesco, sexista, violento, obsceno, tem letras horríveis, de articulação gramatical que beira dialetos neolíticos […]’ " (p. 47)

E as destrói com apenas duas frases:

"Isso é fato, mas existe uma coisa inegável: é o único, entre todos os outros aqui mencionados, verdadeiro. Ainda não foi reciclado, reinventado, regurgitado, muito menos aprovado pelo intelectual de esquerda." (p. 47)

Quanto ao restante da crítica musical, só resta a mim dizer isto: PCB (Partido do ChicoBuarque) não curtiu Manifesto do Nada na Terra do Nunca.

Dito isto, voltemos à crítica política propriamente dita.

Investigação acerca da falta de entendimento político do brasileiro

Outro elemento recorrente e importante no Manifesto de JLW Filho é a análise direta e sincera não só de quão desinteressado e inepto o brasileira está para exercer sua cidadania mas também de como o próprio agora reacionário sentia-se órgão de ideologias dignas de serem seguidas (se é que elas existem, rs). Em Confesso a vocês: Sou uma besta quadrada (capítulo 7), Lobão, como nos fala no título, confessa que:

"Durante os muitos anos da minha formação, e até bem pouco tempo atrás, tive uma postura bastante ambígua em relação a uma série de conceitos e ideias sem nunca ter me preocupado muito com esse desleixo ontológico." (p. 175)

Esse “desleixo ontológico” a que o matricida se refere é o fato de ele próprio, por muito tempo, não se preocupar com a qual ideologia uma ideia pertencia, mas sim com o quão potencialmente boa e/ou benéfica parecia. O detalhe é que, assim como eu e muitos outros depois dele, o que Lobão descobriu foi como este comportamento pode, na verdade, servir de arma para projetos de poder capitaneados por corruptos e psicopatas.

Por mais que eu mesmo seja a favor das Cotas Raciais como ação isolada - e aqui discordo do roqueiro e de muitos amigos direitistas, mas prometo articular minha discordância apenas em outra feita -, por exemplo, sou obrigado a reconhecer que, vindo da estrela vermelha, esse projeto seria generoso demais para vir gratuitamente e isoladamente, sem fazer parte de um projeto maior de poder, como de fato faz. O que Lobão descobriu, e eu também, é que não é porque um discurso se diz pró-minorias que ele não pode ser, na verdade, apenas mais um instrumento na busca esquerdista pelo poder político (pois a hegemonia cultural eles já ganharam há décadas). Nesse sentido, então, fica ainda mais legítima a ideia de que toda ideia mal formulada deve, invariavelmente, ser vulnerável ao questionamento.

Acredito, contudo, que a insistência  do brasileiro, especialmente universitário, em se recusar a maiores especulações políticas está em uma das perguntas inspiradoras doManifesto: Afinal, “Por que ser tão reativo a qualquer ideia que não seja a oficial aceita nos meios intelectuais?” (p. 21) e, em especial, que não seja televisionada no jornal das 20h?

Concluindo

Enfim, estas foram apenas algumas das considerações possíveis para este bom livro. Poderia, também, ter abordado a visão do papel do indivíduo perante o coletivo ou as críticas de Lobão à antropofagia modernista de Oswald de Andrade, ou mesmo ter exposto mais de suas boas críticas à MPB e ao espírito “Semana de 1922” do intelectual e do artista brasileiros, mas prefiro deixar isto para que o curioso leitor leia por si mesmo e aprecie esta obra que não pode ser descrita como algo menos do que um grande protesto literário contra a indigência intelectual em vigor em terras tupiniquins.

Sobre o Autor: Octavius é graduando em Letras e desliza, ocasionalmente, pelos caminhos da filosofia. Desprezava Lobão, Constantino, Tio Rei e Olavo, mas conheceu seus detratores. É considerado “de direita” desde que, pela primeira vez, questionou publicamente os dogmas progressistas.

5 months ago

ENTREVISTA COM O CANTOR LOBÃO

Matéria original publicada em 31/10/2013, por Ativar Sentidos.

Seu nome é João Luiz Woerdenbag Filho, mas ele ficou conhecido no Brasil inteiro como Lobão. Notabilizou-se como cantor, compositor, escritor, multi-instrumentista, e também já foi editor de revista e apresentador de televisão. E ele é o nosso entrevistado de hoje!

(Foto: Rui Mendes)

Compositor de sucessos como “Me Chama”, “Decadence Avec Elegance”, “Revanche”“Blá Blá Blá… Eu Te Amo (Rádio Blá)”“Vida Bandida” e “Vida Louca Vida” (conhecida na voz de Cazuza); Lobão fez um grande sucesso nos anos 80. Após romper com as gravadoras, no final da década seguinte, ele seguiu trilhando seu caminho no underground da música. Em 2003, Lobão lançou a revista cultural Outracoisa, com a parceria da L&C Editora, que sempre trazia um CD encartado e revelou inúmeros artistas, como BNegão, Cachorro Grande, Mombojó, Carbona e Vanguart.

De 2007 à 2010, Lobão foi apresentador na MTV Brasil. No mesmo ano de sua entrada na emissora, ele também lança o seu Acústico MTV, contendo vários sucessos. Já no ano de saída, ele faz emergir sua biografia 50 Anos a Mil, junto com o jornalista Cláudio Tognolli. Em 2012, comemorando 30 anos de carreira solo, o DVD Lobão Elétrico: Lino, Sexy & Brutal foi lançado e distribuído pela Deckdisc. Ufa! Como vocês viram, o cara não para, mas arranjou um tempinho para responder nossa entrevista. Agora, o velho Lobo invade a nossa praia…

Ativar Sentidos – Até hoje, muito se fala sobre sua saída da Blitz. Como foi todo o desenrolar da história e como é seu relacionamento com os parceiros daquela época?
Lobão – Essa história está detalhadamente contada na minha biografia “50 Anos a Mil”. Quanto ao meu relacionamento com os integrantes, sou mais chegado ao Evandro com quem falo de vez em quando e tenho o maior carinho e admiração.

AS – No início da carreira você foi preso por portar maconha e 0.8 mg de cocaína. O que acha da nova onda de debates sobre a legalização da maconha no Brasil? O fim da guerra contra a erva está mais próximo? Qual a sua visão sobre a questão das drogas em geral?
Lobão – Não sou a favor da legalização das drogas. Já fui, mas percebi que trata-se de uma grande armadilha.

AS – Você tem uma extensa discografia e músicas que fizeram sucesso nos anos 80. No final da década seguinte, você rompeu com as gravadoras e seguiu lançando novos trabalhos com um esquema independente de distribuição pela internet, bancas de jornal e lojas de departamento. Conhecendo os dois lados da moeda, como você analisa o cenário da música independente hoje e o dito “mainstream” da música?
Lobão – A cena independente, nos dias de hoje, está refém do coletivo Fora do Eixo. Se você não rezar a mesma cartilha, simplesmente, está fora. O mainstream se divide entre a MPB e o sertanejo universitário. Ambos beirando a demência.

AS – Você levantou debates sobre denúncias de vários artistas contra o coletivo Fora do Eixo, inclusive fez uma música em protesto. Como você analisa a atuação deles e o que isso traz de prejuízo e/ou benefício para os novos artistas?
Lobão – Fiz uma canção escarnecendo o Capilé por ele ter marcado um compromisso comigo com dia e hora marcados. Desapareceu. Eles estão drenando todas as verbas públicas destinadas aos artistas novos. São um dos maiores vampiros da cultura nacional dividindo o posto com os grandes nomes que mamam nas tetas governamentais como nunca fizeram.

Escute a música “Eu Não Vou Deixar”!
www.eunaovoudeixar.com.br 

AS – Como será a adaptação para o cinema do livro “50 Anos a Mil”? Você irá participar de alguma forma da produção do filme?
Lobão – Só vendo, né? Sim, serei consultor e farei a trilha sonora.

AS – Recentemente, a empresária Paula Lavigne participou de um debate em um programa de TV a cabo, justificando a censura às biografias não autorizadas. Como você analisa os argumentos apresentados por ela?
Lobão – Pelo que observei, a empresária não foi capaz de tecer sequer um só argumento. Só vociferou e ameaçou as pessoas. Foi um vexame.

AS – Como você analisa a militância de alguns músicos da MPB, como Chico Buarque e Caetano Veloso, por exemplo?
Lobão – Vergonhosa. Eles aceitaram uma barganha com o Roberto Carlos: Se o rei aceitasse participar da mamata da lei do ECAD, eles entravam na mamata da censura de biografias não autorizadas. Tudo no velho estilo dos coronéis.

AS – Você anunciou que escreveria para a revista Veja, e por isso foi rechaçado. Poderá escrever o que/como quiser, ou alguns assuntos serão, digamos, “censurados”?
Lobão – Eu só aceitei escrever na revista porque fui absolutamente respeitado na minha liberdade. Por sinal, é exatamente isso que eles querem de mim: minha liberdade de opinião.

AS – “Exilado, voava do futuro assobiando um réquiem.” O exílio citado no início do livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca, é seu?
Lobão – Seria de quem mais? Quem vive no futuro como exílio?

Capa do “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, novo livro de Lobão. Foto: Reprodução


AS – Por que você considera que a Tropicália foi um movimento decalcado da Semana de 1922?
Lobão – Porque eles mesmo assim o dizem. Basta reparar no discurso de um e de outro que é a mesma coisa: A antropofagia, a geleia geral. O relativismo, a preguiça, a precariedade, a macunaimização.

AS – Você acredita que ainda hoje, há essa ânsia de perseguir a brasilidade?
Lobão – Quem persegue a brasilidade jamais a alcançará. Infelizmente é o que mais se encontra por aí.

AS – Para se reconhecer alguma identidade musical, ainda se faz necessária a completa renegação de um ou outro estilo, como na época da Tropicália?
Lobão – Não. Basta ter bom senso, autoestima e independência.

AS – Em sua opinião, o choro é atrelado ao passado. Há, além do choro, algum outro estilo musical com a mesma “característica”?
Lobão – Não a minha opinião, é um fato: Não há produção de choro há mais de 50 anos. Temos o Hamilton de Holanda que é um gênio que faz toda a diferença, mas para a renovação do estilo ainda é muito pouco.

AS – O que te fez inserir uma cláusula contratual que te permitia participar do programa A Liga, apenas se você concordasse com a pauta?
Lobão – Simplesmente para garantir a minha liberdade. Não é muito a minha cara ser um simples subalterno, né?

AS – “Para onde o cretinismo cultural nos está levando”?
Lobão – Para o buraco.

AS – O que é o “Rock Farofa”, citado por você, no capítulo “O ROCK CONTINUA ERRANDO”?
Lobão – Bandas de metal com cantor cantando em falsete e aqueles penteados ridículos.

AS – Em sua opinião, a partir de quando (ou por que), Roberto Carlos se torna uma múmia deprimida?
Lobão – Desde que saiu da jovem guarda. Porque virou um outro artista com um único intento: vender seu produto muzak nos natais da rede Globo.

AS – Como foi ser roadie do Gilberto Gil?
Lobão – Foi muito divertido participar de trama típica da máfia do dendê. Comigo eles não se criam.

AS – Qual a sua opinião sobre a cota cultural para negros, criada pelo Ministério da Cultura?
Lobão – Uma lambança.

AS – Você narra uma “fuga” da periferia de uma cidade, em que você foi convidado a palestrar sobre empreendedorismo musical, porque na ocasião, foi considerado um “playboy na comunidade”. Você não acha que o auto preconceito é geral? Que existe em todas as classes (profissionais/sociais)?
Lobão – Foi exatamente isso que quis mostrar com esse relato.

AS – Você dedicou todo um capítulo a narrar sua experiência com o garimpo legalizado e com os garimpeiros. Após toda aquela jornada, você não ficou com a impressão de que aquela região do país foi esquecida por todos os governos que já tivemos?
Lobão – Nem sempre. O governo está bem de olho nos garimpos e agindo em favor de seus interesses escusos. O garimpo legalizado é uma prova viva disso. (e legalizado no dia primeiro de maio!)

AS – Lendo sobre sua trajetória (pessoal/profissional), a impressão que se tem, é que você foi brutalmente perseguido por todo tipo de gente. Você mesmo afirma isso, quando diz que FOI “tratado como mero marginal”. FOI ou ainda É?
Lobão – Hoje sou tratado como um reacionário de extrema direita, eh eh eh… Mas jamais me senti uma vítima dessa situação.

AS – O que o levou a compor algumas músicas de protesto, se você mesmo afirmou que odeia esse tipo de composição?
Lobão – Odeio porque elas são feitas aqui no Brasil com mais espírito de autocomiseração do que com raiva.

AS – Como foi ter Luis Carlos Prestes, como seu pedestal de microfone?
Lobão – Foi emocionante ver uma figura histórica naquelas condições.

AS – Qual sua definição para “João sem bracismo macunaímico”?
Lobão – Um determinado cinismo em que nos chafurdamos acreditando que nossos piores defeitos são nossas maiores virtudes.

* Agradecimento especial ao Lobão que gentilmente concedeu-nos essa entrevista.
Realização: Edvando Junior e Sarabólica | Colaboração: Bruno Maciel.

5 months ago

Projeto Botequim faz tributo aos ícones do rock nacional Raul Seixas, Cazuza e Lobão serão os homenageados por 2 bandas locais

Matéria original publicada em 31/10/2013, por G1

(Foto: Divulgação)

O Botequim especial será realizado pelo fã clube Legítimos Legionários.


O Projeto Botequim do Sesc do dia 5 de novembro fará uma homenagem especial a 3 grandes ícones do rock nacional: Raul Seixas, Cazuza e Lobão.

O Botequim especial será a última prévia do Tributo à Legião Urbana 2013, realizado pelo fã clube Legítimos Legionários e colaboradores.

As bandas locais ‘Além do Rádio’ e ‘Jasão’ (e os Argonautas) serão as responsáveis pelo tributo.

Serviço
Local: Sesc Centro
Dia: 5 de novembro
Hora: 21h
Entrada franca


5 months ago

Lobão lança nova música na internet

Matéria original publicada em 01/10/2013, por BLOG A LA MARYJANNE

(Foto Divulgação)

A partir dessa semana de (01/10), a música “Eu Não Vou Deixar” estará disponível na internet. Lobão compôs inspirado pelo coletivo Fora do Eixo, tocou todos os instrumentos e ele mesmo quem comenta: “Essa música foi composta com endereço e nome certos: o estereótipo do coletivo e do ativista coletivista. Tudo surgiu de um convite feito a Pablo Capilé (mentor do coletivo Fora do Eixo) para um hangout na internet, por ele mesmo ter se oferecido para fazer um debate “com qualquer músico, produtor musical ou seja lá quem fosse”. Achei uma excelente oportunidade para procurá-lo e convidá-lo para o tal debate. A princípio ele topou, mas, infelizmente, alguns dias depois ele desapareceu.

Depois de um tempo razoável achei de bom alvitre produzir uma canção, não só para registrar com alguma picardia sua amarelada, mas para também acender uma luz em cima desse novo/velho tipo de hiponga maoísta/digital que impregna nossos dias com pseudo novas ideias e com aquela prosódia evasivo/neotropicalista que ninguém entende coisa alguma do que eles estão falando. Esses caras querem terraplanar o indivíduo, principalmente aquele que tem qualidades especiais, aqueles que criam e inventam coisas e fazem a diferença para toda a humanidade. Esse estereótipo do ativista medíocre, recalcado de sua impotência criativa parte para uma empreitada homicida contra o autor, o músico, o gênio criador que reside em cada indivíduo com a balela frouxa de que temos de criar uma sociedade através do coletivo. Mas eles se esquecem que um coletivo não é uma unidade nem jamais irá ser. A unidade é o indivíduo e sem o florescimento integral de cada indivíduo, teremos, invariavelmente, uma coletividade de frouxos, de elementos sem voz própria que vivem a papagaiar chavões bregas e clichês esgarçados. São eles os Fora do Eixo, os Midia Ninja, os Black Blocs, os movimentos Passe Livre. Todos frouxos que se resguardam em coletivos para camuflar suas abissais desimportâncias. Pois bem, meus amigos, aqui está esse grito de guerra contra esses frouxos sempre deixando claro que um frouxo unido jamais será um indivíduo”.

Por este motivo, Lobão fez questão de gravar todos os instrumentos para mostrar que um indivíduo inteiro estará sempre muito mais apto a fazer uma coletividade infinitamente melhor do que indivíduos que teimam em começar pelo lado oposto. “Sendo assim, senhoras e senhores, com vocês… Eu Não Vou Deixar”. Com informações de Teresa Ferreira.

Para ouvir a nova música, acesse: www.eunaovoudeixar.com.br

5 months ago

Lobão recomenda “Esquerda Caviar”; Chico Buarque não!

Matéria original postada por Rodrigo Constantino (Veja), em 22/10/13.

O músico e escritor Lobão recomenda “Esquerda Caviar”. Vejam:

(Foto Divulgação)

Agora, para entender porque tenho orgulho disso, e porque Lobão está do lado de cá, enquanto Chico Buarque não só não recomenda o livro, como está do lado de lá, dissecado na obra, vale ler esse meu artigo publicado no GLOBO à época do lançamento do livro do próprio Lobão, Manifesto do Nada na Terra do Nunca. Causou certo alvoroço na ocasião e, se não me engano, foi meu artigo mais compartilhado no site do jornal.

Mais Lobão e menos Chico Buarque

“A bundamolice comportamental, a flacidez filosófica e a mediocridade nacionalista se espraiam hegemônicas. Todo mundo aqui almeja ser funcionário público, militante de partido, intelectual subvencionado pelo governo ou celebridade de televisão, amigo”. É o músico Lobão com livro novo na área. Trata-se de “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, e sua metralhadora giratória não poupa quase ninguém.

Polêmico, sim. Irreverente, sem dúvida. Mas necessário. As críticas de Lobão merecem ser debatidas com atenção e, de preferência, isenção. O próprio cantor sabia que a patrulha de esquerda viria com tudo. Não deu outra: fizeram o que sabem fazer, que é desqualificar o mensageiro com ataques pessoais chulos, com rótulos como “reacionário” ou “roqueiro decadente”. Fogem do debate.

Lobão tem coragem de remar contra a maré vermelha, ao contrário da esquerda caviar, a turma “radical chic” descrita por Tom Wolfe, que vive em coberturas caríssimas, enxerga-se como moralmente superior, e defende o que há de pior na humanidade. No tempo de Wolfe eram os criminosos racistas dos Panteras Negras os alvos de elogios (e recursos); hoje são os invasores do MST, os corruptos do PT ou ditadores sanguinários comunistas.

O roqueiro rejeita essa típica visão brasileira de vitimização das minorias, de culpar o “sistema” por crimes individuais, de olhar para o governo como um messias salvador para todos os males. A ideia romântica do “Bom Selvagem” de Rousseau, tão encantadora para uma elite culpada, é totalmente rechaçada por Lobão.

Compare isso às letras de Chico Buarque, ícone dessa esquerda festiva, sempre enaltecendo os “humildes”: o pivete, a prostituta, os sem-terra. A retórica sensacionalista, a preocupação com a imagem perante o grande público, a sensação de pertencer ao seleto grupo da “Beautiful People” são mais importantes, para essas pessoas, do que os resultados concretos de suas ideias.

Vide Cuba. Como alguém ainda pode elogiar a mais longa e assassina ditadura do continente, que espalhou apenas miséria, sangue e escravidão pela ilha caribenha? Lobão, sem medo de ofender os “intelectuais” influentes, coloca os pingos nos is e chama Che Guevara pelos nomes adequados: facínora, racista, homofóbico e psicopata. Quem pode negar? Ninguém. Por isso preferem desqualificar quem diz a verdade.

Lobão, que já foi cabo eleitoral do PT, não esconde seu passado negro, não opta pelo silêncio constrangedor após o mensalão e tantos outros escândalos. Prefere assumir sua “imbecilidade”, como ele mesmo diz, e mudar. A fraude que é o PT, outrora visto como bastião da ética por muitos ingênuos, já ficou evidente demais para ser ignorada ou negada. Compare essa postura com a cumplicidade dos “intelectuais” e artistas, cuja indignação sempre foi bastante seletiva.

Outra área sensível ao autor é a Lei Rouanet, totalmente deturpada. Se a intenção era ajudar gente no começo da carreira, hoje ela se transformou em “bolsa artista” para músicos já famosos e estabelecidos, muitos engajados na política. Lobão relata que recusou um projeto aprovado para uma turnê sua, pois ele já é conhecido e não precisava da ajuda do governo. Compare isso aos ícones da MPB que recebem polpudas verbas estatais, ou que colocam parentes em ministérios, em uma nefasta simbiose prejudicial à independência artística.

O nacionalismo, o ufanismo boboca, que une gente da direita e da esquerda no Brasil, também é duramente condenado pelo escritor. Quem pode esquecer a patética passeata contra a guitarra elétrica que os dinossauros da MPB realizaram no passado? Complexo de vira-latas, que baba de inveja do “império estadunidense”. Dessa patologia antiamericana, tão comum na classe artística nacional, Lobão não sofre. O rock, tal como o conhecimento, é universal. Multiculturalismo é coisa de segregacionista arrogante.

No país do carnaval, futebol e novelas, onde reina a paralisia cerebral, a mesmice, o conformismo com a mediocridade, a voz rebelde de Lobão é uma rajada de ar fresco que respiramos na asfixia do politicamente correto, sob a patrulha de esquerdistas que idolatram Chico Buarque e companhia – não só pela música.

Em um país de sonâmbulos, anestesiados com uma prosperidade ilusória e insustentável; em um país repleto de gente em busca de esmolas e privilégios estatais; em um país sem oposição, onde até mesmo Guilherme Afif Domingos, que já foi ícone da oposição liberal, rendeu-se aos encantos do poder; o protesto de Lobão é mais do que bem-vindo: ele é necessário. Precisamos de mais Lobão, e menos Chico Buarque.

5 months ago

LOBÃO AFIRMA SER “SURREAL” O CHAMAREM DE REACIONÁRIO

Matéria original publicada por Felipe Branco Cruz (Flashland), em 13/10/13

Artista lançou música nova criticando o coletivo “Fora do Eixo” e será colunista da “Veja”



Aos 55 anos, João Luiz Woerdenbag Filho, o Lobão, está mais ativo do que nunca. Lançou recentemente o livro “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, onde faz ácidas críticas aos mais variados setores e pessoas. Na última semana, lançou uma música inédita em que critica o coletivo “Fora do Eixo”. E, no esteio de sua atividade como escritor, foi convidado a escrever semanalmente para a revista “Veja”. 

Em entrevista ao Flashland, o artista comentou a boa fase e defendeu-se do que considera uma “patrulha ideológica”. “Nunca estive com tantos recursos a meu dispor. Estou tocando um número bem maior de instrumentos e os executando com excelência, aprendi a produzir um disco decentemente, aumentei minha capacidade de compor letras e melodias, portanto, estou muito satisfeito com a minha trajetoria. É muito difícil isso acontecer com um artista na minha idade . Eu tenho consciência de que sou uma pessoa afortunada”, disse. 

Por escancarar suas opiniões de maneira tão veemente, Lobão tem pagado um alto preço. E ele sabe disso. “Critico tudo aquilo que me parece injusto, medíocre ou ineficaz. Sou a favor da livre iniciativa, do livre mercado, do estado mínimo, da propriedade privada e da liberdade de expressão”, dispara. O artista não se exime, entretanto, de esconder suas posições políticas do passado. “Já votei no PT. E ainda por cima fiz campanhas nos anos de 89 , 92 e 2002”, lembra. 

O que mudou, no entanto, para que Lobão seja considerado mais alinhado aos setores da direita? Uma das explicações pode ser encontrada no capítulo “O Reacionário”, de seu livro, que leva a mesma alcunha que o jornalista Nelson Rodrigues teve no passado. “Acho que passo por uma situação bem semelhante à do Nelson, de patrulha ideológica. É óbvio que também acho infundado e até mesmo surreal me chamarem de reacionário”, diz. 

Porém, o escritor diz não se arrepender de nada que escreveu. “Aqueles que criticaram (o livro), o fizeram de forma pouco competente, na maioria dos casos, sem sequer ter lido uma página. Eles eram, na verdade, um dos meus alvos dentro da propostas do Manifesto: os intelectuais de esquerda.” 

Segundo Lobão, são esses mesmos “intelectuais de esquerda” que estão criticando a sua contratação como colunista semanal da revista “Veja”. “É pura ‘vejofobia’. Ideológica é a patrulha que fazem em cima da revista. Perseguir um dos últimos baluartes da oposição, além de fascistoide, é muito burro. Lamentável”, defende. “Aceitei (escrever para ‘Veja’) justamente por ser uma poderosa plataforma e a utilizarei com esmero”. 

Mas a atividade principal de Lobão continuará sendo sempre a música. Nessa seara, a pedido da reportagem, o cantor apontou os grupos que, em sua opinião, estão produzindo algo de relevante no país. “Têm o Vespas Mandarinas, Cascadura, Réu & Condenado, Cachorro Grande e Vanguart.” Porém criticou a forma como a música tem sido feita no Brasil. “Nada pode salvar a música no Brasil enquanto estivermos nutrindo essa mentalidade estatista, um ensino da pior qualidade, esse controle ideológico e esse clima de ódio entre tantos segmentos da sociedade”. 

A crítica também se estende ao “Fora do Eixo”. Durante a entrevista, o cantor explicou por que compôs recentemente uma música em que crítica o coletivo. “Eles estão ideologizando e submetendo a música independente, estão transformando o artista num mero coadjuvante e submisso aos requisitos ideológicos da seita. O que está acontecendo é muito grave e muito destrutivo para a cultura brasileira. Se no mainstream já temos a censura econômica do jabá, agora temos a censura ideológica do FdE [Fora do Eixo]”. 

Ao que tudo indica, se depender de Lobão, seus fãs e desafetos ainda terão a sua companhia por muito tempo. Se não for cantando, será escrevendo. “Todo cidadão tem o direito de se manifestar e também o direito de não o fazê-lo”. Lobão escolheu se manifestar

6 months ago

'Quero que essa instituição seja desmantelada', diz Lobão, que lança música contra Fora do Eixo. Escute


Matéria original publicada por Veja, em 01/10/13

Canção foi escrita após recusa do líder do grupo, Pablo Capilé, em debater com o cantor. ‘Ele desapareceu’, conta Lobão, que se insurge contra o coletivo.

(Foto Divulgação: Rui Mendes)

Para marcar a sua diferença com o coletivo cultural Fora do Eixo (FdE), o músico Lobão lançou nesta terça-feira a canção Eu Não Vou Deixar, no site que leva o nome da música — eunaovoudeixar.com.br. A composição surgiu após as controvérsias envolvendo o líder do coletivo cultural, Pablo Capilé, em agosto, quando a cineasta Beatriz Seigner e outros artistas acusaram a organização de estelionato, retenção de cachê e outros crimes.

"Logo que surgiram as denúncias, eu já estava indignado, sabia como o coletivo agia e que os artistas não recebiam pagamento. Fui ao Facebook do Capilé e havia um post dele desafiando qualquer músico e produtor cultural interessado a debater com ele. Eu embarquei na ideia", diz Lobão, que programou um hangout ao vivo na internet e convidou Capilé. Ele aceitou prontamente, mas no dia seguinte desmarcou. "Fui procurá-lo novamente no Facebook e ele não me respondeu. Comecei a soltar algumas indiretas nas redes sociais. Disse que faria uma camisa escrita: ‘Cadê o Capilé?’."

Após as mensagens, Capilé respondeu e disse a Lobão que assim que estivesse disponível agendaria uma nova data. “Depois disso, ele desapareceu”, disse Lobão, que faria o hangout no mesmo dia do Festival Agreste in Rock, em Caruaru, Pernambuco. “Foi então que pensei em fazer a música para tocar no festival”, conta o músico, que escreveu a canção em 15 minutos. 

Leia também:
 Artistas acusam grupo base da Mídia Ninja de estelionato e outros crimes

Em um trecho da letra, Lobão, que toca todos os instrumentos da música, canta: “Mané querendo mudar o mundo/ engenheiro social/ tungando a grana de artista/ inventando edital/ direito autoral ele também não quer,/ mas eu não vou deixar.”

"Quis gravar todos os instrumentos como um argumento contra os coletivos culturais, que formam pessoas fracas. Fiz tudo nessa música para provar que um indivíduo bem formado é capaz de fazer qualquer coisa", explica Lobão. "O conceito de toda a música é isso, que o individuo é forte, o autor é indissociável. O autor sempre será a célula inicial da criação. Não se pode desvalorizar o trabalho do artista. Nem abrir mão do direito autoral que é o seu ganha-pão."

Segundo o músico, a canção é um “grito de guerra” contra o coletivo, base da Mídia Ninja. “O Fora do Eixo monopolizou toda a rede de música independente. Se você não reza na cartilha deles, você não existe. Isso prejudica os novos artistas. É uma situação muito grave. Meu desejo é que essa instituição seja desmantelada.”

www.eunaovoudeixar.com.br
iTunes: download

6 months ago

LOBÃO: OUÇA NOVA MÚSICA “EU NÃO VOU DEIXAR”

Matéria original publicada por Narfen. em 04/10/13

(Foto Divulgação)

Lobão divulgou sua nova música que é dedicada ao “Fora de Eixo” que tem como objetivo incentivar e produzir festivais de música.

Ouça: www.eunaovoudeixar.com.br


Veja os comentários do Lobão abaixo:

 

“Essa música foi composta com endereço e nome certos: o estereótipo do coletivo e do ativista coletivista. Tudo surgiu de um convite feito a Pablo Capilé (mentor do coletivo Fora do Eixo) para um hangout na internet, por ele mesmo ter se oferecido para fazer um debate “com qualquer músico, produtor musical, ou seja, lá quem fosse”. Achei uma excelente oportunidade para procurá-lo e convidá-lo para o tal debate. A princípio ele topou, mas, infelizmente, alguns dias depois ele desapareceu.

Depois de um tempo razoável achei de bom alvitre produzir uma canção, não só para registrar com alguma picardia sua amarelada, mas para também acender uma luz em cima desse novo/velho tipo de hiponga maoísta/digital que impregna nossos dias com pseudo novas ideias e com aquela prosódia evasivo/neotropicalista que ninguém entende coisa alguma do que eles estão falando.

Esses caras querem terraplanar o indivíduo, principalmente aquele que tem qualidades especiais, aqueles que criam e inventam coisas e fazem a diferença para toda a humanidade. (…)

Por isso mesmo fiz questão de gravar todos os instrumentos para mostrar que um indivíduo inteiro estará sempre muito mais apto a fazer uma coletividade infinitamente melhor do que esses imbecis que teimam em começar pelo lado oposto. Sendo assim, senhoras e senhores, com vocês… ‘Eu Não Vou Deixar’”.

6 months ago

AS 100 MAIORES MÚSICAS BRASILEIRAS: 47ª “Me Chama - Lobão e os Ronaldos (Lobão)”

Matéria original publicada por Rolling Stone, em outubro de 2013.

(Foto: Divulgação)

Na posição 47, ”Me Chama - Lobão e os Ronaldos (Lobão)”

Com o único álbum que lançou acompanhado da banda Os Ronaldos, Lobão emplacou o maior sucesso de sua carreira, que teve como maior mérito posicioná-lo em um patamar único no rock nacional: o de ser o compositor solitário de uma música regravada por artistas tão diversos como Marina Lima e João Gilberto. A versão do papa da bossa, aliás, omite o refrão que tornou a canção originalmente famosa. - Pablo Miyazawa


Por Lobão:


“‘Me Chama’ foi feita aos pedaços. Primeiro, me veio na cabeça uma frase de constatação que me perseguia: ‘Nem sempre se vê mágica no absurdo’. Foi a motivação original para que eu pensasse em transformar aquilo numa canção. Em seguida, fiz uma linha melódica que acabou migrando para se tornar ‘Noite e Dia’, parceria com o Julio Barroso. E lá estava a frase, órfã novamente, esperando por outra melodia.


Dois anos depois, estava dedilhando o violão e me veio uma linha que tinha achado particularmente vulgar. Coisa que logo descartaria, não fosse por um amigo, que ouviu o som: ‘Isso é um puta hit! Acaba logo isso’. Pronto, já tinha uma melodia e uma frase. Mas faltava o resto, a ‘lágrima no escuro’. Meses depois, voltei da Holanda, onde deixei minha namorada lá por seu pai ter morrido, e a ‘nem sempre se vê’ voltou a martelar. Sozinho, por puro tédio, decidi pintar as paredes da sala num dia de frio, chuva e telefone cortado. Como só recebia ligação de fora, eu olhava para o telefone e vinha a premente necessidade de rezar para ela me ligar. Daí, nasceu a canção como a conhecemos.


Me orgulho de ter uma canção que muitos gostam de cantar e gravar. Na versão da Marina, inclusive, fui eu quem gravou a bateria. Um pouco preocupado, pois achava que o refrão tinha que ser mais cadenciado para passar a dramaticidade da frase. Ela achava o oposto, que o refrão era um puta gancho se fosse tocado de um modo mais ‘pra frente’. Toquei como ela queria e fiquei feliz por ter deixado a Marina satisfeita, e por ter sido ela a responsável pela canção virar um sucesso.


Quanto à versão do João Gilberto, achei carinhoso da parte dele inserir uma canção minha em seu repertório, uma vez que ele já não gravava nada diferente havia uns 20 anos. O arranjo ficou lindo, a interpretação impecável. Minha pequena aflição consiste em perceber que a frase do refrão que originou a música foi evaporada. Depois, vim a saber, pelo próprio João, que ele a tirou por não ter entendido o significado. Como já dizia eu, nem sempre se vê mágica no absurdo.”


Ouça aqui

6 months ago

Lobão lança novo manifesto musical

Matéria original publicada por Jamari França em 01/10/13

image

A partir de hoje (01/10/13), a música “Eu Não Vou Deixar” estará disponível na internet. Lobão compôs inspirado pelo coletivo Fora do Eixo, tocou todos os instrumentos e ele mesmo quem comenta: “Essa música foi composta com endereço e nome certos: o estereótipo do coletivo e do ativista coletivista. Tudo surgiu de um convite feito a Pablo Capilé (mentor do coletivo Fora do Eixo) para um hangout na internet, por ele mesmo ter se oferecido para fazer um debate “com qualquer músico, produtor musical ou seja lá quem fosse”. Achei uma excelente oportunidade para procurá-lo e convidá-lo para o tal debate. A princípio ele topou, mas, infelizmente, alguns dias depois ele desapareceu.

Depois de um tempo razoável achei de bom alvitre produzir uma canção, não só para registrar com alguma picardia sua amarelada, mas para também acender uma luz em cima desse novo/velho tipo de hiponga maoísta/digital que impregna nossos dias com pseudo novas ideias e com aquela prosódia evasivo/neotropicalista que ninguém entende coisa alguma do que eles estão falando.

Esses caras querem terraplanar o indivíduo, principalmente aquele que tem qualidades especiais, aqueles que criam e inventam coisas e fazem a diferença para toda a humanidade.

Esse estereótipo do ativista medíocre, recalcado de sua impotência criativa parte para uma empreitada homicida contra o autor, o músico, o gênio criador que reside em cada indivíduo com a balela frouxa de que temos de criar uma sociedade através do coletivo. Mas eles se esquecem que um coletivo não é uma unidade nem jamais irá ser. A unidade é o indivíduo e sem o florescimento integral de cada indivíduo, teremos, invariavelmente, uma coletividade de frouxos, de elementos sem voz própria que vivem a papagaiar chavões bregas e clichês esgarçados. São eles os Fora do Eixo, os Midia Ninja, os Black Blocs, os movimentos Passe Livre. Todos um monte de bunda moles frouxos que se resguardam em coletivos para camuflar suas abissais desimportâncias. Pois bem, meus amigos, aqui está esse grito de guerra contra esses frouxos sempre deixando claro que um frouxo unido jamais será um indivíduo”.

Por isso mesmo fiz questão de gravar todos os instrumentos para mostrar que um indivíduo inteiro estará sempre muito mais apto a fazer uma coletividade infinitamente melhor do que esses imbecis que teimam em começar pelo lado oposto. Sendo assim, senhoras e senhores, com vocês… “Eu Não Vou Deixar”.

Eu não vou deixar (Lobão)

Por todos esses anos
Por tudo que eu passei
Por tudo o que eu faço
E ainda o que eu farei,
Não vem com esse papo de hiponga
Que eu não vou deixar

A palavra é minha arma
Minha bala é minha canção
Nem vem mexer com aquilo
Que você não tem noção
Não adianta insistir, meu irmão,
Que eu não vou deixar

Cadê a sua lábia?
Seu tempo se esgotou
Quem foge da conversa
Já perdeu de W.O.
Te aviso companheiro, não se esconda
Que eu não vou deixar

E agora? Aonde está
A banca que você botava?
E agora? De quem é mesmo
O pesadelo que você armava?
E agora? Eu estou aqui e é você
Que foi embora…
E agora ,você deu o fora,
Mas que papelão!

Mané querendo mudar o mundo
Engenheiro social
Tungando a grana de artista
Inventando edital
Direito autoral ele também não quer,
Mas eu não vou deixar
Patrulha e desespero,
Evangelho coletivo
Doutrina de carola estatizado e vendido
Rebelde chapa-branca quer que eu cale
Mas eu não vou deixar

De bem intencionados
Eu não aguento mais
Tem otário se achando valente
Mas quando me vê, mija pra trás

Acabou sua pilantragem, sabe por que?
Porque eu não vou deixar

www.eunaovoudeixar.com.br
iTunes: download

6 months ago

Veja e ouça nova música de Lobão

Matéria original publicada por  Aumenta que isso aí é Rock n’ Roll!, em 01/10/13.

image

Lobão lançou na última segunda-feira (30/09) “Eu Não Vou Deixar”, música que ele compôs para o coletivo “Fora do Eixo”. Fora do Eixo é uma “Rede Brasil de Festivais”, que pretende reunir 107 eventos, com 6 mil artistas, em 88 cidades. A inciativa, de acordo com um release distribuído à imprensa, tem o “compromisso fundamental de dar sequência a história” dos festivais independentes no Brasil e quer “consolidar o Brasil como a Embaixada Mundias das Redes de Cultura no Mundo”.

 

Aí, Lobão resolveu (mais uma vez) radicalizar. Ele, que não gosta nem um pouco de coletivos, gravou uma música inédita, onde toca todos os instrumentos. No vídeo, lançado ontem, Lobão aparece ao lado do produtor Rafael Ramos nos estúdios Tambor gravando a sonzeira. O link oficial é este aqui.

 

www.eunaovoudeixar.com.br

iTunes: download

6 months ago

LOBÃO PRESTA ‘HOMENAGEM’ AO FORA DO EIXO EM NOVO CLIPE

Matéria original publicada por Caractags, em 01/10/13.

(Foto Divulgação: Rui Mendes)

Apresentada aos poucos em shows pelo Brasil, a música Eu não vou deixar foi tocada no último sábado, 28 de setembro, no Circo Voador, e muito bem recebida pelo público, que lotava a casa.

Finalmente, a canção dedicada ao Coletivo Fora do Eixo, especialmente sua figura principal, Pablo Capilé, ganha um clipe dirigido por Bruno Baketa, em que Lobão toca todos os instrumentos.

O músico criou um hotsite, com a letra.

image

Confira também o podcast Colesterol gravado com ele no último sábado.

6 months ago

Lobão Lança Música Contra Capilé e o Fora do Eixo

Matéria original publicada por Jocê Rodrigues (Jardim da MPB), em 02/10/13

(Foto Divulgação: Rui Mendes)

João Luís Woerdenbag Filho (vulgo Lobão) lançou nessa segunda-feira a música “Eu Não Vou Deixar”, composta especialmente para mostrar sua oposição a Pablo Capilé, ao Fora do Eixo, e ao que o cantor chama de estereótipo do ativista coletivista.

Após Capilé afirmar que estava aberto ao debate, Lobão o convidou para um hangout, convite que Pablo Capilé (mentor do coletivo Fora do Eixo, alvo de acaloradas discussões) teria aceitado para, em seguida, desaparecer, como afirma o músico. Foi aí que ele resolveu arregaçar as mangas e botar pra fora o que estava entalado na sua garganta, pra todo mundo ouvir.

Para a música, Lobão resolveu tocar todos os instrumentos com o intuito de “mostrar que um indivíduo inteiro estará sempre muito mais apto a fazer uma coletividade infinitamente melhor do que esses imbecis que teimam em começar pelo lado oposto” e não economiza paus e pedras verbais para atingir seu objetivo (ou alvo).

De bem intencionados/Eu não aguento mais/
Tem otário se achando valente/Mas quando me vê, mija pra trás.

Mais uma pedrada, sonora e pessoal, do big bad Wolf.

Site OFICIAL: http://www.eunaovoudeixar.com.br/

Disponível para DOWNLOAD no iTunes: Aqui

6 months ago

Lobão lança música anti-Fora do Eixo, ouça “Eu Não Vou Deixar”

Matéria original publicada por Bruce Silva (Bota Pra Tocar), em 02/10/13

image

 

O músico e compositor carioca Lobão lançou nesta segunda-feira, 30 de setembro, a música “Eu Não Vou Deixar”, que foi composta inspirada pelo coletivo cultural Fora do Eixo.

  A canção foi liberada através do site EuNaoVouDeixar.com.br, e traz o música tocando em todos os instrumentos. Em carta aberta, Lobão comentou sobre a composição:

 

  "Essa música foi composta com endereço e nome certos: o estereótipo do coletivo e do ativista coletivista. Tudo surgiu de um convite feito a Pablo Capilé [mentor do coletivo Fora do Eixo] para um hangout na Internet, por ele mesmo ter se oferecido para fazer um debate ‘com qualquer músico, produtor musical ou seja lá quem fosse’. Achei uma excelente oportunidade para procurá-lo e convidá-lo para o tal debate. A princípio ele topou, mas, infelizmente, alguns dias depois ele desapareceu.

 

  Depois de um tempo razoável achei de bom alvitre produzir uma canção, não só para registrar com alguma picardia sua amarelada, mas para também acender uma luz em cima desse novo/velho tipo de hiponga maoísta/digital que impregna nossos dias com pseudo novas ideias e com aquela prosódia evasivo/neotropicalista que ninguém entende coisa alguma do que eles estão falando.

 

  Esses caras querem terraplanar o indivíduo, principalmente aquele que tem qualidades especiais, aqueles que criam e inventam coisas e fazem a diferença para toda a humanidade.

 

  Esse estereótipo do ativista medíocre, recalcado de sua impotência criativa parte para uma empreitada homicida contra o autor, o músico, o gênio criador que reside em cada indivíduo com a balela frouxa de que temos de criar uma sociedade através do coletivo. Mas eles se esquecem que um coletivo não é uma unidade nem jamais irá ser. A unidade é o indivíduo e sem o florescimento integral de cada indivíduo, teremos, invariavelmente, uma coletividade de frouxos, de elementos sem voz própria que vivem a papagaiar chavões bregas e clichês esgarçados. São eles os Fora do Eixo, os Midia Ninja, os Black Blocs, os movimentos Passe Livre. Todos um monte de bunda moles frouxos que se resguardam em coletivos para camuflar suas abissais desimportâncias. Pois bem, meus amigos, aqui está esse grito de guerra contra esses frouxos sempre deixando claro que um frouxo unido jamais será um indivíduo.

 

  Por isso mesmo fiz questão de gravar todos os instrumentos para mostrar que um indivíduo inteiro estará sempre muito mais apto a fazer uma coletividade infinitamente melhor do que esses imbecis que teimam em começar pelo lado oposto. Sendo assim, senhoras e senhores, com vocês… ‘Eu Não Vou Deixar’”.

 

Assista abaixo o vídeo de “Eu Não Vou Deixar”, com cenas do músico em estúdio.

 

image

Site OFICIAL: http://www.eunaovoudeixar.com.br/

Disponível para DOWNLOAD no iTunes: Aqui

6 months ago