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De Telerj em Telerj, de Circo a Circo

Matéria original publicada em 10/04/14, por Figurótico.

Por que ir a um show do Lobão depois de tantos que já fui? Por que escrever um texto sobre, depois de tanto ter dedicado linhas a este cara rock’n roll que continua firme e em atividade? O show da última sexta-feira (04/04/2014) pode ser uma resposta. Um show nunca se assemelha a outro, o repertório é seguidamente modificado. E seu humor pode ditar a intensidade de execução ou o veto de canções. Ainda ponho no topo da lista um dos shows de 2012 da turnê “Lino, Sexy & Brutal”, no mesmo Circo Voador, onde produzi um texto aqui mesmo no portal, intitulado “O dia em que o Lobo venceu por nocaute”.

O de semana passada carregava responsabilidades e expectativa por parte do músico e do público atento: era dia do nascimento do Cazuza, seu amigo e parceiro; e a estreia do novo formato da banda em Power Trio. Antes do show ele já prometera incluir no repertório muitas das parcerias entre os dois. Vale lembrar que Lobão é sempre excluído, jogado pra escanteio em qualquer tributo feito ao Cazuza. Os dois deixaram ótimas canções juntos. Cazuza no Rock in Rio de 85 antes de tocar “Mal Nenhum”, rasgou seda para o Lobo e disse que era um cara que faltava naquele festival, no fim bradou: “Viva Lobão!!!”.

Essa inclusão das músicas em parceria com o Caju acabaram por dar um norte ao show. Depois da abertura com a matadora “A Balada do Inimigo” (abro um parêntese pro leitor que não conhece tal música para ouvi-la, ela tem dois momentos: um enérgico com as letras pipocando em cima de uma base pura de rock; pra depois desaguar num lento refrão com aquela sequência de acordes característicos do Lobo) ele abriu o baú das músicas com o Cazuza e mandou “Baby Lonest”, gravada por ambos.

“Baby Lonest” já começou a valer o ingresso de uma noite que se desenrolou por mais duas horas e meia de rock, com algumas pausas entre as músicas. Lobão hoje usa um arsenal de guitarras e equipamentos múltiplos, ele sabe sim pilotar aquela engenharia, mas talvez reduzir um pouco a pedaleira pudesse deixar as coisas mais práticas, visto que hoje ele é o único guitarrista da banda e o responsável por cantar todo o show. Mas foram os pedidos de música e o famigerado “Toca Raul” que o tiraram do sério.

Ele avisou logo de saída para terem calma pois tinham um roteiro a seguir quando começaram a pedir “Vida Bandida!”. Mas a cada fim de música uma nova gritaria, o que o levou a dizer “Taí, ‘Vida bandida’ já não vai rolar hoje, não peçam demais, isso daqui não é flashback, é rock sem mimimi!”. Na sequência foi o “Toca Raul” por duas vezes. Na primeira, o aviso: “Toca Raul é o c@%$#! Isso aqui é um show de power trio!”. Mais duas canções e o cara insistiu no “Toca Raul”, foi a senha pro sabão… Ele respirou, bufou e disparou: “Mas que coisa anti-rock, brochante, coisa de gente que assiste Pânico. Vai tomar no …, seu babaca”.

O artista faz show pra dois tipos de público: os fãs e os de festa. O fã querem aquela tirada da cartola, uma música inédita ou esquecida. O de festa quer dançar os hits que conhece do rádio. Lobão faz show pros fãs, embora sempre dedique um bom tempo às músicas de sucesso de que ele gosta. Mas o valor deste show de sexta foi a mexida que deu no repertório. Tocou “Esfinge de Estilhaços” do álbum “Cuidado!” (1988); de 1984 puxou “Abalado”, do álbum Ronaldo foi pra Guerra – que não era executada desde àquela época.

Porém as cerejas no bolo ficaram por conta das parcerias com o Cazuza. Além de Baby “Lonest” mergulhou sem dó e atacou de “Glória (Junkie Bacana)”, de 1986; “Mal nenhum” e “Seda” (póstuma) que já vinham sendo tocadas; e a magnífica “Azul e Amarelo” (também gravada pelo Caju) que nunca tinha sido tocada ao vivo. Uma sequência de acordes chorantes das mais lindas do BRock. Antes de tocá-la mencionou que estava nervoso, pois fazer o arranjo de guitarra e  voz juntos exige-se muita coordenação, e mesmo com as taças de vinho rolando no palco, saiu.

O show mais uma vez foi vitorioso por conta de uma música inédita composta neste mesmo mês. Tocou-a sozinho, num
banquinho e violão. “O que é a solidão em sermos nós?” é seu nome, com destaque para o belo arranjo de violão.

Iria escrever duas linhas sobre o show, acabou saindo outro texto. E é por isso que eu vou a show do Lobão.

1 week ago

Lobão Power Trio | INGRESSOS À VENDA

(Foto: Rui Mendes)

No dia 13 de abril, às 19h, o Auditório Ibirapuera, em São Paulo, recebe Lobão, em um show com formação e sonoridades renovadas. O músico forma um power trio – formato tradicional do rock que exige performance e habilidade – com Dudinha Lima no baixo, violão e voz, e Armando Cardoso na bateria. Os ingressos custam 20 reais e 10 reais (meia-entrada).

“Simplesmente vou tocar as músicas que eu quero tocar naquela hora”, adianta o músico. “O conceito é aproveitar o poderio de um power trio com a sofisticação das texturas de vocais e loops disparados durante as canções. A meta é provocar uma sensação de espanto e êxtase na plateia.”

Ainda segundo ele, a apresentação é também o começo de uma nova fase. “Estou excitadíssimo com meus novos conceitos musicais, meus novos instrumentos e tudo que me inspira para fazer um novo repertório. Agora, tenho a sensação de que vou entrar na minha fase mais fértil e inspirada.”

No site oficial do músico, você ouve as músicas de toda a discografia.

Compre aqui o seu ingresso.

Dia: domingo 13 de abril
Horários: às 19h
Duração: 90 min (aproximadamente)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação Indicativa: [indicado para maiores de 12 anos]

2 weeks ago

LOBÃO POWER TRIO NO CIRCO VOADOR NO DIA DO ANIVERSÁRIO DE CAZUZA

Dia 4 de Abril é aniversario de um dos caras que deram sentido a existência dessa lona. Um artista tão visceral quanto lírico, que trouxe pra mesma roda Billie Holliday e Cartola injetando atitude na MPB e poesia no rock. Um cara que se foi cedo demais deixando uma obra maior que a vida e um vazio irreparável. Seu nome era Agenor, mas ficou conhecido como Cazuza. No dia em que completaria 56 anos, oferecemos a ele, onde quer que esteja, um show do Lobão!

Quando convidamos o grande lobo pra tocar no dia do aniversario do Cazuza, ele só topou com uma condição: que não fosse uma homenagem a Cazuza. Sorrimos aliviados, porque era exatamente o que esperávamos dele: dignidade com a memória de Cazuza. E Lobão nunca nos decepcionou!

Não sabemos o que ele vai fazer. Pode ser que ele dedique alguma de suas parcerias como a belíssima “Mal Nenhum” ou “Vida Louca Vida” ao amigo, ou que ele não toque nenhuma dessas. Pode ser que ele toque bateria ou não. Pode ser que ele faça um discurso contra todos os oportunistas ou pode ser que ele apenas enfileire um hit atrás do outro. Só sabemos que agora ele vem mais potente do que nunca, a bordo de um Power Trio e que seus shows na lona só ficam mais catárticos, ou seja, vai ser um show daqueles! E onde quer que Cazuza esteja, temos certeza que ele vai aprovar!

Lobão (guitarra, violão e voz) sobe ao palco do Circo acompanhando por Dudinha Lima (baixo, violão e voz) e Armando Cardoso (bateria), em formação mais representativa do que pode se chamar de Rock. O Power Trio significa exigir o máximo de cada músico se tornando assim um grande desafio. O impacto resultante é de muita força, potência e habilidade musical. Com arranjos específicos para este formato e uma musicalidade rica em timbre e dinâmica com sonoridades diferentes vindas de uma formação tão básica que promete causar impacto no espectador.

Abertura dos portões: 22h
Capacidade: 2.000 pessoas
Classificação: 18 anos (de 12 a 17 somente acompanhado dos pais)
Bilheterias: terça à quinta: das 12h às 19h; sexta: das 12h às 24h (exceto feriados) e sábado a partir das
Informações: 55 (21) 2533-0354

2 weeks ago

‘Cenas de aeroporto’, por Lobão

Matéria original publicada na edição impressa da Veja na coluna do Augusto Nunes na Veja Online em 15/03/2014.

LOBÃO

No mês passado, voltava de um show em Belo Horizonte quando, na saída do hotel, dei por falta da minha carteira com todos os documentos dentro. Como tinha de voltar naquele dia para São Paulo, disseram-me que deveria seguir para o aeroporto e registrar um B.O. para apresentar no embarque.

Era um domingo quente e ensolarado. O a­r-condicionado do Aeroporto de Confins estava quebrado, a rede de wi-fi não funcionava direito e o barulho das obras da Copa que não terminam nunca era infernal. Para quem viaja pelo Brasil, ver aeroporto em obras é uma rotina deprimente. Em Guarulhos, embarquei num puxadinho infame feito às pressas, na base do gatilho. Em Goiânia, cheguei a ter como sala de embarque uma barraca de exército. E as tais “arenas” da Copa? Tudo feito de supetão. No ano passado participei de um show no Mané Garrincha, em Brasília, e constatei que o serviço de engenharia acústica não tinha sido feito. Imaginem só, Brasília, que mal tem futebol de várzea, constrói uma arena destinada a receber megashows… e não se preocupa em fazer o tratamento acústico!


Voltando a Confins: na sala da Polícia Civil, falei para o senhor corpulento e suado atrás da mesa que havia perdido a minha carteira com todos os documentos, que meu voo estava marcado para dali a uma hora e eu precisava fazer um B.O. Ele me encarou com surpresa e estupefação: “Mas o senhor tem de provar que o senhor é o senhor. Tem algum documento que possa comprovar isso?”. Expliquei que estava lá justamente porque tinha perdido meus documentos e que, se tivesse um, poderia ter embarcado. “Se o senhor não pode me provar que o senhor é o senhor, vou logo avisando que não vai poder embarcar. Imagina só se o senhor está dizendo que é o senhor e, de repente, estou falando ─ nada pessoal, veja bem ─ com um bandido? Na semana passada mesmo eu atendi um sujeito que depois vim a saber que era do PCC… É mole?”

Retorqui que era um cidadão que pagava impostos, estava pedindo ajuda do poder público, e o poder público não podia me tratar como suspeito. A temperatura começou a subir, com ele me mandando abaixar o tom de voz, e eu dizendo que ele não era pago para suspeitar de mim. A essa altura do campeonato, o Bira, amigo e produtor que me acompanhava, tentou acalmar os ânimos informando o número do meu CPF e o da minha identidade, mas a emenda saiu pior que o soneto. “Não sabe o número da identidade nem o do CPF, não? É a mesma coisa que não saber o nome do pai ou da mãe!” Eu disse: “Mas o meu amigo não acabou de lhe dar?”. “Hummm”, grunhiu ele, “receio que isso não vai adiantar muito, não.” Perguntou se eu morava em BH. “Não? Em São Paulo? Aí piorou a sua situação. Pelos meus cálculos, até fazer a busca no computador, periga de o senhor ter de pernoitar aqui, viu?”

Diante disso, achei melhor dar uma respirada lá fora. Quando voltei à rinha, nova surpresa. O senhor rotundo e suarento disparou: “É, me parece que o senhor tem um inquérito policial na sua ficha lá em São Paulo. Isso, pra mim, não faz muita diferença, uma vez que ainda (ainda!!) não há mandado de prisão. O senhor até que tem sorte, mesmo com a ficha suja vai poder até viajar”.

Ficha suja?… Inquérito policial? Mas o que é isso? Comecei a dizer que não tinha nenhuma ficha suja, mas ele foi logo me cortando ─ “Não quero saber de detalhes. Pra mim, basta não ter ordem de prisão”. Perdi o voo por cinco minutos. Tive de pagar uma nova passagem. Ficamos, eu e o Bira, mais duas horas naquele calor exalando paralisia, ouvindo o barulho daquelas obras intermináveis e fazendo a inevitável pergunta: imagina na Copa do Mundo? A essa altura, tinha falado por telefone com a minha mulher. O tal “inquérito policial” era na verdade uma queixa que fizemos no ano passado contra uma ex-vizinha que colecionava cães ─ os bichos faziam um barulho infernal. Ou seja: outro pedido de ajuda ao poder público que se virava contra o cidadão que pediu ajuda. Tomamos uma cerveja e embarcamos convictos de habitarmos uma Terra do Nunca em que nada leva a lugar nenhum. A vítima vira infratora, a incompetência é vendida como prosperidade, o obtuso é o virtuoso e os medíocres são os grandes vencedores. Aqui, só a mamata é levada a sério.

1 month ago

Com os dentes afiados

Matéria original publicada por Jornal O Hoje (Adalto Alves), em 16/01/14.

Lobão solta o verbo, decreta a morte da esquerda, da ‘atitude’ no rock e da inspiração na música atual.

Depois do CD acústico em 2007, com o carimbo da MTV na capa, Lobão voltou a ser elétrico em 2012, com Lino, Sexy e Brutal. Ele passou a carreira a limpo duas vezes, de formas diferentes. O segundo foi gravado ao vivo em São Paulo, com uma banda enxuta, pouco blablablá e Luiz Carlini tocando guitarra em Ovelha Negra, que ele gravou com Rita Lee, no disco Fruto Proibido (1975), na banda Tutti Frutti.

Para apresentar Lino, Sexy e Brutal, hoje, no Bolshoi Pub, Lobão vem acompanhado de Dudinha Lima (baixo) e Armando Cardoso (bateria). André Caccia Bava, que tocou guitarra no CD e DVD, não consta na escalação da banda, segundo informação da casa. Intenso, frenético e pesado, Lino, Sexy e Brutal mostra Lobão na pele do roqueiro como não se via há muito tempo. Lobão jura que, pela primeira vez, suas músicas foram gravadas exatamente como ele queria, em 35 anos de trajetória errante e conturbada. A masterização em Abbey Road, na Inglaterra, contribuiu para a qualidade final rutilante.

O repertório viaja nas diversas fases de Lobão, de Me Chama até A Vida É Doce, passando por Canos Silenciosos, Vida Bandida e Corações Psicodélicos. Parte incluída na caixa Lobão 81/91, com sucessos polidos por Roy Cicala, produtor de estrelas como John Lennon e Bruce Springsteen. Quem quiser entrar nos detalhes que circundam a vida artística de Lobão pode se esbaldar na biografia 50 Anos a Mil, que ele assina com o jornalista Cláudio Tognolli. O livro causou tanto bafafá que, três anos depois, ele voltou às prateleiras com Manifesto do Nada na Terra do Nunca. A metralhadora verbal giratória do autor atingiu no peito os esquerditas lotados nos partidos que sustentam o governo da presidente Dilma Rousseff. Além de alvos dispostos em vários muros. O DVD foi editado. Quem sabe, no Bolshoi, Lobão faça comentários políticos, sociais, o escambau, com a liberdade peculiar de jamais ficar em cima do muro. Enquanto se equilibra na corda bamba estendida sobre os contrastes.

Entrevista

‘Nunca fomos tão medíocres e pouco criativos’

Todo mundo agora diz que você é de direita. Você leva em conta esse tipo de separação direita/esquerda?
Eu não consigo conceber esse tipo de designação nos dias de hoje. Simplesmente percebi que o Partido dos Trabalhadores (PT) é uma grande roubada e, como tive um histórico de apoio ao partido por muitos anos, me sinto também responsável pela permanência dele no poder.

Se você é de direita, o que significa para você alguém ser de esquerda?
Temos de lembrar que esse tipo de qualificativo no Brasil só designa o bem e o mal. Direita é ruim e esquerda é do bem. Assim, fica muito difícil usar esse tipo de terminologia.

Os caras que ratearam contra a liberação das biografias não autorizadas são os mesmos que lutaram contra a censura do governo militar. Neste caso, o que está em jogo além da incoerência?
Uma mamata gigantesca. O Procure Saber precisava desesperadamente do Roberto Carlos para que conseguisse fazer o lobby da lei que estatiza o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, que trata dos direitos autorais de execução pública musical). Uma lei absurda e cheia de grandes equívocos que nos foi imposta goela abaixo com o desacordo de mais de 300 mil músicos e compositores. Conseguiram o Roberto, mas com uma ressalva. Ele exigiu que o grupo o apoiasse na empreitada de lei das biografias. A partir daí, todo mundo sabe o vexame que foi o desfecho.

A Copa do Mundo, com sua atenção midiática e o aumento dos custos em todos os níveis, vai atrapalhar a vida dos músicos durante sua realização?
Eu não tenho ideia e isso não é exatamente o ponto em questão. O problema é a maneira que a coisa foi e está sendo feita.

Ter lutado pela numeração dos CDs não foi inglório, agora que o CD está praticamente morto e enterrado?
Acredito no vinil. Acho que será o formato mais elegante e procurado. O resto será MP3. A partir da lei, qualquer formato ou plataforma está monitorado.

Nunca pensou em levar a revista Outra Coisa para a internet?
Não. Eu não tenho mais tempo para fazer revista. Já estou mais que no saldo com a música independente.

Hoje, até os medalhões da MPB são independentes. Ficou mais difícil separar o joio do trigo?
Estamos vivemos uma espetacular decadência musical. Nunca fomos tão medíocres, pouco informados e pouco criativos.

Ainda é possível ouvir rock de verdade no Brasil, no sentido de a palavra ‘atitude’ não ser usada como jargão publicitário?
Não faço a menor ideia. E, para falar a verdade, não tenho mais interesse em saber.

Sente orgulho de tudo que fez ou mudaria alguma escolha na carreira?
Não. Estou Ok com minha obra, mas sempre penso para a frente. Creio que nem sequer comecei direito a fazer aquilo que realmente quero.

Tem algum disco preferido na sua produção e algum disco que você julga que foi subvalorizado e merece uma nova chance?
Lino, Sexy & Brutal é o disco mais bem produzido que eu gravei, mas não pretendo requerer nenhuma chance a nada. Estou feliz com o resultado.

Seus livros fazem mais barulho que seus discos? Você está se reinventando como escritor?
Meus livros fazem barulho por não ter nenhum tipo de empecilho no mercado. Na música, tenho um grande público renovado e fiel, mas não tenho como tocar nas rádios o material novo e pouquíssima entrada nas TVs. Mas os livros acabam impulsionando os shows e isso me deixa muito feliz.

Programas de TV que propõem novos ídolos na música brasileira são válidos?
Desde que haja alguém que mereça a tal propaganda.

Aceitaria tornar-se jurado num deles, considerando que Lulu Santos e Carlos Eduardo Miranda aceitaram?
Eu acho detestável esse modelo de programa de calouros. Dar esporro em artista novo diante de uma multidão nunca irá promover os novos a serem realmente artistas de alguma respeitabilidade. Isso é muito triste.

Há quem diga que o sertanejo universitário é a nova música pop. Concorda?
Concordo, sim. Estamos num período terrível, na cultura, na política, na educação, e o resultado só poderia ser esse mesmo.

Onde foi que o rock errou?
Não me interesso mais em questionar isso. Eu ultrapassei os segmentos, me reinventei num mundo que eu mesmo criei e liguei o F***-se no volume 11. Finalmente, sou um homem livre de rótulos e fronteiras. Não pertenço a nenhuma tribo nem a nenhum segmento. Tenho muita sorte em ter conseguido essa façanha e pena de quem depende de alguma coisa por aqui para se estabelecer. Sou apenas um ser lobônico e ponto.

Lobão
Quando: Hoje
Onde: Bolshoi Pub (Rua T-53 nº 1.140. Setor Bueno. Fone: 3241-0731)
Horário: 22 horas
Ingresso: R$ 80 (antecipado)

3 months ago

Lobão toca rock em Goiânia

Matéria original publicada por Allia Hotels, em 10/01/14.

(Foto: Rui Mendes)

Chega a Goiânia no dia 16 de janeiro (quinta-feira) um importante e polêmico nome da música brasileira: o cantor João Luiz Woerdenbag Filho, nacionalmente conhecido como Lobão. O artista carioca apresentará, a partir das 22h, no palco do Bolshoi Pub, seu mais recente projeto, que se chama Lino, Sexy & Brutal. Os ingressos custam R$60 (preço único).

A performance é baseada no show da turnê do álbum Lobão Elétrico, que foi gravado no Citibank Hall, em São Paulo. Nele, o cantor faz uma releitura de clássicos de sua carreira em versões mais pesadas. Serão interpretadas canções que marcaram gerações, a exemplo de O Rock Errou, Balada do Inimigo, Bambino, Canos Silenciosos, Vamos para o Espaço, Não Quero seu Perdão, entre outras. O artista estará acompanhado por Armando Cardoso (bateria) e Dudinha Lima (baixo).

O músico

Lobão começou na música aos dezessete anos na banda Vímana, da qual também faziam parte nomes como Lulu Santos e Ritchie. Em 1980 fundou a banda Blitz com Evandro Mesquita e Fernanda Abreu, mas saiu do grupo antes mesmo do sucesso comercial.

Ainda no começo dos anos 80, engatou carreira solo com o lançamento de Cena de Cinema. Em seguida formou a banda Lobão e os Ronaldos. Apesar do sucesso de Me Chama, a banda teve uma vida curta e Lobão seguiu carreira solo, lançando álbuns como O Rock Errou (1986) e Vida Bandida (1987).

Em 1999 lançou A Vida é Doce em um esquema inédito, com distribuição pela Internet, bancas de jornais e lojas de departamento, que foi sucesso de vendas e de críticas. Em abril de 2007 lançou o álbum Acústico MTV, que foi premiado com o prêmio Grammy Latino na categoria melhor disco de rock.

Escritor

No final de 2010, o cantor lançou sua autobiografia 50 Anos a Mil, com o jornalista Cláudio Tognolli, que ultrapassou a marca de 100 mil cópias vendidas e deverá ganhar telas de cinema neste ano. Em 2013 publicou o polêmico livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca.

Fonte/Foto: Curta Mais Goiânia

3 months ago

Eu, coxinha

Matéria original publicada por Lobão, em 05/01/2014.




(Foto: JF Diorio/AE)


Durante esses últimos anos, venho recebendo de parte da militância petista uma série de adjetivações pretensamente desqualificadoras, que poderiam ter algum efeito não fosse eu um cara desgrilado, um ser alegre a cantar.

Mas, depois do lançamento do Manifesto do Nada na Terra do Nunca, a petizada militante se enfureceu. Na verdade, antes mesmo de o livro chegar às livrarias, houve quem clamasse pela sua proibição ou queima imediata. A minha estreia como colunista de VEJA aumentou essa fúria, que culminou em um ataque apoplético coletivo por ocasião da minha participação noRoda Viva. Um ilustre deputado petista chegou a pedir a cabeça do Augusto Nunes por ter convidado para o programa um “doente mental” (eu).

E, com aquela falta de imaginação, de humor e de argúcia, característica de certas mentes esquerdistas, puseram-se a vociferar palavras de ordem e impropérios contra mim: “Reacionário!”, “filhinho de papai!”, “coxinha!”. Isso para não citar os mais cabeludos (bicha, maconheiro, cheirador, matricida, esquizofrênico…).

Mas vou concentrar a atenção no “coxinha”, que é o mais recente qualificativo do curto vocabulário dessa rapaziada.

Após esses mais de dez anos do PT no governo, a sociedade está percebendo como se forma o aparato de repressão política, censura e difamação montado pelo partido. Se você tem alguma objeção a ele, vira um pária político, moído e asfaltado pela máquina de propaganda estatal, cujos operadores — blogueiros e militantes de plantão na internet — se encarregam do trabalho sujo, na forma de ataques pessoais e truculentos disparados contra qualquer alma que se insurja contra a ideologia oficial. A tática desses operadores é achincalhar o oponente baseados em sua própria e nanica estatura moral.

O simulacro de impropério é construído em torno da miserabilidade do ofensor, que, ofendido com a própria natureza, desanda a chamar os não alinhados daquilo que mais enxerga em si mesmo, na vã tentativa de escapar de sua jocosa e aflitiva condição. Sendo o grande alvo dessa patocracia delirante a classe média — e sendo o militante de esquerda uma espécie de burguês pós-moderno —, o xingamento “coxinha” aparece como um desses casos de projeção psicológica flagrante.

O militante de esquerda é o mauriçola gauche, é aquele tipo que se traveste de ativista de passeata e gasta o seu tempo útil em manifestações inúteis, no afã de exorcizar sua flacidez comportamental, sua virgindade existencial, sua pequena farsa pessoal. É invariavelmente um “multiculturalista”, que acredita que um rap é superior a Bach. É o sujeito moldado na previsibilidade comportamental dos doutrinados, que expele seu déficit de percepção da realidade através da soberba convicção dos imbecis. Refém da uniformidade acachapante dos clichês entrincheirados em sua mente vacante, profere as frases mais gastas e cafonas que se pode imaginar.

Para esse tipo de pessoa, tenho aqui um par de versos de Adam Mickiewicz (1798-1855) que cairá como uma luva:

“Tua alma merece o lugar a que veio

Se, tendo entrado no inferno, não sentes as chamas”.

Assim, convido todos aqueles que, como eu, são agraciados pela esquerda com essas e outras adjetivações a acolhê-las com benevolência e humor, com a percepção de estarmos sob a égide de frouxocratas histéricos que teimam, em sua monomania vã e molenga, em nos assolar com seus fantasmas internos e suas abissais impossibilidades.

E, usando o rebote como mantra, proferirei, contrito: coxinhas de todo o Brasil, uni-vos! 

O cantor e compositor Lobão é colunista de VEJA.

3 months ago

Lobão no Roda Viva, por Rodrigo Constantino

Matéria original publicada por Rodrigo Constantino, em 02/12/13. 


Muito boa a entrevista do músico e escritor Lobão no programa Roda Viva. Soube desviar de várias cascas de banana e impedir as armadilhas de esquerdistas infiltrados ali para estragar uma entrevista séria. Augusto Nunes também está de parabéns pela condução, pois soube colocar ordem em momentos delicados.

 

O que vimos mostra bem a falência intelectual do Brasil. Lobão é “polêmico”, “reacionário”, “radical”, tudo porque ousa discordar das idiotices abundantes nos “debates” nacionais. Como não adere à ditadura do politicamente correto e chama as coisas pelo nome, vira “rebelde”.

 

O coroa com cabelos longos que defende o terrorista assassino Marighella é “cool”, “moderado”, mas Lobão é o radical na história. O sujeito chamou os black blocs de “direita”, pois usam máscaras e isso não é legal! Constrangedor, eu sei. Mas mostra como a esquerda ainda monopoliza as virtudes: se é ruim, autoritário, violento, só pode ser de direita. A aura de pureza da esquerda permanece intocada…

 

Até a jornalista do Estadão, visto como jornal de direita por muitos, pressionou o compositor tentando arrancar declarações comprometedoras. Perguntou sobre o “mensalão tucano”, aderindo ao discurso oficial dos petistas que misturam tentativa de golpe na democracia com desvio de verbas públicas. E colocou na direita a pecha de ser contra os gays.

 

Lobão se saiu bem, não se deixou intimidar, e pontuou que uma coisa é movimento gay, politizado e coletivista, e outra, bem diferente, é defender os gays como indivíduos. Ponto para Lobão.

 

Até o rótulo de defensor de ditaduras ou torturas tentaram colar no músico, mas sem sucesso. Deixou claro que o foco era derrubar o mito de que aqueles comunistas lutavam por democracia, e que o golpe militar não veio do além, sem uma força que jogava o país na direção de um regime comunista para transformar o Brasil em um “Cubão”.

 

Lobão leva os esquerdistas ao desespero, pois não podem afirmar que é “tucano” e coisa do tipo. Defendeu Lula abertamente, fez campanha, mas finalmente acordou. E sua honestidade intelectual o impede de ser mais um covarde chapa-branca, como tantos que pululam por aí.

 

Esculachou a presidente Dilma, totalmente inepta e incapaz, e reconheceu o perigo que nossa democracia corre com tantos anos de PT no poder. Quantos artistas podem se dar ao luxo de tamanha independência crítica? Poucos. Infelizmente, pouquíssimos!

 

Essa é uma das maiores virtudes de Lobão, entre tantas outras. É muito bom para os defensores do capitalismo liberal poder contar com um músico popular que recusa a patrulha da esquerda caviar e coloca os pingos nos is. Quem perdeu, tente ver a reprise.

4 months ago

Lobão é o convidado do Roda Viva

Matéria original publicada por Augusto Nunes (Coluna Veja), em 02/12/13.

(Foto: Rui Mendes)

O convidado do Roda Viva desta segunda-feira é Lobão (nascido João Luiz Woerdenbag Filho), músico, escritor e colunista de VEJA. Como o entrevistado sempre diz o que pensa com clareza e coragem, seja qual for o tema, o programa será dos mais movimentados.

 

Peço aos amigos que sugiram perguntas e acompanhem a a conversa transmitida ao vivo, das 10 da noite às 11 e meia (horário de Brasília), pela TV Cultura, pela TV Brasil e pelo portal UOL. Em seguida, o timaço de comentaristas dirá o que achou do programa.

4 months ago

UOL transmite “Roda Viva” com músico Lobão a partir das 22h

Matéria original publicada por UOL, em 02/12/13.

O UOL transmite ao vivo nesta segunda-feira (2), a partir das 22h, o programa “Roda Viva”, da TV Cultura, que terá como convidado o músico e escritor Lobão. O debate será mediado pelo jornalista Augusto Nunes.

 

Famoso por suas declarações fortes, Lobão falará sobre música, política e as polêmicas envolvendo seu último livro, “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”. Este mês, ele passou a integrar o time de colunistas da revista “Veja”.

 

Considerado um dos principais nomes do cenário rock brasileiro dos anos 80 e 90, Lobão foi baterista das bandas Vimana, com Lulu Santos e Richie, e Blitz. Já em carreira-solo, ganhou notoriedade com os álbuns “O Rock Errou” (1986) e “Vida Bandida” (1987).

 

A bancada entrevistadores será formada por Tiago Agostini (editor no site MSN e colaborador da revista Rolling Stone), Alex Solnik (repórter da revista Brasileiros), André Barcinski (colunista do R7), Ivan Finotti (editor da revista São Paulo e da revista Serafina, da Folha de S. Paulo) e Adriana Couto (apresentadora do Metrópolis). O programa conta ainda com a participação do cartunista Paulo Caruso.

4 months ago

Lobão vai para o centro do Roda Viva nesta segunda (2/12)

Matéria original publicada por Correio Braziliense, em 29/11/13.

O cantor será entrevistado ao vivo, a partir das 22h, na TV Cultura.

 

Cantor, compositor, escritor e apresentador, Lobão é o convidado do Roda Viva desta segunda-feira (2/12), na TV Cultura. Ele falará, entre outros assuntos, sobre música, política e as polêmicas levantadas em seu último livro, Manifesto do Nada na Terra do Nunca. A entrevista, comandada pelo jornalista Augusto Nunes, vai ao ar ao vivo, a partir das 22h.

 

Considerado um dos principais nomes do cenário pop-rock musical brasileiro dos anos 80 e 90, Lobão nasceu no Rio de Janeiro. Iniciou a carreira musical aos 17 anos, como baterista da banda Vimana, que tinha integrantes como Lulu Santos e Ritchie. No fim da década de 70, participou da banda de apoio da cantora Marina e fundou a banda Blitz com Evandro Mesquita e Fernanda Abreu.

 

Em carreira-solo, em 1984 lançou o álbum Ronaldo Foi pra Guerra, que ganhou notoriedade com a música Me Chama. No ano seguinte, com o LP O Rock Errou, fez sucesso com a música Revanche. Nesse ano, teve problemas com drogas, fato que se repetiu em 1987, ano do lançamento do disco Vida Louca Vida e que foi regravada por Cazuza.

 

Lobão ficou quatro anos sem gravar nenhum disco. A partir de 1995, começou a experimentar outros ritmos, como samba e música eletrônica. Nos anos 2000, o roqueiro envolveu-se com causas ligadas à música como a defesa da criminalização do Jabá, prática da compra de espaço musical nas rádios e televisões.

 

 

Em 2007, lançou CD ao vivo, o Acústico MTV, no qual interpretou músicas do passado, como Essa Noite Não. No final de 2010, o cantor publicou sua biografia 50 Anos a Mil, escrita em parceria com o jornalista Cláudio Tognolli. Em 2013, foi a vez do lançamento do livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca, em que, do seu ponto de vista original, traça uma jornada tragicômica pela estética e a política do Brasil contemporâneo.

 

Em televisão, Lobão começou a trabalhar em 2005. Nesta época, apresentou o programa Saca Rolha, na Play TV, junto com Marcelo Tas e a modelo Mariana Weickert. Entre 2007 e 2010, esteve à frente de quatro programas na MTV Brasil. No fim de 2011, assinou com a TV Bandeirantes para apresentar o programa A Liga, onde permaneceu por poucos meses.

 

 

A bancada entrevistadores será formada por Tiago Agostini (editor no site MSN e colaborador da revista Rolling Stone), Alex Solnik (repórter da revista Brasileiros), André Barcinski (colunista do R7), Ivan Finotti (editor da revista São Paulo e da revista Serafina, da Folha de S. Paulo) e Adriana Couto (apresentadora do Metrópolis). O programa conta ainda com a participação do cartunista Paulo Caruso. Classificação indicativa:livre

4 months ago

Lobão e Luiz Melodia se apresentam no Sul do Rio de Janeiro

Matéria original publicada em 26/11/2013, por G1

Eles farão show em Volta Redonda e Barra Mansa, respectivamente.
Região receberá também Filipe Moreira, bailarino do Theatro Municipal.

 

imageOs cantores Lobão e Luiz Melodia irão se apresentar esta semana no Sul do Rio de Janeiro. Eles farão shows em Volta Redonda e Barra Mansa, respectivamente, no fim de semana, quando a região receberá outro nome importante: Filipe Moreira. O primeiro bailarino do Theatro Municipal do Rio de Janeiro estará em Volta Redonda para participar do espetáculo de balé “Giselle”.

Lobão apresentará o show “Lobão Elétrico”, em que comemora 38 anos de carreira e faz um passeio por seu repertório. A atração será às 20h, com classificação livre e entrada gratuita. A apresentação será pelo projeto Estação Musical Sesc.

A partir desta semana, a região recebe também o Festival Popular de Cinema de Três Rios, que irá exibir filmes nacionais de graça. O Sul do RJ conta ainda com outros destaques da programação cultural.

4 months ago

Lobão fala do Brasil que retratou em seu novo livro

Matéria original publicada por André de Almeida (Diário do Comércio), em 20/11/2013.

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O cantor e compositor Lobão lançou este ano  seu segundo livro,  Manifesto do Nada na Terra do Nunca, que já vendeu cerca de 80 mil exemplares. A polêmica obra trata deassuntos como política, cultura e liberdade, e se propõea falar sobre o “estado de paralisia” em que o autor acredita que o Brasil se encontra.

“Quem ousa tecer algum comentário um pouco mais crítico sobre a realidade que nos rodeia acaba sofrendo violências morais e psicológicas, sempre no intuito de eliminar o interlocutor … É a verdadeira Terra do Nunca, onde nos recusamos a crescer, com uma religião de Estado promovida por autoproclamados progressistas: os nossos carolas estatizados”, afirma Lobão, explicando parte do título.

 

Presente na tarde de ontem no 14º Congresso da Facesp, em Campinas, ele falou sobre diversos assuntos abordados no livro. Depois, concedeu a entrevista que se segue a este jornal.

 

Diário do Comércio – Você assumidamente votou no Lula em 1989. O que te fez mudar de ideia em relação ao ex-presidente e ao PT em geral?

Lobão – Basta ver o cenário atual da política brasileira. Quando votei no Lula, achava que não havia outra alternativa naquele momento. O discurso de idoneidade, honestidade e ética do partido me seduziu. Mais tarde, verifiquei que venderam o peixe errado. Isso me fez sentir até um pouco ingênuo, já que na época fiz mais de 300 shows de graça para o PT.

 

DC – Como você avalia o governo Dilma Rousseff?

Lobão – A presidente carrega consigo certa intolerância, além de ser estatista e comunista. Tanto é que os índices de confiabilidade econômica do Brasil caíram bastante.

 

DC – O sucesso do seu mais recente livro te surpreendeu?

Lobão – De forma alguma. Na verdade eu já sabia que ia escrever um best-seller. Proporcionalmente, podemos falar que o Manifesto já vendeu mais do que o primeiro livro (uma autobiografia do cantor).

 

DC – Falando no seu primeiro livro, qual sua opinião sobre as biografias não autorizadas? Aceitaria uma sobre você?

Lobão – Claro que sim. Se alguém falasse alguma mentira, era só entrar com um processo. Na medida em que temos fatos históricos que sejam levantados e esclarecidos diante da população, isso é um benefício para a cultura do País. Tentar defender a censura a uma autobiografia é uma coisa sórdida.

 

DC – A Facesp e as associações comerciais defendem valores como a livre iniciativa, a liberdade de empreender, o respeito aos contratos, o direito à propriedade, entre outros. Você se identifica com esses valores?

Lobão – Perfeitamente. A maior civilização que a história já nos brindou foi a norte-americana, que também defende essas ideias. A cartilha da Constituição americana é uma das coisas mais preciosas já produzidas pela mente humana em termos de organização social e política. Infelizmente muitos no Brasil coíbem moralmente o lucro, como se fosse uma coisa errada. No entanto, ele faz parte do negócio. Trata-se da mola propulsora do desenvolvimento da civilização. Enquanto tivermos uma sociedade com essa aversão, estaremos sempre na Terra do Nunca.

5 months ago

LOBÃO ESTREIA EM VEJA

LOBÃO ESTREIA EM VEJA

5 months ago

LOBÃO ESTREIA EM VEJA SEU PORRETE CONTRA A ESQUERDA

Matéria original publicada em 10/11/13, por Brasil 247.

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(Foto: Rui Mendes)

Músico e escritor consegue sua carteira de sócio no clube do qual já fazem parte nomes como Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Demétrio Magnoli e Rodrigo Constantino; é colunista de Veja e tem uma missão: descer o sarrafo em qualquer coisas que se aproxime minimamente da esquerda; na primeira coluna ele ataca “a era do rebelde chapa-branca” e critica MST, Racionais, José Genoino, Chico Buarque, Caetano Veloso e Mídia Ninja; Lobão anuncia que seu esporte será “épater la gauche”, ou seja, chocar a esquerda; “golaço”, festeja Constantino; no Brasil, a direita se organiza.


247 - “Espetacular a estreia de Lobão JL Woerdenbag Filho na Veja Impressa! Simplesmente desceu o sarrafo, sem dó nem piedade, nos ‘rebeldes chapa-branca’, aqueles que mamam no sistema e vivem de atacar o sistema. Racionais, Gil, Caetano, Chico Buarque, Paula Lavigne, a turma toda da ESQUERDA CAVIAR citada nessa coluna imperdível. Golaço da Veja!”.

 

Assim falou Rodrigo Constantino, o mais caricato personagem da direita brasileira, em sua página no Facebook, neste fim de semana. O motivo de tamanho entusiasmo é a estreia de Lobão, autor de “Manifesto do Nada na Terra do Nunca” como colunista de Veja. Foi como se dissesse “Bem-vindo ao clube”. Um clube neocon do qual fazem parte nomes como Reinaldo Azevedo, Demétrio Magnoli, Augusto Nunes e o próprio Constantino. Todos unidos pelo ódio a Lula, ao PT e a qualquer coisa que se aproxime minimamente do conceito de esquerda.

 

Sim, a direita no Brasil se organiza e sua mais nova aquisição é Lobão. Um nome que não dissimula suas intenções. Na sua coluna de estreia, chamada “A era do rebelde chapa-branca”, ele abre o jogo no último parágrafo:

 

"Estou inaugurando com muito orgulho e entusiasmo minha coluna em VEJA. Não é fortuito o nosso encontro, assim como não é por acaso que se percebe a sociedade civil começando a se organizar para repensar a nossa condição atual. Tentarei tratar dessa miséria que nos assola como se estivesse praticando um novo esporte: épater la gauche. Essa turma está imprimindo o ridículo em sua própria história. E desse vexame não escapará."

 

Lobão se inspirou no poeta francês Baudelaire, que dizia ser necessário “épater le bourgeois”, ou seja, chocar a burguesia. Mas sua intenção é fazer o mesmo com a esquerda brasileira. Em seu texto de estreia, os alvos são o MST, os Racionais, Carlos Marighella, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e José Genoino, entre outros alvos. Lobão condena, por exemplo, que “o Chico, lá da França, assina carta de apoio ao Genoino”. Segundo ele, “são os nossos coronéis chapa-branca solando de cavaquinho”.

 

Sobre os demais, as críticas seguem um padrão previsível. Mariguella teria lutado para “implantar uma ditadura sanguinolenta” – e não para enfrentar uma ditadura. Pablo Capilé seria malvado por questionar o direito autoral, Caetano leva um cascudo por achar “muderno” o que Lobão classifica como retrocesso e Gil teria como uma de suas crias o “Fora do Eixo”.

 

Lobão chegou lá. Ganhou seu porrete para, ao lado dos novos amigos, descer o sarrafo na esquerda. Mas quem será que está “imprimindo o ridículo em sua própria história”: a esquerda ou o próprio Lobão?

5 months ago