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Lobão, músico e escritor: “É uma delícia provocar a fúria dos idiotas”
Antropofagia: “Sempre achei uma certa lorota”. Oswald de Andrade: “Lendo seus livros me dei conta que discordávamos absolutamente sobre tudo”. Comissão da Verdade: “É psicótico as pessoas quererem contar apenas um lado da história”. Música popular brasileira: “A MPB hoje beira a demência”. Dilma Rousseff: “Uma verdadeira anta, que fala mal, pensa mal”.
 
Isto é puro Lobão, o músico e escritor que acaba de lançar Manifesto do nada na terra do nunca. O livro, que segue escalando posições nas listas dos mais vendidos, começou a fazer barulho antes mesmo de ser distribuído pela editora. “Quem lê, adora. Quem não lê, odeia”, resume o autor da obra cuja gestação durou oito meses.
 
A ideia era escrever sobre música. Para sorte dos leitores, Lobão resolveu fazer uma escala na Semana de Arte Moderna de 1922 ─ e, a partir daí, liberou-se para tratar de inúmeros temas, sempre esbanjando inteligência e humor. “Acredito que estamos vivendo nossa pior época”, reafirma na entrevista. Se pretendem inibir o polemista sem medo, os que amam odiá-lo estão perdendo tempo. “É uma delícia provocar a fúria dos idiotas”, avisa Lobão.
 
Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Lobão, músico e escritor: “É uma delícia provocar a fúria dos idiotas”


Antropofagia: “Sempre achei uma certa lorota”. Oswald de Andrade: “Lendo seus livros me dei conta que discordávamos absolutamente sobre tudo”. Comissão da Verdade: “É psicótico as pessoas quererem contar apenas um lado da história”. Música popular brasileira: “A MPB hoje beira a demência”. Dilma Rousseff: “Uma verdadeira anta, que fala mal, pensa mal”.

 

Isto é puro Lobão, o músico e escritor que acaba de lançar Manifesto do nada na terra do nunca. O livro, que segue escalando posições nas listas dos mais vendidos, começou a fazer barulho antes mesmo de ser distribuído pela editora. “Quem lê, adora. Quem não lê, odeia”, resume o autor da obra cuja gestação durou oito meses.

 

A ideia era escrever sobre música. Para sorte dos leitores, Lobão resolveu fazer uma escala na Semana de Arte Moderna de 1922  e, a partir daí, liberou-se para tratar de inúmeros temas, sempre esbanjando inteligência e humor. “Acredito que estamos vivendo nossa pior época”, reafirma na entrevista. Se pretendem inibir o polemista sem medo, os que amam odiá-lo estão perdendo tempo. “É uma delícia provocar a fúria dos idiotas”, avisa Lobão.

 

Parte 1

Parte 2

Parte 3


Parte 4

Parte 5

5 days ago

Fala, Lobão! (1)Matéria publicada em 10/06/2013 
A partir desta segunda-feira, a coluna vai publicar trechos do livro mais recente do Lobão ─ Manifesto do Nada na Terra do Nunca ─ que melhoram o dia e a cabeça dos leitores. Seguem-se os quatro primeiros:
(Página 23)
Num clima de estupidez ideológica, estelionato intelectual ou, simplesmente, suborno, a grande parte dos artistas, dos cineastas, da imprensa e dos intelectuais está nocauteada. Quem ousa tecer algum comentário um pouco mais crítico sobre a realidade que nos rodeia acaba sofrendo violências morais e psicológicas, sempre no intuito de eliminar o interlocutor.
Como somos seres ungidos por uma natureza customizada que nos distingue do resto da humanidade, resolvemos optar por essa forma de perceber o mundo, absolutamente destacada de qualquer resíduo de razoabilidade. Somos o suprassumo da precariedade, a nata da malandragem agúlhica, de um nacionalismo chauvinista, e isso nos dá uma noção meio psicodélica de superioridade em relação ao restante dos outros meros mortais espalhados pelo planeta. 
Talvez esse comportamento seja fruto de um tipo coletivo de bipolaridade em que a alegria é um imperativo maníaco-depressivo. Somos o povo mais alegre do mundo!
Nessa maneira singular de encarar a vida, nasce uma espécie muito peculiar que reina soberana na nossa terra, patrulhando incautos e dando carteiradas nos descontentes, filha de um marxismo guarani-kaiowá de butique, uma espécie que, apesar de sua aparente e impositiva festividade carnavalesca, é a encarnação vívida da ofensa, da obtusidade e do recalque: o carola estatizado. 
(Páginas 24 e 25)Um dia, após chegar de uma turnê, comentei no Twitter que estava irritadíssimo com a infraestrutura do país, as estradas federais numa buraqueira dos infernos, sem sinalização, sem iluminação, os aeroportos caindo aos pedaços, superlotados, voos atrasados, ou seja, não era algo que eu havia lido por aí: eu tinha acabado de vivenciar, de sofrer na pele a precariedade da parada.
Pois bem, por essa declaração, fui instantaneamente admoestado por ofendidíssimos legionários governistas a bradar que o Brasil está muito melhor, que nunca estivemos tão bem, que aquela declaração era puro preconceito, e, sendo assim, fui sumariamente diagnosticado como… brasil-fóbico!
É a verdadeira Terra do Nunca, onde nos recusamos a crescer e com uma religião de Estado promovida por autoproclamados progressistas: os nossos carolas estatizados.
(Página 35)Nosso imaginário coletivo também vive se retroalimentando de conceitos herdados de “heróis libertários”, sempre os mesmos. Já repararam? É o Lamarca, o Marighella ou qualquer outro que se autoproclame um ex-guerrilheiro combatente da ditadura militar. Símbolos em repetição buscando uma performance ideológica e existencial que se afaste de qualquer desvio ou oposição da norma. A reação é a situação. Marcação cerrada.
Essa compreensão da palavra “libertário” ganhou contornos próprios e, não raro, transmite justamente o contrário de seu significado original.
O libertário é, na viciada compreensão generalizada, uma criatura que pegou em armas nos anos 1960 para impor uma ditadura no Brasil, com o álibi capenga de lutar contra uma outra ditadura. Qualquer ditadura é injustificável, e esse pessoal, com raríssimas exceções, teima patologicamente em negar esse singelo detalhe. Anseiam de maneira apaixonada que Cuba seja aqui.

Hoje em dia, não conseguir enxergar e abominar o que acontece em Cuba é, no mínimo, imoral, quanto mais apoiar! E o governo do PT é associado e cofundador do Foro de São Paulo (Lula & Fidel), que visa implementar uma ditadura do proletariado continental, tipo uma União Soviética chicana. Tem gente que acha essa realidade, repleta de provas e fatos, uma simples teoria da conspiração.
(Página 53)Nao conseguimos aprender com a sucessão dos fatos, não conseguimos nos desprender das mesmas ideias que nos paralisam. Morremos de medo de sermos comparados com o mundo civilizado e desmascarados diante da nossa mediocridade, soberba, inoperância e importência. 

Matéria Original: Coluna do Augusto Nunes/ Veja

Fala, Lobão! (1)
Matéria publicada em 10/06/2013 

A partir desta segunda-feira, a coluna vai publicar trechos do livro mais recente do Lobão ─ Manifesto do Nada na Terra do Nunca ─ que melhoram o dia e a cabeça dos leitores. Seguem-se os quatro primeiros:

(Página 23)

Num clima de estupidez ideológica, estelionato intelectual ou, simplesmente, suborno, a grande parte dos artistas, dos cineastas, da imprensa e dos intelectuais está nocauteada. Quem ousa tecer algum comentário um pouco mais crítico sobre a realidade que nos rodeia acaba sofrendo violências morais e psicológicas, sempre no intuito de eliminar o interlocutor.

Como somos seres ungidos por uma natureza customizada que nos distingue do resto da humanidade, resolvemos optar por essa forma de perceber o mundo, absolutamente destacada de qualquer resíduo de razoabilidade. Somos o suprassumo da precariedade, a nata da malandragem agúlhica, de um nacionalismo chauvinista, e isso nos dá uma noção meio psicodélica de superioridade em relação ao restante dos outros meros mortais espalhados pelo planeta. 

Talvez esse comportamento seja fruto de um tipo coletivo de bipolaridade em que a alegria é um imperativo maníaco-depressivo. Somos o povo mais alegre do mundo!

Nessa maneira singular de encarar a vida, nasce uma espécie muito peculiar que reina soberana na nossa terra, patrulhando incautos e dando carteiradas nos descontentes, filha de um marxismo guarani-kaiowá de butique, uma espécie que, apesar de sua aparente e impositiva festividade carnavalesca, é a encarnação vívida da ofensa, da obtusidade e do recalque: o carola estatizado. 

(Páginas 24 e 25)
Um dia, após chegar de uma turnê, comentei no Twitter que estava irritadíssimo com a infraestrutura do país, as estradas federais numa buraqueira dos infernos, sem sinalização, sem iluminação, os aeroportos caindo aos pedaços, superlotados, voos atrasados, ou seja, não era algo que eu havia lido por aí: eu tinha acabado de vivenciar, de sofrer na pele a precariedade da parada.

Pois bem, por essa declaração, fui instantaneamente admoestado por ofendidíssimos legionários governistas a bradar que o Brasil está muito melhor, que nunca estivemos tão bem, que aquela declaração era puro preconceito, e, sendo assim, fui sumariamente diagnosticado como… brasil-fóbico!

É a verdadeira Terra do Nunca, onde nos recusamos a crescer e com uma religião de Estado promovida por autoproclamados progressistas: os nossos carolas estatizados.

(Página 35)
Nosso imaginário coletivo também vive se retroalimentando de conceitos herdados de “heróis libertários”, sempre os mesmos. Já repararam? É o Lamarca, o Marighella ou qualquer outro que se autoproclame um ex-guerrilheiro combatente da ditadura militar. Símbolos em repetição buscando uma performance ideológica e existencial que se afaste de qualquer desvio ou oposição da norma. A reação é a situação. Marcação cerrada.

Essa compreensão da palavra “libertário” ganhou contornos próprios e, não raro, transmite justamente o contrário de seu significado original.

O libertário é, na viciada compreensão generalizada, uma criatura que pegou em armas nos anos 1960 para impor uma ditadura no Brasil, com o álibi capenga de lutar contra uma outra ditadura. Qualquer ditadura é injustificável, e esse pessoal, com raríssimas exceções, teima patologicamente em negar esse singelo detalhe. Anseiam de maneira apaixonada que Cuba seja aqui.

Hoje em dia, não conseguir enxergar e abominar o que acontece em Cuba é, no mínimo, imoral, quanto mais apoiar! E o governo do PT é associado e cofundador do Foro de São Paulo (Lula & Fidel), que visa implementar uma ditadura do proletariado continental, tipo uma União Soviética chicana. Tem gente que acha essa realidade, repleta de provas e fatos, uma simples teoria da conspiração.

(Página 53)
Nao conseguimos aprender com a sucessão dos fatos, não conseguimos nos desprender das mesmas ideias que nos paralisam. Morremos de medo de sermos comparados com o mundo civilizado e desmascarados diante da nossa mediocridade, soberba, inoperância e importência.
 

Matéria Original: Coluna do Augusto Nunes/ Veja

1 week ago

MANIFESTO DO NADA NA TERRA DO NUNCA(Texto por: Marco Antonio Ribeiro) 
Na edição 783 de uma certa revista semanal, me deparei com uma matéria sobre os “heróis” que marcaram os quinze anos de existência da publicação. Fiquei estarrecido ao ver que nomes como I.Sangalo, J.Paes, A.M Braga e R.Nazário estavam presentes. Que diabos eles fizeram para serem chamados de heróis?? Se fosse usada a palavra influente, tudo bem. Mas Herói? Na minha concepção ingênua, herói é a pessoa que fez algo extraordinário, um ato  - sem querer ser pleonástico e já sendo-  heróico. Como dizia Forrest Gump, estúpido é quem faz coisas estúpidas. Seguindo a lógica Gampesca, herói é quem faz coisas heróicas. Não é o caso, em absoluto, da maioria das figuras mencionadas na matéria, pelo menos na minha opinião.Mas enfim…

Pegando o gancho deste contexto, tem um cara que eu considero um herói. Chama-se João Luiz Woerdenbag Filho, vulgo Lobão. Muitos o chamam de louco mas, como ele próprio já mencionou, a loucura é tão clara quanto o escuro da lucidez (adoro essa frase). E por que é lugar comum, clichê mesmo, chamar Lobão de doidão? Porque ele já foi preso por causa de drogas? Não creio. Tantos já foram e não foram brindados com essa alcunha. É pelo fato de ele falar o que pensa, ser coerente com o que prega, não levar desaforo pra casa, não se contentar com o status quo, com as imbecilidades que surgem como erva daninhas no cenário político, cultural e social. Falar o que pensa não é politicamente correto, sabiam? O normal é ver as coisas acontecendo pasmaceiramente, com cara de paisagem.  Quem ousa contestar, sair das amarras do usual, é considerado maluco (também sou uma prova viva dessa verdade absoluta).




Com o livro MANIFESTO DO NADA NA TERRA DO NUNCA (editora Nova Fronteira), Lobão presta um serviço ao povo brasileiro. Que serviço? INFORMAR de forma clara e corajosa, diversos assuntos que fazem parte, direta ou indiretamente, do cidadão urbano. Tais informações, redigidas de forma leves e acessíveis, servem, dentre outras coisas,  para possibilitar aos leitores um insight que os levem a analisar, de forma crítica, certos conceitos que, aparentemente, seriam imutáveis, intocáveis e indizíveis. Lobão tem sua opiniões firmes, bem colocadas  e não se isenta em afirmar que se envergonha, se entristece e se aborrece com tanta coisa errada que existe no país da governanta Dilma mas, ao contrário da maioria da população que recorre aos ópios disponíveis nas TVs, redes sociais e campos de futebol, ele pôe a boca no mundo e o dedo no teclado.




Quem acompanha sua trajetória sabe que ele é incansável. Nunca se entregou, sempre contestou. Ganhou fama pelos seus clássicos musicais mas também pela sua atitude. Ousou desafiar monstros sagrados da indústria e da cultura, apoiou e desapoiou partido político, colocou o dedo na ferida de entidades quase unânimes e pagou o preço, às vezes alto demais. Estigmatizado, luta para para se fazer ouvir e achou na literatura uma parceira ideal para sua música. Não como Chico Buarque ou Tony Belloto. A acidez de suas composições mais recentes tem uma linha paralela com seu discurso impresso. Não se percebe incoerência. Se voce prestar atenção, abrir o coração, vai concordar com a maior parte de suas sábias elucubrações. Muitas vezes, ter razão incomoda, é desconfortável para muita gente. Por conta disso, existe uma campanha velada para cultuar uma imagem de inconsequente ao compositor de Vida Bandida. Uma raiva plantada de forma estratégica. Mas, como ele menciona em um dos capítulos: quem tiver tempo para me odiar, pelo menos me odeiem com algum embasamento.




Pensando exageradamente, eu poderia até considerar MANIFESTO como uma espécie de bíblia contemporânea que injeta ideias inovadoras nas mentes viciadas do inocente útil brasileiro ao longo de suas quase 250 páginas. É um livro para ser lido com atenção e reflexão. Seu tom tragicômico (sim, porque tem fatos contados que só rindo para não chorar) leva o leitor a pensar sobre o quanto são obscuras as instituições ligadas a política e cultura (ministério, ECAD, sindicatos, produtoras) e como é distorcido o discurso que chega até o público. Lobão ousou contestar coisas que ninguém do meio artístico faria em público, apesar de acreditar na idéia. Por exemplo, o direito do portador de carteira de estudante pagar meia entrada sem a devida reposição para o artista, como é feito aos médicos pelos Planos de Saúde  – em certo momento, ele dispara : você gostaria de ter o seu salário cortado em 50% no fim do mês?  Outro tiro na testa é a desmitificação da figura de Che Guevara, mencionado como um assassino sanguinário, para desespero de milhares de universitários empolgadinhos, alimentados com iogurte e biscoitinho de maisena, que vestem camiseta com a estampa do cubano e se acham Os Revolucionários (de apartamento).  
 
A diversão fica por conta da experiência do Lobo em terras Amazônicas, quando foi gravar um programa de caráter investigativo para uma emissora de TV aberta. Impossível não rir quando ele narra, dentre outros percalços que não foram ao ar, o sufoco que passou no Rio Negro, quando dormiu apertado em uma rede, no corredor da embarcação (todo mundo que passava esbarrava nele), com um calor sufocante e ouvindo tecnobrega das 8h00 às 22h00. Fora o banho no banheiro sujo, cheio de baratas. Não é pra qualquer um não, mermão.
 
Nota: este programa está disponível no link abaixo.(Link: Lobão a procura de ouro)




Por tudo isso e por mais uma porção de outras coisas, o cara deve ser reconhecido como um (super) herói , mas não um Super Homem, Homem de Ferro ou Hulk e sim um Don Quixote que luta contra os moinhos de vento ou um Davi, que enfrenta um gigante com fenda e umas pedrinhas. Mas alguém já disse que herói é aquele que não teve tempo de fugir. Se assim for, Lobão não é herói porque não foge à luta  e apesar de, muitas vezes, perder uma ou outra batalha, se mantêm firme na guerra. No entanto, apesar de sua determinação quase agressiva, o velho Xurupito é um doce. Usando suas próprias palavras Jamais trataria mal quem quer que fosse, mas não abriria mão de deixar a minha opinião bem clara para o público. Um pouco de petulância não faz mal a ninguém, certo? Quem ficar chateadinho que vá reclamar ao bispo.
 
No geral, MANIFESTO é apaixonante, daquele tipo que não se quer largar até terminar de ler e quando termina, bate até saudade. Além de divertir e informar, também serve como ponto de partida para, quem quiser, se aprofundar nos assuntos levantados, que não são poucos.  Quer saber mais? Vá procurar!!


Fonte: Tripa ViradaMatéria original publicada em 02/06/2013 

MANIFESTO DO NADA NA TERRA DO NUNCA
(Texto por: Marco Antonio Ribeiro) 

Na edição 783 de uma certa revista semanal, me deparei com uma matéria sobre os “heróis” que marcaram os quinze anos de existência da publicação. Fiquei estarrecido ao ver que nomes como I.Sangalo, J.Paes, A.M Braga e R.Nazário estavam presentes. Que diabos eles fizeram para serem chamados de heróis?? Se fosse usada a palavra influente, tudo bem. Mas Herói? Na minha concepção ingênua, herói é a pessoa que fez algo extraordinário, um ato  - sem querer ser pleonástico e já sendo-  heróico. Como dizia Forrest Gump, estúpido é quem faz coisas estúpidas. Seguindo a lógica Gampesca, herói é quem faz coisas heróicas. Não é o caso, em absoluto, da maioria das figuras mencionadas na matéria, pelo menos na minha opinião.Mas enfim…

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Pegando o gancho deste contexto, tem um cara que eu considero um herói. Chama-se João Luiz Woerdenbag Filho, vulgo Lobão. Muitos o chamam de louco mas, como ele próprio já mencionou, a loucura é tão clara quanto o escuro da lucidez (adoro essa frase). E por que é lugar comum, clichê mesmo, chamar Lobão de doidão? Porque ele já foi preso por causa de drogas? Não creio. Tantos já foram e não foram brindados com essa alcunha. É pelo fato de ele falar o que pensa, ser coerente com o que prega, não levar desaforo pra casa, não se contentar com o status quo, com as imbecilidades que surgem como erva daninhas no cenário político, cultural e social. Falar o que pensa não é politicamente correto, sabiam? O normal é ver as coisas acontecendo pasmaceiramente, com cara de paisagem.  Quem ousa contestar, sair das amarras do usual, é considerado maluco (também sou uma prova viva dessa verdade absoluta).


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Com o livro MANIFESTO DO NADA NA TERRA DO NUNCA (editora Nova Fronteira), Lobão presta um serviço ao povo brasileiro. Que serviço? INFORMAR de forma clara e corajosa, diversos assuntos que fazem parte, direta ou indiretamente, do cidadão urbano. Tais informações, redigidas de forma leves e acessíveis, servem, dentre outras coisas,  para possibilitar aos leitores um insight que os levem a analisar, de forma crítica, certos conceitos que, aparentemente, seriam imutáveis, intocáveis e indizíveis. Lobão tem sua opiniões firmes, bem colocadas  e não se isenta em afirmar que se envergonha, se entristece e se aborrece com tanta coisa errada que existe no país da governanta Dilma mas, ao contrário da maioria da população que recorre aos ópios disponíveis nas TVs, redes sociais e campos de futebol, ele pôe a boca no mundo e o dedo no teclado.


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Quem acompanha sua trajetória sabe que ele é incansável. Nunca se entregou, sempre contestou. Ganhou fama pelos seus clássicos musicais mas também pela sua atitude. Ousou desafiar monstros sagrados da indústria e da cultura, apoiou e desapoiou partido político, colocou o dedo na ferida de entidades quase unânimes e pagou o preço, às vezes alto demais. Estigmatizado, luta para para se fazer ouvir e achou na literatura uma parceira ideal para sua música. Não como Chico Buarque ou Tony Belloto. A acidez de suas composições mais recentes tem uma linha paralela com seu discurso impresso. Não se percebe incoerência. Se voce prestar atenção, abrir o coração, vai concordar com a maior parte de suas sábias elucubrações. Muitas vezes, ter razão incomoda, é desconfortável para muita gente. Por conta disso, existe uma campanha velada para cultuar uma imagem de inconsequente ao compositor de Vida Bandida. Uma raiva plantada de forma estratégica. Mas, como ele menciona em um dos capítulos: quem tiver tempo para me odiar, pelo menos me odeiem com algum embasamento.


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Pensando exageradamente, eu poderia até considerar MANIFESTO como uma espécie de bíblia contemporânea que injeta ideias inovadoras nas mentes viciadas do inocente útil brasileiro ao longo de suas quase 250 páginas. É um livro para ser lido com atenção e reflexão. Seu tom tragicômico (sim, porque tem fatos contados que só rindo para não chorar) leva o leitor a pensar sobre o quanto são obscuras as instituições ligadas a política e cultura (ministério, ECAD, sindicatos, produtoras) e como é distorcido o discurso que chega até o público. Lobão ousou contestar coisas que ninguém do meio artístico faria em público, apesar de acreditar na idéia. Por exemplo, o direito do portador de carteira de estudante pagar meia entrada sem a devida reposição para o artista, como é feito aos médicos pelos Planos de Saúde  – em certo momento, ele dispara : você gostaria de ter o seu salário cortado em 50% no fim do mês?  Outro tiro na testa é a desmitificação da figura de Che Guevara, mencionado como um assassino sanguinário, para desespero de milhares de universitários empolgadinhos, alimentados com iogurte e biscoitinho de maisena, que vestem camiseta com a estampa do cubano e se acham Os Revolucionários (de apartamento). 

 

A diversão fica por conta da experiência do Lobo em terras Amazônicas, quando foi gravar um programa de caráter investigativo para uma emissora de TV aberta. Impossível não rir quando ele narra, dentre outros percalços que não foram ao ar, o sufoco que passou no Rio Negro, quando dormiu apertado em uma rede, no corredor da embarcação (todo mundo que passava esbarrava nele), com um calor sufocante e ouvindo tecnobrega das 8h00 às 22h00. Fora o banho no banheiro sujo, cheio de baratas. Não é pra qualquer um não, mermão.

 

Nota: este programa está disponível no link abaixo.
(Link: Lobão a procura de ouro)


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Por tudo isso e por mais uma porção de outras coisas, o cara deve ser reconhecido como um (super) herói , mas não um Super Homem, Homem de Ferro ou Hulk e sim um Don Quixote que luta contra os moinhos de vento ou um Davi, que enfrenta um gigante com fenda e umas pedrinhas. Mas alguém já disse que herói é aquele que não teve tempo de fugir. Se assim for, Lobão não é herói porque não foge à luta  e apesar de, muitas vezes, perder uma ou outra batalha, se mantêm firme na guerra. No entanto, apesar de sua determinação quase agressiva, o velho Xurupito é um doce. Usando suas próprias palavras Jamais trataria mal quem quer que fosse, mas não abriria mão de deixar a minha opinião bem clara para o público. Um pouco de petulância não faz mal a ninguém, certo? Quem ficar chateadinho que vá reclamar ao bispo.

 

No geral, MANIFESTO é apaixonante, daquele tipo que não se quer largar até terminar de ler e quando termina, bate até saudade. Além de divertir e informar, também serve como ponto de partida para, quem quiser, se aprofundar nos assuntos levantados, que não são poucos.  Quer saber mais? Vá procurar!!


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Fonte: Tripa Virada
Matéria original publicada em 02/06/2013
 

2 weeks ago

CARTA ABERTA A JUREMIR MACHADO

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CARTA ABERTA A JUREMIR MACHADO

Caro Juremir,


Depois de ler o seu ataque à minha pessoa na sua coluna no Jornal gaúcho “Correio do Povo”, fico obrigado a respondê-lo através dessa carta para maiores esclarecimentos, senão ao senhor, pelo menos aos seus leitores e a quem interessar possa. Vamos por ítens:


1.    Já que começou ressaltando que fui entrevistado no seu programa “Esfera Pública”, poderia arrematar também que fui sumariamente retirado do ar.


2.    Quando afirma peremptoriamente ter lido o livro, das duas, uma: Ou mente descaradamente, ou, se o leu (o que, nesse caso, é tão grave quanto), tem sérios problemas cognitivos, ou pior ainda, um profundo desvio de caráter.


3.    Recorrer a essa pouco enobrecedora mania de tentar despotencializar o meu discurso através de uma tática torpe em desfazer o meus méritos reais e dissimular ignorar a real importância da minha carreira musical chega a ser ingênuo e, com todo o respeito, de  uma imbecilidade comprometedora. Se por acaso o senhor tem vivido aqui no Brasil nos últimos 30 anos sem perceber a minha presença no imaginário coletivo nacional nem a minha contribuição para a música popular brasileira,posso lhe refrescar a memória,muito embora, sendo bastante constragedor para  qualquer  pessoa que tenha um nível médio de informação e no seu caso  específico,para um jornalista de razoável credibilidade, jactar-se de ignorar uma trajetória de um compositor que fez canções como, Me Chama, Corações Psicodélicos, Essa Noite Não, Revanche, Noite e Dia, Vida Bandida, Vida Louca Vida, Rádio Blá, Chorando no Campo, A Vida é Doce, Canos Silenciosos, Por Tudo que For e outras tantas mais é assinar atestado de analfabetismo musical ou exibição de pura má fé.


4.    Resumir  “em uma linha: uma mala” uma autobiografia de quase 600 páginas de indubitável  complexidade é realmente lamentável para qualquer pessoa que honre sua dignidade pessoal  quanto mais tendo a responsabildade de assinar uma coluna em um jornal de grande circulação.


5.    Querer consubstancializar um significado próprio de “Nada” para me “nadificar” é uma medida muito pouco inteligente para não dizer vulgar e preconceituosa. Está claro que o senhor fez questão de  dar umas pinceladas no texto e se ater à orelha e com isso, se expôr ao vexame público, uma vez que o livro é um fenômeno editorial e contará com milhares de leitores atentos.


6.    Acredito que seja um mal negócio para o senhor projetar a sua própria malandragem e seu “teto moral” de pouquíssima envergadura em quem, (e muito pelo contrário!) em momento algum usou desse expediente pouco recomendável, principalmente quando a própria malandragem é um dos alvos críticos do livro.


7.    Se a carapuça de Nada no sentido de coisa alguma e de reacionário lhe servem, fique sabendo que a mim, não servem de modo algum. No seu afã de querer aniquilar a validade do meu discurso, deixou de perceber sua ironia e com isso, escapar-lhe o real significado.


8.   Reduzir  toda a complexidade do meu ensaio sobre a antropofagia afirmando “não passar de nacionalismo”, ou “ter moldado nosso pensamento” é de um simplismo galopante. O último capítulo do livro é uma mergulho e uma invasão poética no Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade e uma abordagem, se não quiser constatar a habilidade literária, o humor e a pertinência, é, no mínimo, inédita  na história da literatura brasileira.


9.    Retomar viciosamente a maneira reducionista e simplória  em travestir minha crítica em ataques pessoais ao Roberto Carlos é uma atitude tacanha e distorcedora do significado real do texto. Se teve tempo em reparar nas partes sardônicas, parece que se absteve de prestar atenção aos meus elogios e a constatação de que Roberto Carlos foi um herói na minha formação. Do mesma forma isso serve aos Racionais MCs, quando deixo claro minha admiração e sua influência em canções como El Desdichado 2. Mas isso não parece ser muito conveniente para a sua construção delirante de uma  falsa realidade.


10.    Outra coisa que gostaria muito de saber é aonde o senhor leu qualquer alusão que fosse sobre a Dilma Roussef ser uma torturadora no livro. O senhor tomou um ácido? O capítulo em que cito a presidente é de um extremo cuidado em não condenar ninguém e mesmo sendo muito duro com a presidente e a Comissão  Nacional da Verdade,em nenhum momento suponho sequer a Dilma ter sido uma torturadora e sim uma terrorista.


11.    Se referir à minha pessoa como “Nada Lobão” ou “escritor” é de uma deselegância um tanto histérica e um desrespeito gratuito e grosseiro que só maculam sua credibilidade.


12.    Gostaria de lembrar ao jornalista Juremir que reacionário seria aquele que, de forma irracional, iracunda e precipitada comete uma ejaculação precoce intelectual em cultivar o ódio através de seus inconfessáveis recalques e impotências transformando-os em julgamentos desleais,desonestos e inverdadeiros.


13.    E para finalizar, chego à conclusão que o senhor está exatamente no escopo do intelectual(óide) de esquerda de que tanto falo no livro,o tal campeão mundial de punheta de pau mole, e caiu em todas as armadilhas que os incautos e os malandros-agulha inevitavelmente caem. É como eu mesmo advirto em um dos versos do poema do prólogo: “É subestimando o inimigo que se perdem as guerras e , desde já agradeço vossa desatenção”.

Lobão

3 weeks ago

Manifesto do Nada na Terra do Nunca: o tal do livro do Lobão

Nem bem Manifesto do Nada na Terra do Nunca (Editora Nova Fronteira, 247 páginas) foi lançado e Lobão já está lá, de luvas postas, de seu lado do córner, esperando a sineta tocar para que o seu combate contra a bundamolice intelectual tivesse início. Prevenido, já adianta, aos leitores e críticos, os próximos capítulos, logo na orelha do novo rebento: “É certo que muita gente vai criticar este livro só de orelhada, a partir de frases tiradas do contexto e de uma visão estereotipada de seu autor”.

E não é que, dessa vez, Lobão tinha razão?

 

O que se viu nestes últimos dias foram declarações ofensivas, frases sensacionalistas e artigos dos mais baixos possíveis defenestrando-o por causa de factoides criados pela própria imprensa. Nomes, como Paula Lavigne, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Mano Brown, figuravam em notas nos portais de notícias desse nosso ciberespaço de meu Deus. Teve até chamado para a briga, advindo do líder dos Racionais MCs.

 

Achei tudo isso engraçado demais, porque tinha a certeza de que muitos que o estavam criticando, senão todos, e rebatendo pseudo-acusações, ainda não tinham lido nem sequer dois capítulos do tal “Manifesto Lobônico”. O livro nem ao menos tinha sido lançado, quando essas polêmicas surgiram. Ou seja, outra vez, a “imparcialidade” da imprensa nos pregou mais uma peça daquelas. Estavam criticando um livro que não tinham lido.

Mesmo assim, o estrago estava causado. Seja para o bem, já que haveria muitos curiosos adquirindo a obra somente para ler os pensamentos do velho lobo sobre os assuntos que pipocaram na imprensa; seja para o mal, uma vez que muitas pessoas já leriam o livro com uma veemente má vontade, procurando sustentáculos para suas críticas ao cantor. Adquiri a obra nem bem ela chegara às prateleiras das livrarias de São Paulo.

Acompanho de perto o trabalho de Lobão. Admiro suas músicas, sua batalha, mesmo que vista de outra forma, em defesa da classe musical e, acima de tudo, sua coragem para expor opiniões sobre quaisquer assuntos, mesmo que elas sejam divergentes do senso comum. Concordo com tudo que ele diz? Mas é claro que não! Se concordasse, me chamaria João Luiz Woerdenbag Filho e seria Lobão. No entanto, respeito-o, assim como qualquer pessoa que tenha pensamentos que divergem dos meus.


Descompasso entre livro e repercussão

Voltando ao livro, devorei-o em menos de dois dias. E, sinceramente, ao terminá-lo, tive a sensação de que algo estava em desacordo com o que estava acompanhando nos veículos de imprensa. O livro está longe de ser uma metralhadora giratória, como a mídia o estava vendendo, e os supostos alvos citados nas reportagens não passam de meros exemplos dentro de um contexto muito bem dissecado por Lobão, na explanação de seus pensamentos.

O livro nada mais é do que a exposição de pensamentos de um indivíduo que pensa diferente do status quo, da grande massa. Com várias passagens engraçadíssimas e outras mais sérias, mais argumentativas, Lobão tenta apresentar suas ideias da forma mais clara possível, seja debatendo situações que não são debatidas pelo grande público, como a Comissão Nacional da Verdade, criada pela presidente Dilma Rousseff, seja explicando mal-entendidos, como sua recusa em tocar no festival alternativo Lollapalooza e sua saída do programa “A Liga”, da Rede Bandeirantes.


Nada demais

Ao contrário do que muitos esperavam, Manifesto do Nada na Terra do Nunca é um bom livro, mesmo sendo um dos muitos rounds da luta “Lobão x Críticos”. Mostra que o autor estudou bastante para poder expor seus argumentos mais sérios de forma bastante embasada, e, ainda assim, consegue arrancar boas risadas com algumas situações inusitadas que perpassaram sua história recente.

É claro que, por ser um livro escrito por um indivíduo que expõe suas opiniões sobre determinados assuntos, ele se mostra bem parcial em certas partes. Eu mesmo não concordo com algumas celeumas levantadas por Lobão, mas respeito-o por ter, mesmo que de forma equivocada em alguns casos, tocado na ferida, a fim de suscitar um debate mais qualificado, mais intelectualizado sobre temas que merecem a atenção do povo brasileiro, como a Lei Rouanet, a via de mão dupla que é o preconceito, desilusões políticas, entre outros assuntos.

O que a repercussão desse livro está mostrando é que, nos dias de hoje, está cada vez mais difícil manter um debate intelectual no Brasil. Discordâncias ideológicas são levadas para o lado pessoal, e divergências de ideias, mesmo que embasadas em argumentos firmes, caso não façam parte do formato de um pensamento vigente, são descaracterizadas única e simplesmente por ser diferentes. Esmeram-se em combater as opiniões contrárias, ao invés de conviver pacificamente com elas.

Sem proselitismos, mesmo que inevitáveis, tenho visto certos partidos, algumas mídias, determinadas universidades e outras lideranças lutando, cada vez mais, pelo cerceamento das opiniões divergentes, querendo que todos pensem da mesma forma, assistam às mesmas coisas e leiam os mesmos livros.

E sem as divergências, o que nos sustentará como cidadãos, no futuro?

Abaixo, reproduzo alguns trechos do livro que julgo interessantes:

“Amamos a pobreza. O que mais me impressiona é a quantidade de gênios que nossa cultura produz, a formular teorias incríveis no intuito de proteger esse patrimônio de que, tristemente, acostumamos a nos envaidecer. Isso gerou uma forma singular de autoengano: nos achamos especiais através dos nossos piores defeitos.”

“E quanto ao rap? Bem, o rap e o hip-hop, em geral, estão vivendo momentaneamente como reféns do simplismo e do populismo da cartilha do partido do governo. (…) A atitude deles é essa, sempre: se você não é mano, você é um ser repugnante a ser desprezado.”

“Uma parte substancial da população exige saber a verdade integral. E isso não pode nos ser negado. Qualquer cidadão brasileiro, independente de partido, credo ou convicção político-religiosa, tem o direito de pleitear ao governo e, ao mesmo tempo, à Comissão da Verdade, todas as faces da história. De outra forma, a Comissão da Verdade será apenas uma patética Omissão da Verdade.”

“Somos obrigados a admitir que estamos lidando com sociopatas que não possuem o menor senso de autocrítica e anseiam por aniquilar a convivência com oposições e qualquer tipo de adversário.”

“Sabia que jamais poria os pés naquela produtora outra vez, sabia que nunca mais gravaria para aquele programa outra vez. Olhei para o microfone pendurado na lapela, que ainda estava ligado, dei uma risada de escárnio e devo ter dito algo como ‘Fodam-se todos vocês, seus babacas, fui!’”


Fonte: Whiplash

4 weeks ago

Mais Lobão e menos Chico BuarquePor: (*)  Rodrigo Constantino


“A bundamolice comportamental, a flacidez filosófica e a mediocridade nacionalista se espraiam hegemônicas. Todo mundo aqui almeja ser funcionário público, militante de partido, intelectual subvencionado pelo governo ou celebridade de televisão, amigo”. 
É o músico Lobão com livro novo na área. Trata-se de “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, e sua metralhadora giratória não poupa quase ninguém.
Polêmico, sim. Irreverente, sem dúvida. Mas necessário. As críticas de Lobão merecem ser debatidas com atenção e, de preferência, isenção. O próprio cantor sabia que a patrulha de esquerda viria com tudo. Não deu outra: fizeram o que sabem fazer, que é desqualificar o mensageiro com ataques pessoais chulos, com rótulos como “reacionário” ou “roqueiro decadente”. Fogem do debate.
Lobão tem coragem de remar contra a maré vermelha, ao contrário da esquerda caviar, a turma “radical chic” descrita por Tom Wolfe, que vive em coberturas caríssimas, enxerga-se como moralmente superior, e defende o que há de pior na humanidade. No tempo de Wolfe eram os criminosos racistas dos Panteras Negras os alvos de elogios; hoje são os invasores do MST, os corruptos do PT ou ditadores sanguinários comunistas.
O roqueiro rejeita essa típica visão brasileira de vitimização das minorias, de culpar o “sistema” por crimes individuais, de olhar para o governo como um messias salvador para todos os males. A ideia romântica do “Bom Selvagem” de Rousseau, tão encantadora para uma elite culpada, é totalmente rechaçada por Lobão.
Compare isso às letras de Chico Buarque, ícone dessa esquerda festiva, sempre enaltecendo os “humildes”: o pivete, a prostituta, os sem-terra. A retórica sensacionalista, a preocupação com a imagem perante o grande público, a sensação de pertencer ao seleto grupo da “Beautiful People” são mais importantes, para essas pessoas, do que os resultados concretos de suas ideias.
Vide Cuba. Como alguém ainda pode elogiar a mais longa e assassina ditadura do continente, que espalhou apenas miséria, sangue e escravidão pela ilha caribenha? Lobão, sem medo de ofender os “intelectuais” influentes, coloca os pingos nos is e chama Che Guevara pelos nomes adequados: facínora, racista, homofóbico e psicopata. Quem pode negar? Ninguém. Por isso preferem desqualificar quem diz a verdade.
Lobão, que já foi cabo eleitoral do PT, não esconde seu passado negro, não opta pelo silêncio constrangedor após o mensalão e tantos outros escândalos. Prefere assumir sua “imbecilidade”, como ele mesmo diz, e mudar. A fraude que é o PT, outrora visto como bastião da ética por muitos ingênuos, já ficou evidente demais para ser ignorada ou negada. Compare essa postura com a cumplicidade dos “intelectuais” e artistas, cuja indignação sempre foi bastante seletiva.
Outra área sensível ao autor é a Lei Rouanet, totalmente deturpada. Se a intenção era ajudar gente no começo da carreira, hoje ela se transformou em “bolsa artista” para músicos já famosos e estabelecidos, muitos engajados na política. Lobão relata que recusou um projeto aprovado para uma turnê sua, pois ele já é conhecido e não precisava da ajuda do governo. Compare isso aos ícones da MPB que recebem polpudas verbas estatais, ou que colocam parentes em ministérios, em uma nefasta simbiose prejudicial à independência artística.
O nacionalismo, o ufanismo boboca, que une gente da direita e da esquerda no Brasil, também é duramente condenado pelo escritor. Quem pode esquecer a patética passeata contra a guitarra elétrica que os dinossauros da MPB realizaram no passado? Complexo de vira-latas, que baba de inveja do “império estadunidense”. Dessa patologia antiamericana, tão comum na classe artística nacional, Lobão não sofre. O rock, tal como o conhecimento, é universal. Multiculturalismo é coisa de segregacionista arrogante.
No país do carnaval, futebol e novelas, onde reina a paralisia cerebral, a mesmice, o conformismo com a mediocridade, a voz rebelde de Lobão é uma rajada de ar fresco que respiramos na asfixia do politicamente correto, sob a patrulha de esquerdistas que idolatram Chico Buarque e companhia – não só pela música.
Em um país de sonâmbulos, anestesiados com uma prosperidade ilusória e insustentável; em um país repleto de gente em busca de esmolas e privilégios estatais; em um país sem oposição, onde até mesmo Guilherme Afif Domingos, que já foi ícone da alternativa liberal, rendeu-se aos encantos do poder; o protesto de Lobão é mais do que bem-vindo: ele é necessário. Precisamos de mais Lobão, e menos Chico Buarque.


Fonte Oficial: www.estacaodanoticia.com

Mais Lobão e menos Chico Buarque
Por: (*)  Rodrigo Constantino

“A bundamolice comportamental, a flacidez filosófica e a mediocridade nacionalista se espraiam hegemônicas. Todo mundo aqui almeja ser funcionário público, militante de partido, intelectual subvencionado pelo governo ou celebridade de televisão, amigo”.

É o músico Lobão com livro novo na área. Trata-se de “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, e sua metralhadora giratória não poupa quase ninguém.

Polêmico, sim. Irreverente, sem dúvida. Mas necessário. As críticas de Lobão merecem ser debatidas com atenção e, de preferência, isenção. O próprio cantor sabia que a patrulha de esquerda viria com tudo. Não deu outra: fizeram o que sabem fazer, que é desqualificar o mensageiro com ataques pessoais chulos, com rótulos como “reacionário” ou “roqueiro decadente”. Fogem do debate.

Lobão tem coragem de remar contra a maré vermelha, ao contrário da esquerda caviar, a turma “radical chic” descrita por Tom Wolfe, que vive em coberturas caríssimas, enxerga-se como moralmente superior, e defende o que há de pior na humanidade. No tempo de Wolfe eram os criminosos racistas dos Panteras Negras os alvos de elogios; hoje são os invasores do MST, os corruptos do PT ou ditadores sanguinários comunistas.

O roqueiro rejeita essa típica visão brasileira de vitimização das minorias, de culpar o “sistema” por crimes individuais, de olhar para o governo como um messias salvador para todos os males. A ideia romântica do “Bom Selvagem” de Rousseau, tão encantadora para uma elite culpada, é totalmente rechaçada por Lobão.

Compare isso às letras de Chico Buarque, ícone dessa esquerda festiva, sempre enaltecendo os “humildes”: o pivete, a prostituta, os sem-terra. A retórica sensacionalista, a preocupação com a imagem perante o grande público, a sensação de pertencer ao seleto grupo da “Beautiful People” são mais importantes, para essas pessoas, do que os resultados concretos de suas ideias.

Vide Cuba. Como alguém ainda pode elogiar a mais longa e assassina ditadura do continente, que espalhou apenas miséria, sangue e escravidão pela ilha caribenha? Lobão, sem medo de ofender os “intelectuais” influentes, coloca os pingos nos is e chama Che Guevara pelos nomes adequados: facínora, racista, homofóbico e psicopata. Quem pode negar? Ninguém. Por isso preferem desqualificar quem diz a verdade.

Lobão, que já foi cabo eleitoral do PT, não esconde seu passado negro, não opta pelo silêncio constrangedor após o mensalão e tantos outros escândalos. Prefere assumir sua “imbecilidade”, como ele mesmo diz, e mudar. A fraude que é o PT, outrora visto como bastião da ética por muitos ingênuos, já ficou evidente demais para ser ignorada ou negada. Compare essa postura com a cumplicidade dos “intelectuais” e artistas, cuja indignação sempre foi bastante seletiva.

Outra área sensível ao autor é a Lei Rouanet, totalmente deturpada. Se a intenção era ajudar gente no começo da carreira, hoje ela se transformou em “bolsa artista” para músicos já famosos e estabelecidos, muitos engajados na política. Lobão relata que recusou um projeto aprovado para uma turnê sua, pois ele já é conhecido e não precisava da ajuda do governo. Compare isso aos ícones da MPB que recebem polpudas verbas estatais, ou que colocam parentes em ministérios, em uma nefasta simbiose prejudicial à independência artística.

O nacionalismo, o ufanismo boboca, que une gente da direita e da esquerda no Brasil, também é duramente condenado pelo escritor. Quem pode esquecer a patética passeata contra a guitarra elétrica que os dinossauros da MPB realizaram no passado? Complexo de vira-latas, que baba de inveja do “império estadunidense”. Dessa patologia antiamericana, tão comum na classe artística nacional, Lobão não sofre. O rock, tal como o conhecimento, é universal. Multiculturalismo é coisa de segregacionista arrogante.

No país do carnaval, futebol e novelas, onde reina a paralisia cerebral, a mesmice, o conformismo com a mediocridade, a voz rebelde de Lobão é uma rajada de ar fresco que respiramos na asfixia do politicamente correto, sob a patrulha de esquerdistas que idolatram Chico Buarque e companhia – não só pela música.

Em um país de sonâmbulos, anestesiados com uma prosperidade ilusória e insustentável; em um país repleto de gente em busca de esmolas e privilégios estatais; em um país sem oposição, onde até mesmo Guilherme Afif Domingos, que já foi ícone da alternativa liberal, rendeu-se aos encantos do poder; o protesto de Lobão é mais do que bem-vindo: ele é necessário. Precisamos de mais Lobão, e menos Chico Buarque.

Fonte Oficial: www.estacaodanoticia.com

1 month ago

@lobaoeletrico na @rollingstoneBR  - maio/2013

“Lobão contra o mundo: “Do fundo do coração, eu seria incapaz de matar uma mosca”

Na capa da edição de maio da Rolling Stone Brasil, músico estende as críticas feitas em seu novo livro, mas defende “a convivência gentil” com aqueles de quem discorda.”

1 month ago

“É surto de ejaculação precoce”, diz Lobão sobre críticas a seu livro

Uol 08.05.2013

Lobão foi o convidado desta terça-feira (7) do “Agora É Tarde”, da Band, que comemorou sua edição de número 300. Ele rebateu a críticas que foram feitas por declarações polêmicas que fez sobre seu livro “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, que já está com sua edição inicial de 40 mil exemplares esgotada. “Eu vendo muito mais livro do que música”, observou o cantor.

“É um surto de ejaculação precoce de fúria”, definiu Lobão. “Nenhum deles leu o livro. Nada mais recomendável que ler o livro e ver os meus argumentos. Não tenho nada de pessoal contra ninguém. O livro é um manual amoroso de como se comportar contra adversários”.

“Pior que eu digo que os Racionais são um braço armado [do governo]. Aí o cara fala: ‘falou que você é um braço armado, vou dar um tiro nele’. Não é muito inteligente”, comentou Lobão. “Outra coisa, as pessoas que não tem muita inteligência carecem de humor. É um livro engraçado”.

“Não sou filhinho de papai não, eu trabalho e ganho o meu dinheiro”, disse. “Todo o dinheiro que eu ganho é suado, não é fruto de lei Rouanet não”.

Quando perguntado se aceitava o rótulo de reacionário, título de um dos capítulos de seu livro, Lobão respondeu: “Eu fico muito agradecido porque é o mesmo epíteto que deram ao Nelson Rodrigues, o meu herói. Falam sobre ser conservador, mas o cara que está há 10 anos no poder conservando essa merda toda é o quê, revolucionário?”

Apoio a Lula em 1989

O apresentador Danilo Gentili mostrou um vídeo de Lobão demonstrando apoio a Lula no programa “Domingão do Faustão” em 1989. “Eu acho que, historicamente, ele tinha que ter uma oportunidade e o Collor era uma péssima escolha. Tanto que hoje são aliados”, falou o cantor, completando que tem diversos motivos para discordar do PT justamente devido à sua aproximação anterior ao partido.

“Eu tenho certeza que o Mário de Andrade, o Oswald de Andrade, eles estariam no meu lado”, falou sobre os integrantes da Semana de Arte Moderna de 1922, que ele comenta no livro. “Eles fizeram uma ruptura com a chamada boa cultura brasileira, sem um academicismo. O que aconteceu é que eles tornaram o não academicismo em um outro academicismo que baseou todos os movimentos que vieram depois”.

Lobão definiu ainda o movimento antropofágico de “pura inveja criativa”, disse que Marcelo Camelo do Los Hermanos sofre de “síndrome de intelectualidade USP”, que intelectuais de esquerda são “campeões de punheta de pau mole” e que o guerrilheiro Che Guevara foi um “facínora, racista, homofóbico e psicopata”. “Aí tem gente que fala de direitos humanos com uma camiseta desse psicopata”, completou Lobão.

1 month ago

Assista aqui : @lobaoeletrico no Agora é Tarde !

07.05.2013

1 month ago

josoylobon:

ontem na livraria da Travessa Leblon.RJ

06.05.2013

josoylobon:

ontem na livraria da Travessa Leblon.RJ

06.05.2013

1 month ago

Agora é Tarde - 07.05.2013

Nesta terça-feira, dia 7, Danilo Gentili recebe o cantor Lobão no programa de número 300. O apresentador ressalta que o músico foi um dos primeiros convidados do Agora é Tarde e volta agora em uma edição especial.

Lobão conta sobre o livro que acabou de lançar, que fala de política no Brasil. “É um manual amoroso de como se comportar com o adversário”, diz. O cantor afirma que a obra é quase de humor e ele mesmo riu ao escrevê-la. Além de ter pesquisado muito, contou também com um auxílio jurídico para não sofrer nenhum tipo de processo.

Política é o assunto predominante da atração, mas o músico também interagiu com Roger para contar sobre a carreira atualmente. “Não sou ex-músico, não sou ex de nada”, afirma e complementa que lota seus shows. Lobão ainda aproveita para criticar o jornalismo de hoje e participa da brincadeira “Treta ou Não Treta”.

Confira a entrevista completa no Agora é Tarde na noite desta terça-feira, na tela da Band ou pela rádio BandNews FM.

1 month ago

“Lobão diz que novo livro foi feito para derrubar o “hype” da esquerda”

Musica Uol

 

Lançamento do Manifesto do Nada na Terra do  Nunca na Livraria da Travessa - Leblon - RJ

06.05.2013

Terra

1 month ago

Lobão contra o mundo: “Do fundo do coração, eu seria incapaz de matar uma mosca”

Na capa da edição de maio da Rolling Stone Brasil, músico estende as críticas feitas em seu novo livro, mas defende “a convivência gentil” com aqueles de quem discorda

por TIAGO AGOSTINI

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Em determinado momento do livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca, Lobão lista uma série de características pelas quais costuma ser conhecido pela opinião pública: drogado, matricida, roqueiro. “É um absurdo. Uso eles a meu favor, para que as pessoas saibam que vão lidar com um roqueiro e tragam argumentos mais fortes”, ele diz, sentado no pequeno jardim atrás da casa dele, no bairro de Perdizes, zona oeste de São Paulo. Partindo da ideia de confrontar a Semana de Arte Moderna de 22, o cantor pariu um livro no qual atira farpas para todos os lados. Do Lollapalooza (ele se retirou da primeira edição brasileira do festival depois de descobrir que tocaria cedo demais) até a presidente Dilma Rousseff (de quem propõe um assassinato metafórico), passando pela MPB, a tropicália, Gilberto Gil, ninguém escapa ileso ao bombardeio de opiniões de Lobão. “Sou a voz da maioria silenciosa”, ele garante, tomando para si a posição de opositor das unanimidades.

Clique na galeria acima para ver mais fotos de Lobão.

“As polêmicas são causadas pela incapacidade de compreensão das pessoas. Acho meus pensamentos muito claros, muito nítidos e muito honestos”, afirma Lobão, sabendo que as palavras lançadas no livro não passam despercebidas. “Tem gente que não entende o que estou falando e antes de tudo vai me linchar. Agora é da maratona para o corredor polonês. Se as pessoas lerem, já fico satisfeito, mas o pior é que vai ter muita gente que não vai ler e vai criticar”, acredita. “Mas acho que quem ler vai se divertir muito, porque o tom do livro é a convivência gentil com aqueles de quem eu discordo. Agora, você impedir a voz da pessoa, querer aniquilar a reputação é uma coisa terrível, e isso já é também manancial para outro trabalho, mergulhar numa ditadura de comportamento em que as pessoas acham que a verdade desse grupo é superior e única. É uma coisa q me deixa muito incomodado.”

Na entrevista de capa da Rolling Stone Brasil de maio, nas bancas a partir do dia 9, Lobão vai além do livro, que já tem sido motivo de debates. Ele fala sobre ter recusado fazer parte do line-up do Lollapalooza 2012 (“A gente tem que demandar qualidade. Eu sei que meu show se garante, em qualquer hora de qualquer festival do mundo, porque eu trabalhei para isso”) e de um dia ter gostado de Los Hermanos, embora tenha se decepcionado com a carreira solo de Marcelo Camelo (“Vi um show do Camelo descalço com um trono, sem bis. Aí é o fim, o cara está viajando. E o pior, está tirando a pobre Mallu, que era uma menina legal. É um estupro cultural”).

Caetano Veloso, de quem há tempos é desafeto, obviamente também não escapou. “A música ‘Lobão tem Razão’ [do álbum zii e zie, de Caetano]. O Lobão tem razão do quê, caralho? Eu dou um esporro nele e ele vem com ‘Lobão tem Razão’ oito anos depois? Vai ser bunda mole assim na esquina. E as pessoas ficam enchendo a bola daquela figura lamentável.” Ele continua, agora falando sobre a parceria de Caetano com músicos da nova geração, como a Banda Cê, com quem ele gravou seus três últimos discos. “Está vampirizando a juventude dos outros, que dá uma ‘mudérnidade’ no som. Nem se ele tivesse o Black Sabbath com ele ia convencer, ele toca com nojinho. O Chico pelo menos é um equivocado definido, ele é comunista, eu acho uma merda. Mas e o Caetano? Faz uma música como ‘Os Comunistas’, a galera adora, mas não tem nada que signifique uma tomada de posição na letra. Aí faz ‘A Bossa Nova é Foda’, começa a falar palavrão, quer soar moderninho. É um estelionato intelectual você ouvir o Caetano fazer rock. Ele sempre falou mal do rock, sentou no colo do Alexandre Pires, subscreveu intelectualmente o axé. Quem gravou um disco com a Ivete? Caetano e Gil. E agora vem tirar uma onda de roqueiro? Eu seria o primeiro a aplaudir se ele tivesse talento para fazer o que ele não consegue.”

Na Entrevista RS, o músico aproveita para explicar o título de um dos capítulos de seu livro, “Vamos Assassinar a Presidenta da República?”. “Se pode sequestrar e torturar pessoas e agora se colocar como herói [em referência ao passado de luta armada de Dilma Rousseff], eu também posso criar um grupo e dizer que sou um herói libertário. A história do assassinato é uma explanação hipotética. É uma provocação? Claro que sim, mas só consigo me estender na provocação à medida que eles me dão o argumento falho, assimétrico, para que eu proponha uma situação perigosíssima, mas imune judicialmente, porque meu vocabulário foi cuidadoso. E, do fundo do coração, eu seria incapaz de matar uma mosca, uma barata, uma Dilma.”

A edição de maio da Rolling Stone Brasil tem duas capas. Você conhecerá a segunda delas nesta terça, 7. Ambas estarão nas bancas a partir do dia 9 .

1 month ago