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EM PRIMEIRA MÃO A MÚSICA DE LOBÃO PARA A LISTA NEGRA DE JORNALISTAS CRIADA PELO PT. DIVULGUEM

Matéria original publicada em 30/06/2014, por Reinaldo Azevedo em Veja

Vamos lá. O cantor e compositor Lobão, também colunista da VEJA, é um dos nove “malditos” que foram parar na lista negra do PT, assinada por Alberto Cantalice, vice-presidente do partido, divulgada no site oficial da legenda e propagada pelos blogs sujos, financiados por estatais. É a verticalização da infâmia, que os fascistoides costumam promover quando chegam ao poder: o estado, o partido e as milícias atuam como ordem unida. Só para lembrar: os outros oito da lista somos eu, Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Demétrio Magnoli, Arnaldo Jabor, Guilherme Fiuza, Marcelo Madureira e Danilo Gentilli. Essa é apenas a fornada inicial do nacional-socialismo petista. Se o partido vencer a eleição, certamente a lista será ampliada. A “Repórteres Sem Fronteiras”, a mais importante entidade internacional de defesa da independência jornalística, expressou o seu repúdio. Janio de Freitas, por sua vez, preferiu repudiar a… “Repórteres Sem Fronteiras”. Entenderam?

Adiante! Lobão fez uma música retratando, digamos assim, a alma profunda dos “companheiros” e evidenciando o espírito destes tempos. Chama-se “A Marcha dos Infames”. Ouçam e divulguem. Na sequência, publico a letra e um breve comentário a respeito.

A MARCHA DOS INFAMES


Aqueles que não são
E que jamais serão
Abusam do Poder,
Demência e obsessão.

Insistem em atacar
Com as chagas abertas do rancor,
E aos incautos fazer crer
Que seu ódio no peito é amor

Tanto martírio em vão,
Estupro da nação,
Até quando esse sonho ruim,
esse pesadelo sem fim?

Apedrejando irmãos
E os que não são iguais,
A destruição é a fé,
E a morte e a vida, banais.

E um céu sem esperança,
A Infâmia cobriu,
Com o manto da ignorância,
O desastre que nos pariu.

E o sangue dos ladrões
De outros carnavais
Na veia de vilões,
tratados como heróis.

E até quando ouvir
Cretinos e boçais
Mentir, mentir, mentir,
Eternamente mentir?

Mas o dia chegará
Em que o chão da Pátria irá tremer,
E o que não é não mais será
Em nome do povo, o Poder.

Retomo
Adequando o comentário a estes dias, gol de placa de Lobão, na letra e na melodia! Reparem que o autor recorre a uma marcha propriamente, de caráter marcial mesmo, evidenciando o espírito da soldadesca sem uniforme do petismo — afinal, essa gente é uniformizada por dentro, não é mesmo?

Na letra — que, é claro!, faz uma denúncia da maior gravidade —, Lobão apela a um tom a um só tempo grandiloquente e meio farsesco, como a evidenciar a truculência cafona e vigarista dos fascistoides de plantão.

Há dois trechos que chamam particularmente a minha atenção:
E o sangue dos ladrões
De outros carnavais
Na veia de vilões,
tratados como heróis.
Na mosca! O poder, hoje, no Brasil mistura o sangue do velho patriomonialismo — que forjou ao menos uns dois séculos de atraso — com o do novo patrimonialismo, que pretende liderar o atraso dos séculos vindouros. E gosto particularmente da última estrofe:
Mas o dia chegará
Em que o chão da Pátria irá tremer,
E O-QUE-NÃO-É não mais será
Em nome do povo, o Poder.

Tomei a liberdade de escrever em maiúsculas e usando hífen “O-QUE-NÃO-É”. É preciso que se entendam essas palavras como uma unidade semântica para que se perceba o seu caráter de sujeito do verbo “será”. “O-QUE-NÃO-É” dispensa predicativos; trata-se do falso, do engodo, da trapaça histórica, da vigarice, da mentira em si.

Divulguem por todos os meios a música de Lobão. Aí está o retrato de uma era. É uma canção de protesto destes tempos. Afinal, os “protestadores” de carteirinha do passado — Chico & Seus Miquinhos Amestrados” — estão calados diante de listas negras. Eles criavam metáforas contra a ditadura militar no passado não porque fossem, por princípio, contra ditaduras e perseguições. Opunham-se àquela ditadura em particular, mas não a outras. E julgavam que o regime não podia perseguir “as pessoas erradas”. Quando persegue “as certas”, tudo bem!

Não por acaso, nunca se opuseram à ditadura cubana. No fim das contas, foi Cuba que os pariu. A música de Lobão expõe farsantes do presente e do passado.

Por Reinaldo Azevedo

4 weeks ago

Hello! Palco não é palanque!

Matéria original publicada por Lobão (Veja), em 17/05/14.

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(Foto: Rui Mendes)

Na semana passada foi a vez do Roger. A patrulha ideológica, com sua percepção assimétrica e distorcida da realidade, promoveu mais um episódio lamentável de atentado a reputações. Para quem não ouviu falar do caso, o Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, foi perseguido na internet por militantes do PT (os MAVs, militantes em ambiente virtual) por estar “ganhando dinheiro” de um governo que ele critica. Ele participou de um show em São Paulo organizado pelo Ministério da Cultura e pelo Banco do Brasil.

Isso também ocorreu comigo no ano passado, por ocasião da Virada Cultural de São Paulo. Tive de fazer um esforço inaudito, auxiliado por uma campanha nas redes sociais, para furar o bloqueio ao meu nome — e conseguir intimidar com o clamor popular os curadores da Secretaria de Cultura municipal, que só assim me incluí­ram no evento. Logo em seguida, começaram a pipocar na rede as mesmas críticas vindas desse mesmo grupo, que dizia ser uma contradição um oposicionista ferrenho como eu aceitar tocar em um show promovido pela prefeitura do PT.

Pois então vamos acabar com essa palhaçada de uma vez por todas: os órgãos públicos que porventura sejam patrocinadores de eventos culturais não podem coibir, filtrar nem excluir vertente alguma de expressão artística, credo ou pensamento político discordantes ou mesmo contrários aos da administração vigente, pois dessa forma estarão lidando com a coisa pública como se fosse privativa de um partido, o que é inconstitucional. Simples assim.

Os palcos dos festivais financiados com o dinheiro do contribuinte estão abertos a todos, são espaços públicos — eventualmente sob a administração desse ou daquele partido político.

O fato de o PT não entender isso não deve ser tolerado pela população que paga seus impostos. Ela tem o direito de exigir acesso a qualquer tipo de manifestação cultural e artística, inclusive as de que o PT não gosta. E o governo não pode substituir a pluralidade cultural pelo seu monopólio ideológico.

Antes de o partido chegar ao poder, alguém se lembra de ver patrulha linchar artista porque ele tocava na gestão Maluf? Ou Jânio? Ou Serra?

Mas o ideário petista, assim como a mentira, tem pernas curtas e, por mais truculenta que seja a atitude desses militantes que forçam a barra numa tentativa de fazer terrorismo ideológico, essa presepada não prevalecerá. Assim como não prevalecerão a cantilena ideológica de terceira ca­tegoria, o ódio plantado entre as classes e esse déficit intelectual de proporções politibúricas que exala das universidades e dos órgãos dominados por essa gente dodói. Primeiro porque a população não vai deixar e depois porque esses carinhas não possuem a força que pensam ter.

Imaginem que surreal seria termos os holofotes e as atenções voltados exclusivamente para artistas filiados ao PT, que sobem no palanque do partido e recebem uma grana preta para fazer campanha publicitária dos órgãos públicos em TVs, rádios, outdoors, jornais e revistas. Como seria se a gente só pudesse assistir a filmes, peças teatrais e minisséries com temas “customizados”, destinados a favorecer a imagem do governo? E que tal se fôssemos obrigados a engolir só o que passa pelo filtro ideológico do PT? Teríamos uma cultura monomaníaca, cinza e medíocre, feita por puxa-sacos de alma coloidal que transformariam em caricatura a cultura nacional, travestindo a história com mentiras canastronas e mamando descaradamente no Erário. Escrevo no condicional porque esse jogo não está ganho. Vamos virá-lo, como já estamos fazendo.

Então, para concluir: palco não é palanque, público não é privado, ideia não é ideologia e nem traseiro de pinto é escovinha, como dizia o meu pai. 

2 months ago

RockDisco - Lobão Acústico MTV

Matéria original publicada por Rock 80 Brasil, em 12/05/14

O selo acústico MTV para muito foi (é) visto como uma forma de alavancar a carreira de um artista ou banda. Ou seja, de um lado um artista pedindo socorro e de outro uma gravadora com muita vontade de ganhar dinheiro. Independente da discussão, a verdade é que muita coisa boa aconteceu nos Acústicos MTVs, como podemos acompanhar aqui toda semana no RockDisco do blog Rock 80 Brasil. Claro que demos destaque para nossos artistas do Rock 80 Brasil, mas muitos outros fizeram parte desta história.


Mesmo contra um sistema gerido pela gravadoras etc Lobão também esteve no rol dos artistas do nosso Rock 80 Brasil que gravaram pelo selo Acústico MTV. Aliás, dos roqueiros anos 80, ele encerrou a série, tendo em vista que depois dele tivemos o Lulu Santos, que já havia gravado um outro acústico.


Lobão gravou seu acústico nos dias 7 e 8 de dezembro de 2006 e o álbum foi lançado em 2007. Estão lá tanto clássicos como as chamadas músicas do lado B.

Um belo trabalho que vale a pena conferir!

Ouça: aqui

2 months ago

Lobão retorna ao palco do Cine Joia com novo show

Matéria original publicada por Portal Ligação Teen, em 05/2014

No dia 21 de junho, sábado, o cantor e compositor Lobão se apresenta na casa de shows da liberdade com a versão mais representativa do que se pode chamar de rock: o Power Trio – guitarra, baixo e bateria. Antes, o público confere o show do quarteto paulistano Vespas Mandarinas e as faixas do disco de estreia “Animal Nacional”. Os ingressos já estão à venda.

O Power Trio é formado por Lobão (guitarra, voz e violão), Dudinha Lima (baixo, violão e voz) e Armando Cardoso (bateria). Essa é a nova formação para a temporada de shows de 2014, que permite fazer apresentações com arranjos específicos e uma sonoridade dinâmica e rica em timbre.


O repertório foi escolhido cuidadosamente para beneficiar essa possante formação, desde canções lado B até os clássicos “Lobônicos”, entre eles, ‘A Balada do Inimigo’, ‘Baby Lonest’, ‘Esfinge de Estilhaços’, ‘Seda’ e a faixa inédita ‘O Que É A Solidão Em Sermos Nós’.

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(Foto: Rui Mendes)

A primeira apresentação de Lobão no Cine Joia foi em outubro de 2012, com a turnê do disco ““Lobão Elétrico Lino, Sexy & Brutal – ao vivo em SP”, gravado em outubro de 2011, disponível em CD e DVD. O show reuniu diferentes gerações de fãs do cantor que relembrou os principais sucessos da carreira e as canções do novo trabalho.

Vespas Mandarinas

Já o show de abertura fica por conta da banda paulistana Vespas Mandarinas, formada por Chuck Hipolitho (guitarra e voz), Thadeu Meneghini (guitarra e voz), André Dea (bateria) e Flavio Guarnieri (baixo). O quarteto apresenta ao público as músicas do primeiro disco, intitulado “Animal Nacional”, lançado pela gravadora Deck. O álbum é composto por 12 faixas que valoriza as letras, o discurso, a poesia e enfatiza, em muitas canções, as guitarras, grandes e robustas, manejadas pela dupla Chuck/Thadeu.

As Vespas Mandarinas tiveram na populosa e sempre caótica cidade de São Paulo o cenário e a maior fonte de inspiração na qual sorveram seu combustível. No álbum, a urbanidade de megalópole revela-se direta, indireta, sonora e metaforicamente. O conjunto de influências musicais da banda, que inscreve no rock de ascendência brasileira seu traço genético, é amplo: vai da “era de ouro” do rock verde-amarelo, os anos 80, através de bandas que chegaram ao mainstream – Titãs, Ira!, Paralamas do Sucesso e Engenheiros do Hawaii – e outras mais subterrâneas, mas não menos importantes – como, por exemplo, Gueto, Smack, Picassos Falsos e Violeta de Outono.

Lobão + Vespas Mandarinas @ Cine Joia
Sábado, 21 de junho
Abertura da casa: 22h
Horário previsto do show: meia noite.


Valores:
1º Lote: R$ 50,00 (inteira) / R$ 25,00 (meia-entrada);
2º Lote: R$ 60,00 (inteira) / R$ 30,00 (meia-entrada);
3º Lote: R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia-entrada)


Classificação etária: 16 anos. Só será permitida a entrada de pessoas com 16 ou 17 anos se estiverem acompanhados dos responsáveis legais.


Locais de venda:
· www.facebook.com/cinejoia na aba “Compre seu Ingresso” e cinejoia.tv/ingressos
· Cine Joia: Praça Carlos Gomes, 82 (segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 18h, e durante o final de semana, a bilheteria só abre em dia de show, 1h antes da abertura oficial da casa).

2 months ago

Power trio de Lobão tocará em SP em junho

Matéria original publicada por Fabian Chacur (Mondo Pop), em 24/04/2014

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(Foto: Rui Mendes)

Lobão se envolve em tantas polêmicas e discussões na mídia que certamente há quem se esqueça de como o cara é talentoso como cantor, compositor e músico. Uma boa oportunidade de se conferir essa categoria toda é o show que ele fará em São Paulo no ainda distante dia 21 de junho a partir das 22h no Cine Joia, com abertura a cargo do ótimo e afiado grupo Vespas Mandarinas.

O roqueiro carioca virá com sua formação power trio, que inclui ele próprio nos vocais, guitarra e violão, Dudinha Lima no baixo, violão e vocais e Armando Cardoso na bateria. Ele teve boa passagem pelo mesmo local em outubro de 2012, quando divulgava o álbum e DVD gravados ao vivo Lobão Elétrico Lino Sexy & Brutal- Ao Vivo Em SP. A ideia é mesclar lados B do seu repertório, hits certeiros e algumas inéditas.

O repertório, aberto a surpresas como de praxe, terá entre outras A Balada do Inimigo, Baby Lonest (do maravilhoso álbum O Rock Errou, de 1986, criminosamente inédito em CD até hoje), Seda, Esfinge dos Estilhaços e a inédita O Que É A Solidão Em Sermos Nós. As performances do power trio do Velho Lobo mesclam muita energia, personalidade e também momentos dedicados à sutileza.

Na abertura, o grupo Vespas Mandarinas mostrará músicas de seu álbum de estreia, o badalado Animal Nacional. Integram o time Chuck Hipolitho (vocal e guitarra, ex-Forgotten Boys e ex-VJ da MTV), Thadeu Meneghini (guitarra e vocal), André Dea (bateria) e Flávio Guarnieri (baixo), um time coeso que tem como inspiração o melhor do rock brasileiro dos anos 80, além de elementos de punk, pós-punk e rock básico.

Embora o show esteja ainda longe, os ingressos já estão sendo vendidos, e no esquema de lotes. Ou seja, quem comprar agora pagará, no primeiro lote, R$ 50,00 (inteira) e R$25,00 , preços que irão sendo aumentados conforme o tempo passa. O Cine Joia comporta 992 pessoas e fica na Praça Carlos Gomes, nº82-Liberdade- fone (0xx11) 3101-1305 www.cinejoia.tv .


Baby Lonest, com Lobão e seu power trio, ao vivo no Rio:

2 months ago

Lobão se apresenta com Power Trio em São Paulo

Matéria original publicada por rocknoize, em 05/05/14

Lobão irá se apresentar com um Power Trio no mês de junho em São Paulo.
O músico terá a companhia de Dudinha Lima (baixo, violão e voz) e Armando Cardoso(bateria) e segundo o site Music Journal o show acontece no dia 21 no Cine Joia.

Os ingressos já estão sendo vendidos e os preços variam de R$ 25 a R$ 80. Confira todas as informações abaixo.

A abertura da apresentação de Lobão e seu Power Trio ficará por conta da banda Vespas Mandarinas.

 

Lobão + Vespas Mandarinas no Cine Joia
Sábado, 21 de junho
Abertura da casa: 22h
Horário previsto do show: meia noite.

Valores:
1º Lote: R$ 50,00 (inteira) / R$ 25,00 (meia-entrada);
2º Lote: R$ 60,00 (inteira) / R$ 30,00 (meia-entrada);
3º Lote: R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia-entrada)

Classificação etária: 16 anos. Só será permitida a entrada de pessoas com 16 ou 17 anos se estiverem acompanhados dos responsáveis legais.

Locais de venda:
www.facebook.com/cinejoia na aba “Compre seu Ingresso” e cinejoia.tv/ingressos
• Cine Joia: Praça Carlos Gomes, 82 (segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 18h, e durante o final de semana, a bilheteria só abre em dia de show, 1h antes da abertura oficial da casa).

Cine Joia
Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade
www.cinejoia.tv
Telefone: 3101-1305
Capacidade: 992 pessoas
Cartões de crédito e débito: Visa, Mastercard, Diners, Elo e American Express
Possui área de fumantes e acesso a deficientes
Censura: 18 anos
Chapelaria: R$ 5,00
Serviço de vallet: R$ 25,00
O Cine Joia respeita a lotação máxima determinada por lei.

- See more at: http://rocknoize.com.br/lobao-se-apresenta-com-power-trio-em-sao-paulo/#sthash.ER1qjnKJ.dpuf

2 months ago

Encontros - Jair Rodrigues e Lobão

Matéria original publicada por Rock 80 Brasil, em 08/05/2014.

(Foto: Divulgação)

Hoje o céu de artistas ganhou mais uma estrelinha em sua constelação. Morreu o cantor Jair Rodrigues. Uma das maiores estrelas da nossa Música Popular Brasileira cantou e encantou desde a década de 60. Foi ele quem fez história ao cantar no Festival da TV Record a canção “Disparada”, de Geraldo Vandré, que foi a escolhida dos jurados, empatando com “A Banda”, de Chico Buarque.
Em 2003 Jair Rodrigues esteve no programa “Altas Horas”, de Serginho Groismann, junto com o nosso roqueiro Lobão e juntos cantaram a mesma canção que ficou imortalizada no nosso repertório brasileiro. Vale a pena conferir esse Encontro de gerações.

Para ver o vídeo clique aqui

2 months ago

O baterista

Matéria original publicada em 03/05/14 por Lobão (Veja)

Todo problema virava uma questão a ser resolvida através da bateria. Ansiedade? Ah, se eu puder tocar cada vez mais lentamente, aniquilarei a ansiedade! (…) Percebi que, quanto mais se tem domínio sobre o andamento lento, mais maturidade musical se adquire. E isso vale para o resto das coisas da vida. Do sexo à conversa de botequim

(Lobão)

Um dia desses, em visita a uma redação de jornal, uma das editoras, talvez por ca­coe­te de profissão, perguntou qual era a minha formação. Sem pensar muito, respondi: “Sou baterista. Baterista autodidata”.

Refletindo melhor depois, vi que a resposta não poderia ser outra. Penso como baterista, percebo e deduzo o mundo ao meu redor como baterista. Expandi meu universo de interesses e angariei uma série de outros ofícios a partir desse.

Tocar bateria, pra mim, se confunde com o tempo em que aprendi a andar. Talvez por ter adquirido sozinho e tão cedo essa habilidade, acabei por desconfiar de qualquer tipo de professor que não fosse aquele que designasse.

Todas as pequenas descobertas que fazia quando criança, e que me causavam intensas alegrias, eram sempre relacionadas ao fato de tocar bateria: todo número ímpar somado a si mesmo vira par. Toda proparoxítona é uma quiál­te­ra. O ritmo ternário induz ao círculo, à espiral — daí a valsa. O binário tem a ver com o sexo, com a guerra — por isso o samba, a marcha.

Todo problema virava uma questão a ser resolvida através da bateria. Ansiedade? Ah, se eu puder tocar cada vez mais lentamente, aniquilarei a ansiedade! Sim, pois se você estiver ansioso jamais conseguirá seguir um andamento lento com conforto e naturalidade (experimente baixar no seu celular um daqueles aplicativos de metrônomo e tente acompanhar um ritmo qualquer com os dedos. Em seguida, vá diminuindo gradativamente o andamento e verá a dificuldade que é manter a precisão na proporção em que ele cai).

Percebi que, quanto mais se tem domínio sobre o andamento lento, mais maturidade musical se adquire. E isso vale para o resto das coisas da vida. Do sexo à conversa de botequim.

Quem sabe toda criatura que ama seu ofício seja conduzida a enxergar o mundo sob a ótica dessa atividade. Para mim é assim. A bateria me apresentou conceitos como temperança, arrojo, contenção, paciência, concentração, precisão e também convicção (essa não tem porcentual: se você é 99,9% convicto, você é um vacilão). Também me ensinou a ver o outro: para saber tocar, antes de mais nada, é preciso aprender a ouvir. E a respirar, imaginar, entender o silêncio e o tempo.

Minhas primeiras indagações sobre a alma tiveram a mesma origem: vieram da relação de gratidão que passei a ter com a minha independência motora. Afinal, se eu possuía membros de uma solicitude comovente (meus pés, meus braços, meu calcanhar — todos em sincronia com a minha vontade), onde minha alma habitaria? De onde partiria a vontade de organizar as ordens para o resto do corpo? A partir de que ponto eu não teria mais a fronteira que separa o que é meu (meu corpo) do lugar que eu verdadeiramente habito?

E assim, impelido pela curiosidade e pela autoconfiança que a bateria me proporcionou, parti para outras várias atividades. Escrever foi uma das primeiras. Quando escrevia, sentia que as vírgulas eram as viradas dos tambores. A exclamação, a explosão dos pratos. A poesia, o fluir sonoro de uma levada.

Tocar um instrumento nos desenvolve profundamente como indivíduos e nos educa para conviver numa coletividade — o aprendizado deixa clara a ordem natural das coisas: primeiro é preciso construir-se.

Por isso decidi fazer esta pequena homenagem ao meu principal e primevo ofício — um sinal de gratidão e amor àquilo que me tornou uma pessoa melhor, mais útil e mais criativa. Desejo do fundo do coração que cada leitor experimente intensamente essa paixão.     

2 months ago

De Telerj em Telerj, de Circo a Circo

Matéria original publicada em 10/04/14, por Figurótico.

Por que ir a um show do Lobão depois de tantos que já fui? Por que escrever um texto sobre, depois de tanto ter dedicado linhas a este cara rock’n roll que continua firme e em atividade? O show da última sexta-feira (04/04/2014) pode ser uma resposta. Um show nunca se assemelha a outro, o repertório é seguidamente modificado. E seu humor pode ditar a intensidade de execução ou o veto de canções. Ainda ponho no topo da lista um dos shows de 2012 da turnê “Lino, Sexy & Brutal”, no mesmo Circo Voador, onde produzi um texto aqui mesmo no portal, intitulado “O dia em que o Lobo venceu por nocaute”.

O de semana passada carregava responsabilidades e expectativa por parte do músico e do público atento: era dia do nascimento do Cazuza, seu amigo e parceiro; e a estreia do novo formato da banda em Power Trio. Antes do show ele já prometera incluir no repertório muitas das parcerias entre os dois. Vale lembrar que Lobão é sempre excluído, jogado pra escanteio em qualquer tributo feito ao Cazuza. Os dois deixaram ótimas canções juntos. Cazuza no Rock in Rio de 85 antes de tocar “Mal Nenhum”, rasgou seda para o Lobo e disse que era um cara que faltava naquele festival, no fim bradou: “Viva Lobão!!!”.

Essa inclusão das músicas em parceria com o Caju acabaram por dar um norte ao show. Depois da abertura com a matadora “A Balada do Inimigo” (abro um parêntese pro leitor que não conhece tal música para ouvi-la, ela tem dois momentos: um enérgico com as letras pipocando em cima de uma base pura de rock; pra depois desaguar num lento refrão com aquela sequência de acordes característicos do Lobo) ele abriu o baú das músicas com o Cazuza e mandou “Baby Lonest”, gravada por ambos.

“Baby Lonest” já começou a valer o ingresso de uma noite que se desenrolou por mais duas horas e meia de rock, com algumas pausas entre as músicas. Lobão hoje usa um arsenal de guitarras e equipamentos múltiplos, ele sabe sim pilotar aquela engenharia, mas talvez reduzir um pouco a pedaleira pudesse deixar as coisas mais práticas, visto que hoje ele é o único guitarrista da banda e o responsável por cantar todo o show. Mas foram os pedidos de música e o famigerado “Toca Raul” que o tiraram do sério.

Ele avisou logo de saída para terem calma pois tinham um roteiro a seguir quando começaram a pedir “Vida Bandida!”. Mas a cada fim de música uma nova gritaria, o que o levou a dizer “Taí, ‘Vida bandida’ já não vai rolar hoje, não peçam demais, isso daqui não é flashback, é rock sem mimimi!”. Na sequência foi o “Toca Raul” por duas vezes. Na primeira, o aviso: “Toca Raul é o c@%$#! Isso aqui é um show de power trio!”. Mais duas canções e o cara insistiu no “Toca Raul”, foi a senha pro sabão… Ele respirou, bufou e disparou: “Mas que coisa anti-rock, brochante, coisa de gente que assiste Pânico. Vai tomar no …, seu babaca”.

O artista faz show pra dois tipos de público: os fãs e os de festa. O fã querem aquela tirada da cartola, uma música inédita ou esquecida. O de festa quer dançar os hits que conhece do rádio. Lobão faz show pros fãs, embora sempre dedique um bom tempo às músicas de sucesso de que ele gosta. Mas o valor deste show de sexta foi a mexida que deu no repertório. Tocou “Esfinge de Estilhaços” do álbum “Cuidado!” (1988); de 1984 puxou “Abalado”, do álbum Ronaldo foi pra Guerra – que não era executada desde àquela época.

Porém as cerejas no bolo ficaram por conta das parcerias com o Cazuza. Além de Baby “Lonest” mergulhou sem dó e atacou de “Glória (Junkie Bacana)”, de 1986; “Mal nenhum” e “Seda” (póstuma) que já vinham sendo tocadas; e a magnífica “Azul e Amarelo” (também gravada pelo Caju) que nunca tinha sido tocada ao vivo. Uma sequência de acordes chorantes das mais lindas do BRock. Antes de tocá-la mencionou que estava nervoso, pois fazer o arranjo de guitarra e  voz juntos exige-se muita coordenação, e mesmo com as taças de vinho rolando no palco, saiu.

O show mais uma vez foi vitorioso por conta de uma música inédita composta neste mesmo mês. Tocou-a sozinho, num
banquinho e violão. “O que é a solidão em sermos nós?” é seu nome, com destaque para o belo arranjo de violão.

Iria escrever duas linhas sobre o show, acabou saindo outro texto. E é por isso que eu vou a show do Lobão.

3 months ago

Lobão Power Trio | INGRESSOS À VENDA

(Foto: Rui Mendes)

No dia 13 de abril, às 19h, o Auditório Ibirapuera, em São Paulo, recebe Lobão, em um show com formação e sonoridades renovadas. O músico forma um power trio – formato tradicional do rock que exige performance e habilidade – com Dudinha Lima no baixo, violão e voz, e Armando Cardoso na bateria. Os ingressos custam 20 reais e 10 reais (meia-entrada).

“Simplesmente vou tocar as músicas que eu quero tocar naquela hora”, adianta o músico. “O conceito é aproveitar o poderio de um power trio com a sofisticação das texturas de vocais e loops disparados durante as canções. A meta é provocar uma sensação de espanto e êxtase na plateia.”

Ainda segundo ele, a apresentação é também o começo de uma nova fase. “Estou excitadíssimo com meus novos conceitos musicais, meus novos instrumentos e tudo que me inspira para fazer um novo repertório. Agora, tenho a sensação de que vou entrar na minha fase mais fértil e inspirada.”

No site oficial do músico, você ouve as músicas de toda a discografia.

Compre aqui o seu ingresso.

Dia: domingo 13 de abril
Horários: às 19h
Duração: 90 min (aproximadamente)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação Indicativa: [indicado para maiores de 12 anos]

3 months ago

LOBÃO POWER TRIO NO CIRCO VOADOR NO DIA DO ANIVERSÁRIO DE CAZUZA

Dia 4 de Abril é aniversario de um dos caras que deram sentido a existência dessa lona. Um artista tão visceral quanto lírico, que trouxe pra mesma roda Billie Holliday e Cartola injetando atitude na MPB e poesia no rock. Um cara que se foi cedo demais deixando uma obra maior que a vida e um vazio irreparável. Seu nome era Agenor, mas ficou conhecido como Cazuza. No dia em que completaria 56 anos, oferecemos a ele, onde quer que esteja, um show do Lobão!

Quando convidamos o grande lobo pra tocar no dia do aniversario do Cazuza, ele só topou com uma condição: que não fosse uma homenagem a Cazuza. Sorrimos aliviados, porque era exatamente o que esperávamos dele: dignidade com a memória de Cazuza. E Lobão nunca nos decepcionou!

Não sabemos o que ele vai fazer. Pode ser que ele dedique alguma de suas parcerias como a belíssima “Mal Nenhum” ou “Vida Louca Vida” ao amigo, ou que ele não toque nenhuma dessas. Pode ser que ele toque bateria ou não. Pode ser que ele faça um discurso contra todos os oportunistas ou pode ser que ele apenas enfileire um hit atrás do outro. Só sabemos que agora ele vem mais potente do que nunca, a bordo de um Power Trio e que seus shows na lona só ficam mais catárticos, ou seja, vai ser um show daqueles! E onde quer que Cazuza esteja, temos certeza que ele vai aprovar!

Lobão (guitarra, violão e voz) sobe ao palco do Circo acompanhando por Dudinha Lima (baixo, violão e voz) e Armando Cardoso (bateria), em formação mais representativa do que pode se chamar de Rock. O Power Trio significa exigir o máximo de cada músico se tornando assim um grande desafio. O impacto resultante é de muita força, potência e habilidade musical. Com arranjos específicos para este formato e uma musicalidade rica em timbre e dinâmica com sonoridades diferentes vindas de uma formação tão básica que promete causar impacto no espectador.

Abertura dos portões: 22h
Capacidade: 2.000 pessoas
Classificação: 18 anos (de 12 a 17 somente acompanhado dos pais)
Bilheterias: terça à quinta: das 12h às 19h; sexta: das 12h às 24h (exceto feriados) e sábado a partir das
Informações: 55 (21) 2533-0354

3 months ago

‘Cenas de aeroporto’, por Lobão

Matéria original publicada na edição impressa da Veja na coluna do Augusto Nunes na Veja Online em 15/03/2014.

LOBÃO

No mês passado, voltava de um show em Belo Horizonte quando, na saída do hotel, dei por falta da minha carteira com todos os documentos dentro. Como tinha de voltar naquele dia para São Paulo, disseram-me que deveria seguir para o aeroporto e registrar um B.O. para apresentar no embarque.

Era um domingo quente e ensolarado. O a­r-condicionado do Aeroporto de Confins estava quebrado, a rede de wi-fi não funcionava direito e o barulho das obras da Copa que não terminam nunca era infernal. Para quem viaja pelo Brasil, ver aeroporto em obras é uma rotina deprimente. Em Guarulhos, embarquei num puxadinho infame feito às pressas, na base do gatilho. Em Goiânia, cheguei a ter como sala de embarque uma barraca de exército. E as tais “arenas” da Copa? Tudo feito de supetão. No ano passado participei de um show no Mané Garrincha, em Brasília, e constatei que o serviço de engenharia acústica não tinha sido feito. Imaginem só, Brasília, que mal tem futebol de várzea, constrói uma arena destinada a receber megashows… e não se preocupa em fazer o tratamento acústico!


Voltando a Confins: na sala da Polícia Civil, falei para o senhor corpulento e suado atrás da mesa que havia perdido a minha carteira com todos os documentos, que meu voo estava marcado para dali a uma hora e eu precisava fazer um B.O. Ele me encarou com surpresa e estupefação: “Mas o senhor tem de provar que o senhor é o senhor. Tem algum documento que possa comprovar isso?”. Expliquei que estava lá justamente porque tinha perdido meus documentos e que, se tivesse um, poderia ter embarcado. “Se o senhor não pode me provar que o senhor é o senhor, vou logo avisando que não vai poder embarcar. Imagina só se o senhor está dizendo que é o senhor e, de repente, estou falando ─ nada pessoal, veja bem ─ com um bandido? Na semana passada mesmo eu atendi um sujeito que depois vim a saber que era do PCC… É mole?”

Retorqui que era um cidadão que pagava impostos, estava pedindo ajuda do poder público, e o poder público não podia me tratar como suspeito. A temperatura começou a subir, com ele me mandando abaixar o tom de voz, e eu dizendo que ele não era pago para suspeitar de mim. A essa altura do campeonato, o Bira, amigo e produtor que me acompanhava, tentou acalmar os ânimos informando o número do meu CPF e o da minha identidade, mas a emenda saiu pior que o soneto. “Não sabe o número da identidade nem o do CPF, não? É a mesma coisa que não saber o nome do pai ou da mãe!” Eu disse: “Mas o meu amigo não acabou de lhe dar?”. “Hummm”, grunhiu ele, “receio que isso não vai adiantar muito, não.” Perguntou se eu morava em BH. “Não? Em São Paulo? Aí piorou a sua situação. Pelos meus cálculos, até fazer a busca no computador, periga de o senhor ter de pernoitar aqui, viu?”

Diante disso, achei melhor dar uma respirada lá fora. Quando voltei à rinha, nova surpresa. O senhor rotundo e suarento disparou: “É, me parece que o senhor tem um inquérito policial na sua ficha lá em São Paulo. Isso, pra mim, não faz muita diferença, uma vez que ainda (ainda!!) não há mandado de prisão. O senhor até que tem sorte, mesmo com a ficha suja vai poder até viajar”.

Ficha suja?… Inquérito policial? Mas o que é isso? Comecei a dizer que não tinha nenhuma ficha suja, mas ele foi logo me cortando ─ “Não quero saber de detalhes. Pra mim, basta não ter ordem de prisão”. Perdi o voo por cinco minutos. Tive de pagar uma nova passagem. Ficamos, eu e o Bira, mais duas horas naquele calor exalando paralisia, ouvindo o barulho daquelas obras intermináveis e fazendo a inevitável pergunta: imagina na Copa do Mundo? A essa altura, tinha falado por telefone com a minha mulher. O tal “inquérito policial” era na verdade uma queixa que fizemos no ano passado contra uma ex-vizinha que colecionava cães ─ os bichos faziam um barulho infernal. Ou seja: outro pedido de ajuda ao poder público que se virava contra o cidadão que pediu ajuda. Tomamos uma cerveja e embarcamos convictos de habitarmos uma Terra do Nunca em que nada leva a lugar nenhum. A vítima vira infratora, a incompetência é vendida como prosperidade, o obtuso é o virtuoso e os medíocres são os grandes vencedores. Aqui, só a mamata é levada a sério.

4 months ago

Com os dentes afiados

Matéria original publicada por Jornal O Hoje (Adalto Alves), em 16/01/14.

Lobão solta o verbo, decreta a morte da esquerda, da ‘atitude’ no rock e da inspiração na música atual.

Depois do CD acústico em 2007, com o carimbo da MTV na capa, Lobão voltou a ser elétrico em 2012, com Lino, Sexy e Brutal. Ele passou a carreira a limpo duas vezes, de formas diferentes. O segundo foi gravado ao vivo em São Paulo, com uma banda enxuta, pouco blablablá e Luiz Carlini tocando guitarra em Ovelha Negra, que ele gravou com Rita Lee, no disco Fruto Proibido (1975), na banda Tutti Frutti.

Para apresentar Lino, Sexy e Brutal, hoje, no Bolshoi Pub, Lobão vem acompanhado de Dudinha Lima (baixo) e Armando Cardoso (bateria). André Caccia Bava, que tocou guitarra no CD e DVD, não consta na escalação da banda, segundo informação da casa. Intenso, frenético e pesado, Lino, Sexy e Brutal mostra Lobão na pele do roqueiro como não se via há muito tempo. Lobão jura que, pela primeira vez, suas músicas foram gravadas exatamente como ele queria, em 35 anos de trajetória errante e conturbada. A masterização em Abbey Road, na Inglaterra, contribuiu para a qualidade final rutilante.

O repertório viaja nas diversas fases de Lobão, de Me Chama até A Vida É Doce, passando por Canos Silenciosos, Vida Bandida e Corações Psicodélicos. Parte incluída na caixa Lobão 81/91, com sucessos polidos por Roy Cicala, produtor de estrelas como John Lennon e Bruce Springsteen. Quem quiser entrar nos detalhes que circundam a vida artística de Lobão pode se esbaldar na biografia 50 Anos a Mil, que ele assina com o jornalista Cláudio Tognolli. O livro causou tanto bafafá que, três anos depois, ele voltou às prateleiras com Manifesto do Nada na Terra do Nunca. A metralhadora verbal giratória do autor atingiu no peito os esquerditas lotados nos partidos que sustentam o governo da presidente Dilma Rousseff. Além de alvos dispostos em vários muros. O DVD foi editado. Quem sabe, no Bolshoi, Lobão faça comentários políticos, sociais, o escambau, com a liberdade peculiar de jamais ficar em cima do muro. Enquanto se equilibra na corda bamba estendida sobre os contrastes.

Entrevista

‘Nunca fomos tão medíocres e pouco criativos’

Todo mundo agora diz que você é de direita. Você leva em conta esse tipo de separação direita/esquerda?
Eu não consigo conceber esse tipo de designação nos dias de hoje. Simplesmente percebi que o Partido dos Trabalhadores (PT) é uma grande roubada e, como tive um histórico de apoio ao partido por muitos anos, me sinto também responsável pela permanência dele no poder.

Se você é de direita, o que significa para você alguém ser de esquerda?
Temos de lembrar que esse tipo de qualificativo no Brasil só designa o bem e o mal. Direita é ruim e esquerda é do bem. Assim, fica muito difícil usar esse tipo de terminologia.

Os caras que ratearam contra a liberação das biografias não autorizadas são os mesmos que lutaram contra a censura do governo militar. Neste caso, o que está em jogo além da incoerência?
Uma mamata gigantesca. O Procure Saber precisava desesperadamente do Roberto Carlos para que conseguisse fazer o lobby da lei que estatiza o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, que trata dos direitos autorais de execução pública musical). Uma lei absurda e cheia de grandes equívocos que nos foi imposta goela abaixo com o desacordo de mais de 300 mil músicos e compositores. Conseguiram o Roberto, mas com uma ressalva. Ele exigiu que o grupo o apoiasse na empreitada de lei das biografias. A partir daí, todo mundo sabe o vexame que foi o desfecho.

A Copa do Mundo, com sua atenção midiática e o aumento dos custos em todos os níveis, vai atrapalhar a vida dos músicos durante sua realização?
Eu não tenho ideia e isso não é exatamente o ponto em questão. O problema é a maneira que a coisa foi e está sendo feita.

Ter lutado pela numeração dos CDs não foi inglório, agora que o CD está praticamente morto e enterrado?
Acredito no vinil. Acho que será o formato mais elegante e procurado. O resto será MP3. A partir da lei, qualquer formato ou plataforma está monitorado.

Nunca pensou em levar a revista Outra Coisa para a internet?
Não. Eu não tenho mais tempo para fazer revista. Já estou mais que no saldo com a música independente.

Hoje, até os medalhões da MPB são independentes. Ficou mais difícil separar o joio do trigo?
Estamos vivemos uma espetacular decadência musical. Nunca fomos tão medíocres, pouco informados e pouco criativos.

Ainda é possível ouvir rock de verdade no Brasil, no sentido de a palavra ‘atitude’ não ser usada como jargão publicitário?
Não faço a menor ideia. E, para falar a verdade, não tenho mais interesse em saber.

Sente orgulho de tudo que fez ou mudaria alguma escolha na carreira?
Não. Estou Ok com minha obra, mas sempre penso para a frente. Creio que nem sequer comecei direito a fazer aquilo que realmente quero.

Tem algum disco preferido na sua produção e algum disco que você julga que foi subvalorizado e merece uma nova chance?
Lino, Sexy & Brutal é o disco mais bem produzido que eu gravei, mas não pretendo requerer nenhuma chance a nada. Estou feliz com o resultado.

Seus livros fazem mais barulho que seus discos? Você está se reinventando como escritor?
Meus livros fazem barulho por não ter nenhum tipo de empecilho no mercado. Na música, tenho um grande público renovado e fiel, mas não tenho como tocar nas rádios o material novo e pouquíssima entrada nas TVs. Mas os livros acabam impulsionando os shows e isso me deixa muito feliz.

Programas de TV que propõem novos ídolos na música brasileira são válidos?
Desde que haja alguém que mereça a tal propaganda.

Aceitaria tornar-se jurado num deles, considerando que Lulu Santos e Carlos Eduardo Miranda aceitaram?
Eu acho detestável esse modelo de programa de calouros. Dar esporro em artista novo diante de uma multidão nunca irá promover os novos a serem realmente artistas de alguma respeitabilidade. Isso é muito triste.

Há quem diga que o sertanejo universitário é a nova música pop. Concorda?
Concordo, sim. Estamos num período terrível, na cultura, na política, na educação, e o resultado só poderia ser esse mesmo.

Onde foi que o rock errou?
Não me interesso mais em questionar isso. Eu ultrapassei os segmentos, me reinventei num mundo que eu mesmo criei e liguei o F***-se no volume 11. Finalmente, sou um homem livre de rótulos e fronteiras. Não pertenço a nenhuma tribo nem a nenhum segmento. Tenho muita sorte em ter conseguido essa façanha e pena de quem depende de alguma coisa por aqui para se estabelecer. Sou apenas um ser lobônico e ponto.

Lobão
Quando: Hoje
Onde: Bolshoi Pub (Rua T-53 nº 1.140. Setor Bueno. Fone: 3241-0731)
Horário: 22 horas
Ingresso: R$ 80 (antecipado)

6 months ago

Lobão toca rock em Goiânia

Matéria original publicada por Allia Hotels, em 10/01/14.

(Foto: Rui Mendes)

Chega a Goiânia no dia 16 de janeiro (quinta-feira) um importante e polêmico nome da música brasileira: o cantor João Luiz Woerdenbag Filho, nacionalmente conhecido como Lobão. O artista carioca apresentará, a partir das 22h, no palco do Bolshoi Pub, seu mais recente projeto, que se chama Lino, Sexy & Brutal. Os ingressos custam R$60 (preço único).

A performance é baseada no show da turnê do álbum Lobão Elétrico, que foi gravado no Citibank Hall, em São Paulo. Nele, o cantor faz uma releitura de clássicos de sua carreira em versões mais pesadas. Serão interpretadas canções que marcaram gerações, a exemplo de O Rock Errou, Balada do Inimigo, Bambino, Canos Silenciosos, Vamos para o Espaço, Não Quero seu Perdão, entre outras. O artista estará acompanhado por Armando Cardoso (bateria) e Dudinha Lima (baixo).

O músico

Lobão começou na música aos dezessete anos na banda Vímana, da qual também faziam parte nomes como Lulu Santos e Ritchie. Em 1980 fundou a banda Blitz com Evandro Mesquita e Fernanda Abreu, mas saiu do grupo antes mesmo do sucesso comercial.

Ainda no começo dos anos 80, engatou carreira solo com o lançamento de Cena de Cinema. Em seguida formou a banda Lobão e os Ronaldos. Apesar do sucesso de Me Chama, a banda teve uma vida curta e Lobão seguiu carreira solo, lançando álbuns como O Rock Errou (1986) e Vida Bandida (1987).

Em 1999 lançou A Vida é Doce em um esquema inédito, com distribuição pela Internet, bancas de jornais e lojas de departamento, que foi sucesso de vendas e de críticas. Em abril de 2007 lançou o álbum Acústico MTV, que foi premiado com o prêmio Grammy Latino na categoria melhor disco de rock.

Escritor

No final de 2010, o cantor lançou sua autobiografia 50 Anos a Mil, com o jornalista Cláudio Tognolli, que ultrapassou a marca de 100 mil cópias vendidas e deverá ganhar telas de cinema neste ano. Em 2013 publicou o polêmico livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca.

Fonte/Foto: Curta Mais Goiânia

6 months ago

Eu, coxinha

Matéria original publicada por Lobão, em 05/01/2014.




(Foto: JF Diorio/AE)


Durante esses últimos anos, venho recebendo de parte da militância petista uma série de adjetivações pretensamente desqualificadoras, que poderiam ter algum efeito não fosse eu um cara desgrilado, um ser alegre a cantar.

Mas, depois do lançamento do Manifesto do Nada na Terra do Nunca, a petizada militante se enfureceu. Na verdade, antes mesmo de o livro chegar às livrarias, houve quem clamasse pela sua proibição ou queima imediata. A minha estreia como colunista de VEJA aumentou essa fúria, que culminou em um ataque apoplético coletivo por ocasião da minha participação noRoda Viva. Um ilustre deputado petista chegou a pedir a cabeça do Augusto Nunes por ter convidado para o programa um “doente mental” (eu).

E, com aquela falta de imaginação, de humor e de argúcia, característica de certas mentes esquerdistas, puseram-se a vociferar palavras de ordem e impropérios contra mim: “Reacionário!”, “filhinho de papai!”, “coxinha!”. Isso para não citar os mais cabeludos (bicha, maconheiro, cheirador, matricida, esquizofrênico…).

Mas vou concentrar a atenção no “coxinha”, que é o mais recente qualificativo do curto vocabulário dessa rapaziada.

Após esses mais de dez anos do PT no governo, a sociedade está percebendo como se forma o aparato de repressão política, censura e difamação montado pelo partido. Se você tem alguma objeção a ele, vira um pária político, moído e asfaltado pela máquina de propaganda estatal, cujos operadores — blogueiros e militantes de plantão na internet — se encarregam do trabalho sujo, na forma de ataques pessoais e truculentos disparados contra qualquer alma que se insurja contra a ideologia oficial. A tática desses operadores é achincalhar o oponente baseados em sua própria e nanica estatura moral.

O simulacro de impropério é construído em torno da miserabilidade do ofensor, que, ofendido com a própria natureza, desanda a chamar os não alinhados daquilo que mais enxerga em si mesmo, na vã tentativa de escapar de sua jocosa e aflitiva condição. Sendo o grande alvo dessa patocracia delirante a classe média — e sendo o militante de esquerda uma espécie de burguês pós-moderno —, o xingamento “coxinha” aparece como um desses casos de projeção psicológica flagrante.

O militante de esquerda é o mauriçola gauche, é aquele tipo que se traveste de ativista de passeata e gasta o seu tempo útil em manifestações inúteis, no afã de exorcizar sua flacidez comportamental, sua virgindade existencial, sua pequena farsa pessoal. É invariavelmente um “multiculturalista”, que acredita que um rap é superior a Bach. É o sujeito moldado na previsibilidade comportamental dos doutrinados, que expele seu déficit de percepção da realidade através da soberba convicção dos imbecis. Refém da uniformidade acachapante dos clichês entrincheirados em sua mente vacante, profere as frases mais gastas e cafonas que se pode imaginar.

Para esse tipo de pessoa, tenho aqui um par de versos de Adam Mickiewicz (1798-1855) que cairá como uma luva:

“Tua alma merece o lugar a que veio

Se, tendo entrado no inferno, não sentes as chamas”.

Assim, convido todos aqueles que, como eu, são agraciados pela esquerda com essas e outras adjetivações a acolhê-las com benevolência e humor, com a percepção de estarmos sob a égide de frouxocratas histéricos que teimam, em sua monomania vã e molenga, em nos assolar com seus fantasmas internos e suas abissais impossibilidades.

E, usando o rebote como mantra, proferirei, contrito: coxinhas de todo o Brasil, uni-vos! 

O cantor e compositor Lobão é colunista de VEJA.

6 months ago